Elementos para uma apresentação do pensamento conservador: da disposição conservadora aos conservadorismos decorrentes

  • Mário Jorge de Paiva Mestre e doutorando em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-Rio)

Resumo

O presente artigo visa delinear o conceito de pensamento conservador. Porém ao buscarmos a essência do conservadorismo, descobrimos sua alta plasticidade e a ausência de um único e final modelo conservador, pois o conservadorismo é uma disposição, nos termos de Michael Oakeshott, e algo infinitamente variado, como nos mostrou Russell Kirk. Mas delimitações devem ser feitas para não cairmos em um relativismo exagerado, no qual qualquer coisa terminaria por poder ser encarada como conservadorismo. Para além de tal esforço de explicação do que é o conceito, mostra-se igualmente necessário afastar tal linha de pensamento de outros termos próximos como: elitismo, liberalismo, romantismo e mesmo de uma mentalidade reacionária. Para excluir certas confusões e apresentar tipificações ideais. A conclusão do trabalho envolve entender que existem muitas formas de conservadorismo, variáveis de acordo com elementos estruturais e conjunturais.

Referências

ARON, R. 2016. O ópio dos intelectuais. São Paulo: Três Estrelas.

BLOXHAM, J. 2019. Ancient Greece and American conservatism: classical influence on the Modern Right. Nova Iorque: Bloomsbury.

BOBBIO, N. 2001. Direita e esquerda – as razões e significados de uma distinção política. São Paulo: Unesp.

BOBBIO, N. 1994. Liberalismo e democracia. São Paulo: Brasiliense.

BURKE, E. 2012. Sobre a Revolução na França. Rio de Janeiro: Topbooks.

CARVALHO, J. M. 2011. A construção da ordem. In: A construção da ordem/Teatro das sombras. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira.

CASTRO, R. 1992. O anjo pornográfico. São Paulo: Companhia das letras.

CHALOUB, J.; LIMA, P.; PERLATTO, F. 2018. Apresentação: direitas no Brasil contemporâneo. Teoria e cultura, Minas Gerais, v.13, n.2, pp. 9-21.

COUTINHO, J. P. 2014. As ideias conservadoras. São Paulo: Três Estrelas.

COENEN-HUTHER, J. 2013. Sociologia das Elites. Lisboa: Instituto Piaget.

DAWKINS, R. 2009. O maior espetáculo da terra. São Paulo: Companhia das letras.

FINGUERUT, A.; SOUZA, M. A. D. 2018. Que Direita é Esta? As Referências a Trump na Nova Direita Brasileira Pós-Michel Temer. Revista TOMO, Sergipe, n.33, pp. 229-269.

FOUCAULT, M. 2012a. A verdade e as formas jurídicas. Rio de Janeiro: Nau Editora.

FOUCAULT, M. 2012b. A vida dos homens infames. In: FOUCAULT, M. Ditos e escritos IV. Estratégia, poder-saber. Rio de Janeiro: Forense Universitária. Pp. 203-222.

GUÉNON, R. 2018. A crise do Mundo Moderno. São Paulo: Irget.

HARARI, Y. N. 2016. Sapiens – Uma breve história da Humanidade. Rio Grande do Sul: L&PM,

HIMMELFARB, Gertrude. 2011. Os caminhos para a modernidade. São Paulo: É Realizações.

HOLLANDA, C. B. 2011. Teoria das elites. Rio de Janeiro: Zahar.

KIRK, R. 2011. A era de T. S. Eliot. A imaginação moral no século XX. São Paulo: É Realizações.

KIRK, R. 2013. A política da prudência. São Paulo: É Realizações.

KIRK, R. 2016. Edmund Burke - Redescobrindo um gênio. São Paulo: É Realizações.

KIRK, R. 2008. The conservative mind. Tennessee: Lightning Source.

LYNCH, C. E. C. 2008. O Pensamento Conservador Ibero-Americano (1808-1850). Lua Nova, São Paulo, n. 74, pp. 59-92.

LYNCH, C. E. C. O caleidoscópio conservador: a presença de Edmund Burke no Brasil. In: Edmund Burke - Redescobrindo um gênio. São Paulo: É Realizações, 2016.

