A violência no município de Campos dos Goytacazes (RJ): algumas questões

Thaís Lopes Cortes, Antenora Maria da Mata Siqueira, Juliana Thimoteo Nazareno Mendes

Resumo


O contexto atual, da crise de segurança pública e do aumento dos episódios violentos, nos coloca o desafio de realizar um estudo empírico sobre a violência no município de Campos dos Goytacazes, que é o maior município em extensão territorial do Rio de Janeiro.

Trabalhamos com a pesquisa hemerográfica ao Jornal Folha da Manhã. E diante da análise do jornal, nos detivemos em sinalizar a) bairros ocorrência e de origem, b) tipos de episódios, c) idade, d) gênero, e) etnia dos sujeitos envolvidos nos episódios violentos no município. A escolha do método se justifica à medida que o jornal é uma fonte de dados e de informação bastante importante para conhecermos a realidade.

A violência e os dados empíricos

Não é possível precisarmos a violência enquanto um conceito, isso ocorre porque a violência é um acontecimento incomum, motivado por vários fatores, e, que, portanto, tem dimensões não conhecidas. Múltiplas são as razões que motivam os sujeitos a se envolverem em episódios violentos (ADORNO, 2008; ARENDT, 1985). Entretanto, algumas razões podem contribuir para a inserção dos sujeitos, sobretudo, dos jovens a prática de ações ilícitas, como a baixa escolarização, a baixa capacitação profissional e as disparidades sociais apresentadas na sociabilidade burguesa (ZALUAR, 2007). No entanto, tais razões por si só não são capazes de justificar tal inserção.

Durante o período estudado, que compreende os meses de janeiro a março de 2015, foram notificadas 146 reportagens. Os bairros de origem mais recorrentes foram da periferia. Nos bairros de ocorrência, constatamos que os bairros que compõem a periferia do município são mais notificados também, além da área central.

Sobre o gênero dos sujeitos envolvidos, há a preponderância do gênero masculino, que representa 58,8% dos episódios, o que confirma a pesquisa de Adorno (2008). As idades mais recorrentes, compreende a juventude, período dos 15 aos 29 anos, representando 30,4% dos episódios. Os episódios mais frequentes foram o homicídio (99), o tráfico de drogas (33) e o assalto (21). Nenhuma reportagem notificou a etnia dos envolvidos.

A população da periferia é apresentada como sendo a responsável pelos episódios. Assim sendo, a população pobre é culpabilizada pela violência existente. Mas os dados apontam que além disso, a população da periferia é a maior vítima da violência. Com isso, consideramos que a realidade do município é similar a de outras cidades, conforme apontam os autores sinalizados no presente estudo.

 

Conclusão

Entende-se, face ao exposto, que a forma como a mídia notifica essas reportagens, contribui para que a população tenha medo de transitar por bairros da periferia e culpam os seus moradores por tais episódios, contribuindo para a criação do imaginário social da população, como se todo jovem, do gênero masculino, negro e morador da periferia seja um sujeito violento por si só. Identificamos que essa população é a maior vítima da violência.


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