Europeu e Supraeuropeu: o olhar à distância de Nietzsche

Marco Brusotti

Resumo


O presente ensaio reconstrói um conceito que até então tem recebido pouca atenção: o conceito de ‘über-europäisch’, de Nietzsche, (‘supra-europeu’, ‘excessivamente europeu’), segundo o qual a Europa é aquilo que tem de ser superado, ultrapassado, deixado para trás. O filósofo já considera Assim falou Zaratustra como uma tentativa de uma “visão panorâmica oriental da Europa”, mas somente após este poema concentra suas reflexões no ‘supra-europeu’. Seus ‘bons europeus’ não devem ser apenas ‘supra-nacionais’, mas finalmente ‘supra-europeus’, ou seja, eles devem ser capazes de, pelo menos ocasional e, temporariamente, transcender o horizonte da cultura ocidental. Neste momento Nietzsche elabora sua crítica da moral europeia após Zaratustra. Ele vê na história da Europa, se não uma tradição de superação de limites, pelo menos alguns indivíduos isolados que, por vezes, têm desenvolvido uma forma supra-europeia de pensar, e define, por sua vez, a tarefa de uma “visão supra-europeia da Europa”. Há algumas razões para que se duvide se ele realmente conseguiu isso, mas sua tentativa pode ser considerada como um modelo da visão à distância sobre o pensamento ocidental, que continua a ser um desafio para a própria Europa.

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