Nietzsche e o Liberalismo

Dorian Astor

Resumo


Considera-se o antidemocratismo de Nietzsche como uma das dificuldades que oferecem mais resistência a uma leitura contemporânea do filósofo. Após ter defendido a ideia de que não se trata de simples doxa política, mas de uma vasta estratégia de provocação da modernidade no seu conjunto, este artigo confronta a posição nietzschiana aos pressupostos teóricos do liberalismo clássico baseado na liberdade individual e na igualdade entre os homens. É a partir da hipótese da vontade de potência e, mais precisamente, em torno da noção de quantum de potência (fixo para o liberalismo e variável segundo Nietzsche), que a redefinção dos conceitos éticos e políticos maiores se move: o indivíduo, o altruísmo, o direito e, finalmente, a própria liberdade. Parte-se de uma reconfiguração da articulação entre potência e liberdade, que permita, para além do antidemocratismo nietzschiano, entrever o potencial ético de um pensamento fundamentalmente emancipatório.


Texto completo:

PDF

Referências


BOURDIEU, Pierre (1979), La distinction. Critique sociale du jugement. Paris: Éditions de Minuit.

DELEUZE, Gilles (1969). Logique du sens. Paris: Éditions de Minuit.

DELEUZE, Gilles (1968). Différence et répétition. Paris: PUF.

HEGEL, G.W. F. “Die Differenz des Fichteschen und Schellingschen Systems der Philosophie”. In: Werke. Auf der Grundlage der Werke von 1832-1845, neu editierte Ausgabe. Frankfurt: Suhrkamp.

HIRSCHMANN, Albert Otto (1980). Les passions et les intérêts. Paris: PUF.

HUME, David. (2009). Tratado da natureza humana. São Paulo: Edunesp.

LOCKE, John (1978). Ensaio acerca do entendimento humano. São Paulo: Abril Cultural.

NIETZSCHE, Friedrich (1988). Kritische Studienausgabe. Berlin/München/New York: DTV/Walter de Gruyter.

____________________(1992). Kritische Sämtliche Briefe. Berlin/München/New York: DTV/Walter de Gruyter.

____________________(2004). Aurora. São Paulo: Companhia das Letras.

____________________(2002). Crepúsculo dos Ídolos. São Paulo: Companhia das Letras.

____________________(2008). Humano, demasiado humano II: Opiniões e sentenças diversas. São Paulo: Companhia das Letras.

RANCIÈRE, Jacques (2005). La haine de la démocratie. Paris: La Fabrique Éditions


Apontamentos

  • Não há apontamentos.


Os números da Revista Estudos Nietzsche referentes aos anos de 2010 a 2014 encontram-se no Site: Estudos Nietzsche - PUC/PR