A METÁFORA DO SER VIVO NA DEFESA E ILUSTRAÇÃO DA LÍNGUA FRANCESA DE DU BELLAY (1549) COMO FIGURA DUMA FÁBRICA DA HISTÓRIA

Caroline Trotot

Resumo


A Défense1 (Defesa e ilustração da língua francesa) é um texto fundador do imaginário cultural francês. Na grande obra de Pierre Nora2, Marc Fumaroli considera A Defesa como um “lugar da memória”. Antes de ser reconhecido como um grande texto literário propondo o modelo de literatura que era o alvo das suas aspirações, a Defesa desempenhou seu papel na história da literatura transmitida pelas instituições da República francesa. Escrevendo a história, a Defesa servia ao mesmo tempo a fazê-la. O argumento da obra é bem conhecido: Du Bellay convida seus compatriotas a escrever, em francês, obras que fizessem irradiar a potência de seu país, “a tão desejada França” [p. 119]. Para isso, é preciso imitar autores gregos e romanos para que o francês se aproprie do que, no meio do século XVI, ainda permanece uma propriedade do grego e do latim, embora essas últimas sejam línguas mortas. Na poética da Defesa, a metáfora desempenha um papel essencial, ao permitir que o jogo das tensões paradoxais da identidade e da alteridade se desenvolva; além disso, de forma mais radical, a metáfora é a figura da apropriação pelo texto da potência da vida, como definida pelo modelo aristotélico. A prevalência das metáforas cujos termos comparantes remetem ao domínio do ser vivo encontra uma explicação nesse tema ilustrar e reforçar a eficácia do mecanismo da figura3. Tentaremos mostrar como funciona esse modelo do ser vivo na “fábrica da história”, que não apenas ordena o passado, mas também inscreve o presente e o futuro na ficção de uma ordem e de uma potência naturais domesticadas pelo trabalho humano.


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