Nietzsche e a ciência: um ensaio sob a perspectiva da relação entre ciência, metafísica e arte

Wilson Antonio Frezzatti Jr.

Resumo


O artigo, por meio de um recorte específico na obra nietzschiana, tem como objetivo apresentar diferentes perspectivas pelas quais Nietzsche entende a relação entre ciência, metafísica e arte. Em O nascimento da tragédia (1871), o conhecimento da condição trágica do homem e sua justificativa estética sucumbem à filosofia socrática, o que revela um antagonismo entre o racionalismo e a sabedoria trágica. Uma oposição entre a postura científica antidogmática e a metafísica aparece em Humano, demasiado humano (1878-80): aqui o espírito livre é a personagem que, livre dos valores vigentes, pode elevar a cultura. Nesse momento, a arte assume um duplo papel, pois pode tanto auxiliar a ciência como aliar-se à metafísica. Em A gaia ciência (I-IV, 1881-82), temos uma espécie de fusão entre ciência e arte, o que promove um modo de produzir conhecimento que se antagoniza à seriedade da metafísica tradicional. Nos últimos textos nietzschianos, a ciência aparece como um caso especial da metafísica. Para superá-la, apoiado na noção de vontade de potência, Nietzsche propõe uma fisio-psicologia. Da mesma forma que a relação entre ciência, metafísica e arte se modifica, os sentidos dessas produções também assumem outras formas.

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Referências


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