Entre laços e gravatas: gênero e animais de companhia

  • Juliana Abonizio Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)
  • Eveline Baptistella Universidade do Estado de Mato Grosso (UFMT)
  • Susana Costa Universidade de Coimbra

Resumo

Ao serem considerados indivíduos e ganharem nome e espaço na organização familiar, os animais eleitos para o afeto são alvo de expectativas e projeções de gênero e, para compreender como tal fenômeno ocorre, utilizamos três estratégias metodológicas: 1 - observação participante e conversas informais com tutores, tendo como critério de seleção estabelecimentos comerciais de produtos para animais de estimação localizados em Cuiabá - capital do estado de Mato Grosso, escolhidos pelo porte; 2 - entrevistas com atendentes e médicos veterinários; 3 - classificação dos objetos vendidos para os animais de acordo com o gênero. Por haver mais objetos, tais como roupas e acessórios, dirigidos a cães, restringimos a análise a essa espécie. A pesquisa foi realizada entre 2015 e 2017 como parte de um projeto maior intitulado: O lugar social dos animais na sociedade contemporânea. Através dos dados construídos, observamos como os objetos refletem as expectativas dos tutores sobre os atributos de masculinidade e feminilidade dos animais tutelados numa concepção binária de gênero. Os produtos dirigidos às fêmeas destacam-se pela predominância da cor rosa e por laços e presilhas para cabeça, vestidos e saias, além de peças com brilhos. Para os machos, são ofertados produtos que objetificam a noção de masculinidade, tais como gravatas, camisetas de times de futebol e réplicas de uniformes de profissões ocupadas tradicionalmente por homens, como policial, bombeiro e segurança.

Biografia do Autor

Juliana Abonizio, Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT)

Doutora em Sociologia; professora do Programa de Pós-Graduação em Estudos de Cultura Contemporânea da Universidade Federal de Mato Grosso.

Eveline Baptistella, Universidade do Estado de Mato Grosso (UFMT)

Doutoranda em Estudos de Cultura Contemporânea; professora do Departamento de Jornalismo da Universidade do Estado de Mato Grosso.

Susana Costa, Universidade de Coimbra

Doutora em Psicologia; professora do Centro de Investigação em Antropologia e Saúde da Universidade de Coimbra.

Publicado
2019-12-22