LÖWY, M.; SAYRE, R. 2015. Revolta e melancolia. São Paulo: Boitempo Editorial.

MACHADO, U. 2001. A vida literária no Brasil durante o romantismo. Rio de Janeiro: EdUerj.

MANNHEIM, K. 1981. O pensamento conservador. In: MARTINS, J. S. (org). Introdução crítica à Sociologia Rural. São Paulo: Hucitec, pp. 77-131.

MERCADANTE, P. 2003. A Consciência Conservadora no Brasil. Rio de Janeiro: Topbooks,

MERQUIOR, J. G. 1985. Michel Foucault ou O niilismo de cátedra. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

MERQUIOR, J. G. 2014. O Liberalismo - Antigo e Moderno. Rio de Janeiro; São Paulo: Record.

MERQUIOR, J. G. 1987. O marxismo ocidental. Rio de Janeiro: Nova Fronteira.

MOSCA, G. 1939. The ruling class (Elementi di Scienza Politica). Nova York: McGraw-Hill Company.

MCALLISTER, T. 2017. Revolta contra a modernidade. São Paulo: É Realizações.

OAKESHOTT, M. 1981. Sobre ser conservador. In: CRESPIGNY, Anthony de; CRONIN, Jeremy (orgs.). Ideologias políticas. Brasília: Universidade de Brasília.

OLIVEIRA, L. 2017. Paulo Francis, um conservador-liberal. Dissertação (Dissertação em Ciências Sociais) – Instituto de Ciências Humanas, Universidade Federal de Juiz de Fora.

NASH, G. 1976. The conservative intellectual movement in America since 1945. New York: Basic Books.

NETO, R. M. 2010. Reaganation: a nação e o nacionalismo (neo) conservador nos Estados Unidos (1981-1988). Dissertação (Dissertação em História) –Instituto de Ciências Humanas e Filosofia, Universidade Federal Fluminense.

NUNAN, A. 2003. Homossexualidade: do preconceito aos padrões de consumo. Rio de Janeiro: Caravansarai.

PETRIK, M. 2006. O duelo verbal: um estudo sobre o polemista no jornalismo. Dissertação (mestrado em Comunicação Social). Faculdade de Comunicação Social, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, PUC-RS.

QUADROS, M P. R. 2015. Conservadorismo à brasileira: sociedade e elites políticas na contemporaneidade. Tese (Doutorado em Ciências Sociais) – Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Rio Grande do Sul.

QUINTON, A. 1978. The politics of imperfection: The religious and secular traditions of conservative thought in England from Hooker to Oakeshott. Londres: Faber and Faber.

SADE, D. A. F. 2006. The complete Marquis de Sade. Nova York: Kensington Books.

SANTOS, M. F. 2017. Filosofia da crise. São Paulo: É Realizações.

SANTOS, M. F. 2012. Invasão vertical dos bárbaros. São Paulo: É Realizações.

SCRUTON, R. 2013. Beleza. Rio de Janeiro: Record.

SCRUTON, R. 2016. Filosofia verde. São Paulo: É Realizações.

SILVA, V. F. 2011. Obras completas - Vicente Ferreira da Silva. São Paulo: É Realizações.

SOARES, J. M. N. 2009. 'Considérations sur la France' de Joseph de Maistre: revisão (historiográfica) e tradução. Dissertação (Mestrado em História Social) – Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas, Universidade de São Paulo, São Paulo.

TEIXEIRA, A. C. E. M. 2010. A vanguarda conservadora: aspectos políticos e simbólicos do movimento LGBT. Desigualdade & Diversidade – Revista de Ciências Sociais da PUC-Rio, n. 7, pp. 63-80.

TRIGUEIRO, G. R. L. 2017. Neoconservadorismo versus paleoconservadorismo: um estudo sobre a genealogia do movimento conservador norte-americano no pós-Segunda Guerra e suas principais disputas identitárias. Tese (Tese em História) – Universidade Federal do Rio de Janeiro.

VOEGELIN, E. 2019. A crise e o apocalipse do Homem. História das ideias políticas – volume VIII. São Paulo: É Realizações.

WIKER, B. 2016. Dez livros que todo o conservador deve ler. São Paulo: Vide Editorial.