Serviço social e saúde mental: uma experiência de estágio

Luiza Alecrim Favilla Nunes, Adriana Medalha Perez

Resumo


1.            Introdução

Este trabalho tem como objetivo refletir o cotidiano de um hospital psiquiátrico da região metropolitana do Rio de Janeiro, a partir da experiência do estágio supervisionado. 

A Política de Saúde Mental, no Brasil, vem passando por mudanças significativas, a partir da segunda metade do século XX, quando a eficiência do modelo tradicional, fundamentado na hospitalização do doente, sofre duras críticas. A nova lógica pretende compreender o sujeito como um todo, com seus sofrimentos e dificuldades, buscando a integração social do mesmo, em seu contexto familiar e comunitário.

2. O espaço

O Hospital Psiquiátrico em estudo é uma unidade hospitalar pública Estadual, que foi inaugurada em 1953 com o intuito de ser referência no tratamento de doentes mentais, segundo as referências da medicina e psiquiatria da época. Desde 1991 está sob gestão municipal e possui vinculação administrativa com a Vice Presidência de Atenção Hospitalar e de Emergência (VIPAHE), da Fundação Municipal de Saúde de Niterói (FMS) e se destaca na Coordenação das Ações de Saúde Mental no município por ser a porta de entrada para as internações e por seu papel de suporte para emergências psiquiátricas na cidade, além de ter função de ensino com programas de Residência Médica em Psiquiatria, Residência em Saúde Mental, Estágios curriculares e pesquisas acadêmicas em parceria com diversas instituições universitárias.

Possui quatro enfermarias para internação de pacientes agudos e em situação de crise, o Serviço de Internação de Agudos Feminino (SIAF) e Serviço de Internação Masculino (SIM); Serviço de álcool e drogas (SAD) e Serviço de Internação para crianças e adolescentes (SIAC). No HPJ, também contamos o Albergue, antigo SILP (Serviço de Internação de Longa Permanência) que se constitui em um serviço de moradia para os que, por ventura das longas internações, perderam os laços com a família e com a sociedade. A procura dos Serviços (principalmente os de Emergência) é enorme a ponto de não haver uma sustentação do atendimento. O inchaço no número de internações nas enfermarias, reflete o desmonte dos dispositivos extra-hospitalares, que por falta de investimento e de vontade política vem sofrendo para se sustentar.

Sobre a intervenção do assistente social, segundo Bisneto (2007), para atuar na saúde mental esse profissional partiu não só de um paradigma que articula linhas históricas e sociais de suas correntes teóricas. Atua também de forma pluralista quando usa explicações do marxismo para entender a exclusão do louco, para sustentar demandas por direitos sociais e cidadania, ao mesmo tempo e que faz uso da medicina e da psicologia para conceber a loucura como doença mental. Isso exige que o Assistente Social não se resuma apenas a técnicas corriqueiras para atuar no âmbito da saúde mental, mas desenvolva metodologias, em análises críticas da sociedade, e nas refrações com a loucura.

Em relação a supervisão acadêmica e de campo, entendemos que em todo processo de formação é necessário que se consiga fazer uma leitura crítica do campo sócio-ocupacional na qual realiza o estágio. Isto posto, afirmamos que o Estágio Supervisionado está inserido na formação acadêmica como uma forma de aproximar o aluno/estagiário com a prática profissional, podendo conhecer a realidade na qual está inserido e, através desta, em conjunto com as ações pensadas para a prática profissional, via projeto de intervenção, conseguir intervir nessa realidade, conforme as previsões do código de ética.

3.            Considerações Finais

Consideramos então que na saúde mental, especificamente, conhecer e perceber os desafios postos para a implementação da Reforma Psiquiátrica, num contexto neoliberal de retrocesso de direitos, assim como conseguir articular a prática do assistente social dentro da equipe multiprofissional, entender o trabalho do técnico de referência, participar das reuniões, assembleias, seminários, oficinas e atividades institucionais que tenham retorno para a formação, conseguir articular com outras instituições, a fim de viabilizar os direitos dos usuários assistidos pela instituição e consolidar parcerias e ampliar a rede de assistência e cuidado para a população constitui-se em um constante desafio.


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