A responsabilidade dos juízes da sociedade tradicional à atualidade

Autores

  • Adriana Pereira Campos
  • João Vitor Sias Franco

Resumo

A responsabilidade dos juízes é tema relevante na atualidade brasileira e remete ao desenvolvimento histórico desse instituto. No mundo medieval, o direito era marcadamente jurisprudencial, com atribuição aos chefes das corporações o poder de dizer o direito (justiça de juízes), não havendo qualquer sistema de responsabilização desses juízes. Esse modelo de responsabilidade foi rompido com a formação dos Estados Nacionais ibéricos, em que o rei passa a ser o titular da justiça e, sendo seu poder justificado divinamente, não erraria, responsabilizando os juízes caso promovessem injustiças, além de se utilizar do direito para controlar o poder dos juízes (justiça das leis). Com o desenvolvimento das ideias iluministas, como o princípio da separação de poderes para impedir a pressão sobre a atividade jurisdicional, torna-se exceção a responsabilização dos magistrados, somente possível em caso de fraude e erro doloso, modelo esse que vige no Brasil até hoje. Com a judicialização da vida cotidiana (ativismo judicial), e diante da preocupação com essa influência dos juízes e o reduzido campo de sua responsabilidade, o Projeto de Lei do Senado n. 280/2016 pretende alterar esse paradigma.

Publicado

2018-05-10

Edição

Seção

Interdisciplinaridade e história da litigiosidade