Minicurso: O Brasil na obra de Ruy Duarte de Carvalho Desmedida, Luanda-São Paulo-São Francisco e Volta: relatos de viagem.

Fernanda Santos

Resumo


Ruy Duarte de Carvalho expressa, em suas obras, um percurso que é uma espécie de espiral de autoconsciência, extremamente produtivo enquanto traço geral da literatura do fim de século XX e traço específico quanto ao momento político econômico de Angola. A narrativa de Desmedida, Luanda-São Paulo-São Francisco e Volta, de Ruy Duarte de Carvalho, mostra a capacidade do autor em ler paisagens. A partir de imagens muito vivas, o narrador nos oferece um Brasil que mostra uma convergência notável entre o país percorrido e o sujeito que o percorre. A mobilidade e a circularidade são constantes, na obra do escritor, temporalizando e reconfigurando o espaço. (SILVESTRE, 2006, p. 26) O olhar do narrador perpassa uma viagem por paisagens e culturas desconhecidas, um olhar que é também voltado para si próprio, num processo constante de auto-reflexão em diálogo com o Outro. A viagem é também, nesta narrativa, um modo de busca identitária. (GUATTARI, ROLNIK, 1986) Tendo em mente a centralidade de Angola em sua obra, o leitor nota que pelos caminhos do sertão brasileiro e pelas ruas agitadas de São Paulo, o narrador não deixou de buscar o seu país de origem. Desmedida começa pela referência explícita ao Brasil, mas ao lermos toda a obra, verificamos que mais do que uma alteração espacial, trata-se de uma mudança de perspectiva. Também aqui, e de modo intenso, o escritor incorpora a deriva como um movimento produtivo, explorando as possibilidades de desvendar o real.

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