A transversalidade da questão étnico-racial no debate da “questão social”

Aline Nascimento Santos Correia

Resumo


A formação profissional em serviço social traz alguns enigmas, em especial, a insuficiente produção teórica e transversalidade e/ ou intersecção da questão social com a questão étnico- racial. Compreende-se que essa ausência ou pouca evidência pode ser fruto de uma herança tradicional/conservadora infiltrada nas teorias sociais.  Como exemplo,  a teoria social marxista preocupou -se em explicar as variações da sociedade pelo antagonismo entre as classes sociais a partir do modo de produção capitalista, mas não considerou totalmente as demais mediações. Assim, a questão étnico – racial bem como outras discussões de inferiorização não foram evidenciadas. Por isso, alguns autores apresentam a inesgotabilidade de discussão para a questão social e dão margens a outas medicações que devem ser exploradas.

Um dos nexos mais indispensável ao conceber a questão social a partir da relação capital/trabalho é o debate considerando as demais particularidades da formação sócio- histórica brasileira.  Essa particularidade contribuiu para construção do perfil a ser atingido pelas expressões dessa questão social.

A composição majoritariamente de uma etnia/raça em políticas com características compensatórias de transferência de renda que é um dos reflexos da transição do trabalho escravo ao trabalho livre, o qual permanece estigmatizando um determinado  povo.  As  desigualdades    de  cor  ou   raça,  região    espaço    geopolítico


permanecem na realidade brasileira. Os trabalhos que são tidos como não intelectual e/ou de baixa importância social, inferiorizando o trabalhador continua sendo destinado à alguns grupos: o povo negro, índio e quilombolas. Essa situação é preocupante, os números que os indicadores de desigualdade sociais apresentam ratificam um grupo racialmente atendido pelo serviço social.

As discussões acerca da questão social, sem considerar outras mediações da formação sócio - histórica no Brasil, como a questão étnico-racial, não irão apresentar inquietações que perpassam as demandas populacionais e variações sociais como o racismo, preconceito e exclusão. Logo, todas as requisições cometidas ao serviço social não dará margens as demandas subjetivas ligadas a trajetórias dos sujeitos e, o assistente social pode contribuir para perpetuação do mito da democracia racial.

Nesse sentido, varias pesquisas vêm comprovando a lacuna na formação profissional em serviço social. O debate da questão social é reduzido ao antagonismo entre as classes sociais. Por isso, ampliar o debate do objeto da profissão para além da dinâmica das relações de classes, isso significa estendê-lo para a discussão das relações sociais sob a ideologia racista dentro das contradições do sistema capitalista é processo indispensável na atual conjuntura.

 

Palavras-chave: Formação Profissional. Serviço Social. “Questão Social”. Questão Étnico-Racial.

Keywords:  Vocational Training. Social service. "Social issues". Ethnic-Racial Issues.

 


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