O JOGO AFRICANO MANCALA E SUAS POTENCIALIDADES PARA A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS (EJA)

Rinaldo Pevidor Pereira, Tatiana Silva Machado de Oliveira, Alexsandra dos Santos Oliveira

Resumo


texto discorre sobre a utilização do jogo africano Mancala em sua variação Awalé para a formação continuada de professores na Educação de Jovens e Adultos (EJA) da rede municipal de Cariacica, ES, visando sua implementação na prática docente cujo objetivo é trabalhar a reeducação para as relações étnico-raciais numa perspectiva de currículo integrado. Por meio do jogo Awalé, com suas histórias, lendas e sua relação com a árvore Baobá, é possível, dependendo da orientação do professor, conforme enfatiza Pereira (2011) em sua dissertação, construir conhecimentos de forma integrada no campo da educação matemática, história, língua portuguesa, geografia, ciências, arte e inglês, bem como construir conhecimentos no campo do ensino de história e cultura afro-brasileira. A EJA como modalidade de ensino possui princípios e especificidades próprias inerentes ao público alvo. Sendo assim, consideramos a extrema necessidade de fomentar, enquanto política pública, formação continuada dos profissionais que atuam na EJA, visando além de outras coisas, garantir a efetivação de um currículo integrado que considere a realidade dos educandos. Por meio da formação continuada podemos abordar diversas temáticas, entre elas a diversidade cultural na EJA, tendo em vista que, os conflitos étnicorraciais e o preconceito na escola, conforme enfatiza Munanga (2005), são fatores que contribuem para o alto índice de repetência e evasão escolar dos educandos negros comparativamente com os educandos brancos. A incapacidade dos professores em lidar com as especificidades da EJA somados a falta de estruturas das escolas, ausência de formação continuada bem como a baixa autoestima dos educandos que ingressam nos programas, são fatores que contribuem para elevar o índice de evasão e repetência escolar. Entretanto, pautado na concepção freireana de educação popular, onde os conhecimentos escolares são construídos a partir da vivência dos educandos, ou seja, dos conhecimentos prévios que eles já possuem, é possível promover um processo de ensino e aprendizagem na EJA que atenda as especificidades dessa modalidade de ensino. Nessa perspectiva, podemos promover aulas mais interativas que contribuem para tornar os educandos protagonistas na construção de seus próprios conhecimentos. Nesse sentido, corrobora o jogo africano Mancala, uma atividade lúdica, com base lógica, cuja prática está permeada de valores culturais e conceitos matemáticos que são sistematizados pela escola. As potencialidades culturais e matemáticas presentes no jogo africano Mancala em sua variação Awalé podem ser tomadas como ponto de partida para a construção dos conhecimentos escolares na EJA numa perspectiva de educação popular.

Palavras-chave: Currículo Integrado; Educação de Jovens e Adultos; Jogos Mancala.


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