A Língua Portuguesa como Barreira ao Acesso à Educação Formal em Moçambique e as Promessas de um Ensino Baseado na Língua Materna da Criança

Feliciano Chimbutane

Resumo


Em sociedades multilingues, a questão da relação entre as línguas de maior e as de menor prestígio tem sido objecto de aceso e sempre renovado debate, incluindo na área da educação (Bamgbose, 2000; Tollefson, 2002; Tollefson &Tsui, 2004). As discussões sobre a relação entre o português e as línguas locais em Moçambique enquadram-se neste grande debate.

Em Moçambique, e à semelhança do que aconteceu e acontece em muitos países africanos, em particular na África subsaariana (Alidou, 2004; Bamgbose, 1999, 2000), pode notar-se que a ‘política’ linguística que imperou no período colonial, incluindo a política linguística no sector da educação, não se alterou após a conquista da independência em 1975. Com efeito, tal como no período colonial, as línguas locais continuam a não gozar de nenhum estatuto oficial, sendo o português a única língua a usufruir deste estatuto. No campo da educação, até muito recentemente, impunha-se o uso exclusivo do português como língua de ensino, sendo até proibido e punível o uso de línguas locais, quer dentro quer fora da sala de aulas.


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