O curso de extensão para supervisores: contribuições para o estágio

Alessandra Ribeiro de Souza, Tatiane Katielle Cardoso, Giselle Borges de Carvalho

Resumo


O presente trabalho tem por objetivo relatar o processo de execução do curso de extensão universitária “Desafios e estratégias da articulação entre formação e exercício profissional,” desenvolvido pelo curso de Serviço Social da Universidade Federal de Ouro Preto (UFOP), e debater uma importante estratégia para atuação profissional: a formulação de projetos de intervenção. Cabe ressaltar que a proposta do curso surge a partir da reflexão do colegiado acerca da oferta de espaços de atualização profissional para Assistentes Sociais da região, na qual a mesma se insere e da necessidade de fortalecimento dos campos de estágio da instituição. Entre as questões referentes ao estágio problematizadas pelos docentes da instituição ressalta a insuficiência de campos, a negativa de profissionais inseridas na rede em supervisionar, o compromisso da universidade em ofertar a formação permanente e continuada para profissionais, a redução de recursos da universidade que tem viabilizado o transporte para inserção em campos de estágio em outros municípios da região, dentre outros.

A partir da realidade apresentada, foi proposta a construção do curso de extensão com o objetivo de promover um espaço de atualização através da interlocução entre a Universidade, os campos de estágio, supervisores e futuros supervisores. O curso foi construído a partir da proposição de nove módulos que buscariam discutir as principais áreas de atuação profissional e que teriam como proposta final a elaboração de projetos de intervenção pelas assistentes sociais inseridas.

Inicialmente foram realizadas ações políticas junto aos gestores da região na qual a UFOP se insere para reconhecimento da inserção no curso como parte do trabalho das profissionais e, portanto, como parte da carga horária de trabalho das mesmas. As inscrições para as 30 vagas disponibilizadas foram abertas através de edital que recebeu 65 candidaturas.

Atualmente, já foram desenvolvidos os 9 módulos propostos e até junho de 2018 as profissionais com orientação dos docentes do curso estão construindo e executando projetos de intervenção nos seus respectivos espaços de trabalho. A proposta de construção dos projetos de intervenção partiu da compreensão de que estes poderiam constituir uma estratégia para reunir “conteúdo e forma” e fortalecer a atuação desses profissionais. Ao indicar a possibilidade de que os profissionais identifiquem, definam e priorizem as demandas postas ao trabalho e construam as estratégias meios e instrumentos necessários para as respostas profissionais, pretende se fortalecer a atuação profissional competente.

Nos últimos anos o processo de precarização da formação e do trabalho profissional se colocou como um desafio para a categoria dos Assistentes Sociais o que decorreu na elaboração de instrumentos e ações políticas por parte de suas entidades representativas. Tais instrumentos como a Resolução 533, elaborada pelo CFESS e a política de estágio pela Associação Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social reafirmam a “indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e profissional” (ABESS/CEDEPSS,1997, p.62), princípio este balizador de toda a proposta construída.

Os resultados iniciais do curso indicam a importância da construção de espaços direcionados à articulação entre formação e trabalho que tem como desdobramento tanto a possibilidade de qualificar a atuação profissional quanto a formação e evidencia o acerto do reconhecimento da supervisão de estágio como espaço privilegiado para tanto.


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