Exercício profissional do/a assistente social na educação: desafios e possibilidades

Soraide Isabel Ferreira, Janaina Carvalho Barros

Resumo


O exercício profissional do/a assistente social na Política de Educação vislumbra produzir conhecimentos, debater estratégias e problematizar reflexões orientadas pela competência profissional. Dessa forma, sinaliza para uma intervenção por meio das dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico operativa (GUERRA, 2012), propondo ações para uma atuação crítica, propositiva e de qualidade.

Neste sentido, socializamos os dados parciais da pesquisa de mestrado intitulada “O exercício profissional do/a assistente social no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Mato Grosso: particularidades, limites e possibilidades”, cujo objetivo é analisar as demandas e as respostas profissionais desenvolvidas no âmbito do IFMT.

Trata-se de uma pesquisa descritiva de natureza qualitativa, com o uso de entrevista semiestruturada. Do universo de 19 campi do IFMT existentes no estado de Mato Grosso, 11 fazem parte da amostra, sendo um/a assistente social por campus e uma que trabalha na Reitoria na capital. Verificamos nos depoimentos dos/as profissionais, que a atuação na educação se volta para um trabalho interventivo junto à comunidade escolar, e que as demandas profissionais envolvem os alunos, à família e à evasão escolar; já as requisições institucionais consistem principalmente nas questões que envolvem a Política de Assistência Estudantil. Sendo que nesta centram as intervenções profissionais por meio de ações como a análise socioeconômica dos candidatos/as e o acompanhamento dos/as bolsistas durante o ano letivo. Dada à complexidade dessas ações e a reduzida equipe de acompanhamento, os/as profissionais não têm tido condições de contribuir com outras ações e de atuar em outros aspectos que se manifestam no ambiente da escola.

Embora haja o reconhecimento por parte dos/as profissionais entrevistados/as da necessidade de se trabalhar as questões que envolvem as dimensões individuais, familiares e coletivas que permeiam o ambiente educacional, devido ao número das demandas, das requisições institucionais e das condições e  relações trabalho nesse espaço sócio-ocupacional, que conta somente um/a profissional do Serviço Social por campus, as práticas profissionais não superam a mera execução de tarefas e/ou ações imediatas, com emprego dos instrumentais técnico-operativos recomendado pela Política Estudantil.

Esses/as profissionais enfrentam grandes desafios, de um lado, oriundos da fragilidade do trabalho multiprofissional, interdisciplinar e intersetorial somado com a relativa autonomia profissional. De outro, a tendência de aligeiramento e superficialização da atuação profissional termina por restringir a intervenção ao atendimento das demandas de forma emergencial, sem a devida problematização, prejudicando a análise sob a ótica da dimensão coletiva. Assim, trata de forma individual questões que são coletivas, e que fazem parte da maioria dos usuários. Estas dificuldades desafiam um exercício profissional, bem como dificultam a consolidação das competências e atribuições profissionais voltadas para a construção de uma educação que fortaleça a emancipação (ALMEIDA; RODRIGUES, 2013).

A análise dos dados parciais da pesquisa demostra a necessidade de uma discussão mais ampla por parte da categoria profissional sobre sua atuação na educação, compreendendo a educação como direito social, como via de formação dos sujeitos e como mecanismo de efetivação de direitos. Dessa forma, o/a profissional não pode limitar seu trabalho junto à Assistência Estudantil. Aponta também a necessidade de desenvolvimento de projetos de intervenção, de pesquisa e de extensão, a fim de trabalhar de forma coletiva as principais problemáticas que se manifestam nesse espaço educativo.

A partir desses elementos, torna-se preciso promover um debate acerca das condições, dos limites e das possibilidades que impactam o exercício profissional no IFMT. Uma das formas de discutir estas questões seria por meio do fortalecimento do Fórum Anual da Assistência Estudantil, com a participação dos/as assistentes sociais.

De modo geral, a atuação na Política de Educação impõe aos/às profissionais um conjunto de conhecimentos técnico e crítico para atuar na complexidade dos processos relacionais desse espaço, que orientado/a pelo Projeto Ético-Político, tem a possibilidade de (re)construir novas e criativas estratégias de intervenção profissional.


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