As condições de trabalho do/a assistente social nos CREAS Belém

Daniela Ribeiro Castilho, Lidiane Maria Siqueira David, Rafaela Araújo da Luz

Resumo


O presente estudo se propõe a trazer uma breve discussão acerca do trabalho do/a Assistente Social no Centro de Referência Especializado em Assistência Social-CREAS, com o objetivo de identificar os rebatimentos na saúde e no trabalho desse/a trabalhador/a. É válido ressaltar que tais condições levam em consideração, tanto a estrutura física, os instrumentos de trabalho, como qualidade do ambiente e as relações existentes entre os sujeitos representando as dimensões ético-políticas, técnico-operativas do Serviço Social, quanto à autonomia de desenvolver projetos e seguir em uma atuação levando em consideração seu projeto ético-político, ligado a dimensão teleológica da profissão.

            É importante falar que tal trabalho é parte do “Projeto de pesquisa Nacional” que tem como objetivo o trabalho da/o Assistente Social que atuam na Seguridade Social no Brasil. É por meio dos resultados preliminares desta pesquisa que tal trabalho vai ser materializado. Nesse processo, definiremos como amostra 10 questionários preenchidos nos CREAS da região Metropolitana de Belém.

            Em tais resultados, é possível perceber o adensamento e o processo de agudização das condições de trabalho e de saúde destes/as profissionais, em virtude de pelo menos 80% dizer que não tem recursos necessários para desenvolver projetos, 60% dizer que não tem muita autonomia para desenvolver os projetos. Com relação à satisfação pessoal 70% não estão satisfeitos/as ao seu trabalho e 50% dizem não que respondem suas necessidades. Além disso, 60% das/os profissionais que responderam os questionários afirmaram que seu trabalho não permite desenvolver suas aspirações profissionais.  

            Já em relação à saúde destes/as trabalhador/as, foi identificado que pelo menos 70% ficam irritado/as e nervoso/as com facilidade, 80% sentem-se tenso/as no local de trabalho e 80% às vezes ficam cansados/as e pelo menos 70% dizem que sentem um esvaziamento na atividade de Assistente Social.

            Dessa maneira, tal estudo revela que a Política de Assistência Social como mediação da relação contraditória entre capital e trabalho, trás rebatimentos não só para os/as usuários/as que têm acesso aos programas desses espaços sócioocupacionais. Mas também e principalmente aos profissionais inseridos/as nele.

             Particularmente para o/a Assistente Social, vivenciar condições aviltantes de degradação das condições de trabalho, de saúde e de existência, com todo arcabouço teórico-metodológico, ético-político e técnico operativo construído historicamente pela profissão e que se materializa, entre outros, da lei de regulamentação da profissão lei 8.662/93 e no  código de ética profissional, e no que se convencionou chamar de Projeto ético-político, isso tem se tornado um grande dilema no exercício profissional, na medida em que, este/a profissional tem dificuldades de implementar e de materializar o projeto profissional hegemônico existente na profissão.

            Nesse sentido, é perceptível que o projeto ético-político do Serviço Social versus o projeto societário conservador do capital, trás implicações na atuação da/o Assistente Social, acarretando a intensificação das condições de trabalho, de saúde, e de vida, além de, um redirecionamento para uma atuação fragmentada, burocrática e tecnicista, ocasionando para este/a profissional, alto grau de stress e sofrimento psiquicossocial com relação aos desafios impostos ao exercício profissional no contexto de regressão de direitos, comprometendo sobremaneira a saúde do/a Assistente Social.


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