Manuel Rui Monteiro, a tradicao revisitada

Maria Cristina Batalha

Resumo


A proposta da comunicação é a de analisar a narrativa “O relógio”, do poeta e ficcionista angolano Manuel Rui Monteiro, segundo conto de uma das primeiras coletâneas publicadas após a independência de Angola, Sim, camarada!, em 1977. Rui empenha-se em tecer uma crítica bem-humorada e irreverente da sociedade angolana, desvendando os melindres que povoam o imaginário social e cultural do país, servindo-se de recursos que aliam os elementos da modernidade e os da tradição. Ao tomar a palavra, o narrador do conto imprime à arte de contar a perspectiva de “quem conta um ponto aumenta um ponto”, numa alusão à forma de transmissão das informações e dos valores culturais das sociedades africanas de modo geral. Assim, Manuel Rui aborda a complexidade das relações entre os dois universos culturais (oral e escrita) que formam a identidade de seu país. Para ele, a oralidade africana é carregada de signos que são percebidos de forma individual e subjetiva por quem os recebe. A relativização do binômio tradição-modernidade é reduplicada pela opção pela “oratura”, marca distintiva de sua obra, assim como da de muitos autores africanos. Há no conto “O relógio” a superposição de três estórias: a do relógio, as estórias das lutas para a libertação do país, e, ao mesmo tempo, a estória do processo criador de uma narrativa, redimensionando a relação entre o dado histórico e o ficcional, mostrando que tudo que toca às línguas tem ligação estreita com a história e a cultura.

Palavras-chave: oratura, tradicão, Angola


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