Produção do conhecimento em Serviço Social nos anos 2000

Lucicleide Cândido dos Santos, Bernadete de Lourdes Figueiredo de Almeida

Resumo


A crise do capitalismo nos anos de 1970 decorreu da estagnação financeira em nível mundial, afetando em primeira instância, os países da Europa e depois se espraiou por outras partes do mundo, refletindo na realidade brasileira nos anos de 1980. Entretanto, o trinômio neoliberal - focalização, privatização e descentralização - ganhou maior evidência no país nos governos dos anos 1990, dando continuidade nos anos 2000, cujos impactos estão presentes até os dias atuais.

A análise da conjuntura histórica da sociedade contemporânea brasileira nos anos 2000 é perpassada pelos influxos das transformações societárias derivadas dessa crise sistêmica do capital que provocaram modificações nos modos de produção capitalista. Nesse contexto, as inflexões da crise do capitalismo tardio sobre o agravamento das desigualdades sociais confluem sobre o Serviço Social, sobretudo, no que concerne à intervenção profissional no atendimento de novas demandas sociais e à produção do conhecimento.

Nessa direção, este estudo indica como objetivo geral analisar a produção do conhecimento na área do Serviço Social na década de 2000 em torno das influências hegemônicas da Modernidade à emersão da ofensiva pós-moderna. Especificamente, intenta examinar as Dissertações de Mestrado do Programa de Pós-graduação em Serviço Social da UFPB nos anos 2000, vinculadas à área de Fundamentação Teórico-prática do Serviço Social a partir de três indicadores: autores, áreas de conhecimento e categorias temáticas.

Esses objetivos são “Sustentados e movidos pelo desafio de conhecer o já construído e produzido para depois buscar o que ainda não foi feito, de dedicar cada vez mais a atenção a um número considerável de pesquisas realizadas de difícil acesso, de dar conta de determinado saber que avoluma [...] e de divulgá-lo para a sociedade” (FERREIRA, 2002, p. 259).

No que tange aos resultados das temáticas mais incidentes, constatou-se que Prática Profissional aparece como a mais recorrente, concentrando 41% (9) dos objetos de estudos analisados nas 22 dissertações pesquisadas; seguindo-se de Trabalho Profissional com 23% (5), Exercício Profissional com 18% (4), Formação Profissional com 14% (3) e, por fim, Estágio Supervisionado, com apenas uma obra (5%).

No que tange as áreas de conhecimento, contatou-se que a área mais incidente é a de Serviço Social, com 68% (15) do total de 22 dissertações analisadas. Conforma-se como uma incidência majoritária coerente, uma vez que as produções analisadas vinculam à área de Fundamentos do Serviço Social. Mas, questiona-se também o fato de o Serviço Social não ser a área do conhecimento dominante nas 22 obras, posto que essas produções se vinculam à área de concentração de Fundamentos do PPGSS. 

Ao discutir as temáticas a partir das teorias sociais marxistas, o Serviço Social coloca-se enquanto área do conhecimento que apresenta um papel intelectual capaz de contribuir com a formação de ―[...] uma cultura teórica e política que se contrapõe à hegemonia dominante, protagonizada pela esquerda marxista no Brasil―. (MOTA, 2013, p. 1)

Os resultados apontam que dentre o universo das 383 citações dos autores mais recorridos, destacam-se José Paulo Netto, com incidência de 20% (75) e Iamamoto com 19% (71). Decerto, esses dois autores são as duas maiores expressões literárias e intelectuais do Serviço Social brasileiro e em países latino americanos.   

 Conclusivamente, as inflexões pós-modernas na produção do conhecimento através das dissertações de mestrado nos anos 2000 ainda são tênues, se considerar a hegemonia dos estudos investigativos macrossocietários, cujas categorias temáticas são analisadas na perspectiva da totalidade advinda do método da teoria social crítica marxista.

 

 

Referências 

 

FERREIRA, Norma Sandra de Almeida. As pesquisas denimonadas ―estado da arte‖. Revista Educação e Sociedade,  Campinas, ano 23, n. 79, p. 257-272, ago. 2002. 

 

MOTA, Ana Elizabete. Serviço Social brasileiro: profissão e área de conhecimento. Revista Katálysis, Florianópolis, v. 16, n.esp. p.17-27, 2013.

 

 

 

 


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