EDUCAÇÃO FÍSICA E INCLUSÃO: O PROFESSOR COMO MEDIADOR NA EXPERIÊNCIA DE BRINCAR DA CRIANÇA COM AUTISMO*

Flaviane Lopes Siqueira Salles, José Francisco Chicon, Maria das Graças Carvalho Silva de Sá

Resumo


O estudo objetiva analisar as possibilidades e formas de mediação
pedagógica, desenvolvidas pelo professor nos processos de aproximação da
criança com autismo com os seus pares na brincadeira. Trata-se de um estudo
de caso realizado em uma brinquedoteca universitária e em outros espaços
lúdicos utilizados como extensão dela. No contexto de investigação,
encontramos 17 crianças de ambos os sexos, com idades de três a seis anos
— dez de um Centro de Educação Infantil (CEI) com desenvolvimento típico,
seis com autismo e uma com síndrome de Down, oriundas da comunidade de
Vitória/ES. Esses alunos foram acompanhados por 13 estagiários do Curso de
Educação Física, que atuaram como professores/brinquedistas estimulando a
brincadeira das crianças, em um encontro semanal, todas as quintas-feiras,
das 14 às 15 horas, no período de março a novembro de 2016, totalizando 24
aulas/registros. Durante o atendimento, os professores/brinquedistas assumiam
funções diferenciadas: conduzir a aula, acompanhar as crianças com
deficiência e registrar as aulas por meio de filmagens e fotografias, sempre
orientados e supervisionados, pelos coordenadores da pesquisa (dois
professores doutores da Ufes). Para os fins deste estudo e delimitação da
investigação, imergimos no conteúdo dos vídeos e elegemos, dentre os
participantes, como sujeitos foco, uma professora/brinquedista e uma das
crianças com diagnóstico de autismo — Maicon, com quatro anos, do sexo
masculino, que apresentava inicialmente sérios comprometimentos sociais,
motores e da fala, além de desconforto ao contato físico. Para a coleta de
dados, foram utilizadas filmagens e observação participante. Os dados foram
analisados por meio do uso da análise microgenética. Os resultados indicam a
relevância da identificação, ao longo do processo de ensino e de
aprendizagem, de um movimento realizado pela ação mediadora da professora
com a criança, que demarcou saltos qualitativos importantes, ampliando a 

participação da criança com autismo nas brincadeiras e na relação com os
colegas.
Palavras-chave: Educação Física Inclusiva. Mediação. Autismo. Brincadeira.


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