Sindimetal-es, terceirização e a samarco mineração: uma análise do discurso

Clarisse Souza Barboza

Resumo


Este trabalho visa tratar a relação do Sindicato dos Metalúrgicos do Espírito Santo (Sindimetal-ES) com a Samarco Mineração S.A. e seus metalúrgicos, tanto empregados diretos quanto terceirizados, na unidade da empresa em Ubu (Anchieta, ES).
Utilizando a metodologia de análise do discurso proposta por Pereira (2015) e tendo como fonte primária as edições do Jornal Boca de Forno, periódico publicado pelo Sindimetal-ES, veiculadas entre os anos de 2013 e 2018, será analisado o posicionamento do Sindicato em relação à terceirização do trabalho, entendendo-a como precarização do trabalho, e para isso utilizamos a concepção de precariado, ou proletariado precarizado, que refere-se à “fração mais mal paga e explorada do proletariado urbano e dos trabalhadores agrícolas [...]” (BRAGA, 2012, p. 19).
A partir dos jornais, foi possível perceber que o Sindimetal-ES mantém uma postura contrária à precarização do trabalho e à ampliação da terceirização, se opondo à sua extensão para atividades-fim, mas não combate este modelo de contratação visando seu desaparecimento.
A situação do trabalhador terceirizado nos leva a pensar em qual seria o seu lugar no contexto pós-rompimento da barragem de Fundão. Após o desastre, as medidas adotadas pela empresa beneficiaram sumariamente os empregados diretos, os únicos sob responsabilidade direta da Samarco, ficando os terceirizados a mercê da continuidade dos contratos de prestação de serviços.
O que se constata nas relações entre Sindimetal e Samarco é o relativo endosso indireto à terceirização promovido pelo Sindicato, já que a categorização de trabalhadores promovida se manteve nas medidas de manutenção de empregos na empresa.

Texto completo:

Sindimetal

Apontamentos

  • Não há apontamentos.