Representações sociais da deficiência nas famílias: um estudo comparativo

  • Marla Bernardes Carmino dos Santos Luna Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
  • Luciene Alves Miguez Naiff Professora adjunta III da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro

Resumo

DOI: 10.12957/psi.saber.soc.2015.11311

RESUMO: O principal objetivo deste estudo foi identificar as representações sociais da deficiência em famílias, considerando que a deficiência resulta da interação entre pessoas com deficiência, as barreiras comportamentais e as ambientais que impedem sua participação plena e eficaz na sociedade de forma igualitária. Optou-se comparar a representação de dois tipos de grupos familiares: um grupo familiar no qual há convívio direto com pessoas com deficiência e outro grupo familiar em que não há convívio direto com pessoas com deficiência. Foi utilizado o referencial teórico da Teoria das Representações Sociais em especial a contribuição da Abordagem estrutural de modo a identificar e comparar os prováveis núcleos centrais das representações entre os grupos estudados. Para tanto, utilizou-se questionários com questões fechadas e abertas e tarefas de evocação livre acerca de dois objetos: Deficiência e Pessoa com Deficiência. A pesquisa foi realizada com 108 famílias residentes no Estado do Rio de Janeiro. Os resultados apontam as representações sociais nas famílias em convívio direto com as pessoas com deficiência ligadas aos aspectos da dinâmica cotidiana, dos direitos e da visão de compreender a pessoa com deficiência como sujeito. As famílias que não apresentam o convívio direto possuem representações sociais relacionadas a sentimentos de pena, compaixão, questões ligadas ao corpo e a falta, o que gera preconceitos e discriminações. Como semelhança os grupos apontaram a dificuldade vivida pela pessoa com deficiência para garantir seus direitos, a falta de infraestrutura/acessibilidade e de políticas públicas efetivas.

Palavras-chave: representações sociais; pessoa com deficiência; família; preconceito; direitos sociais.

ABSTRACT: The main objective of this study was to identify the social representations of disability in families, considering that disability results from the interaction between persons with impairments and attitudinal and environmental barriers that hinders their full and effective participation in society on an equal basis. We chose to compare the representation of two types of family groups: a family group in which there is direct contact with people with disabilities and another family group in which no direct contact with people with disabilities. The theoretical framework of the Theory of Social Representations in particular the contribution of the structural approach to identify and compare the probable central representations of nuclei between groups was used. For this, we used questionnaires with closed and open questions and tasks on free recall of two objects: Disability and Persons with Disabilities. The survey was conducted with 108 families residing in the State of Rio de Janeiro. The results indicate the social representations in families with direct contact to persons with disabilities related to aspects of everyday dynamics of rights and the vision to understand the person with disabilities as well as their status as subject . Families that do not have this reality have social representations related to feelings of shame, compassion, connected body issues and lack, which creates prejudice and discrimination. How similarity pointed out the difficulty experienced by people with disabilities to ensure their rights, lack of infrastructure / accessibility and effective public policy.

Keywords: social representations; person with disabilities; family; prejudice; social rights.

Biografia do Autor

Marla Bernardes Carmino dos Santos Luna, Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Mestre em psicologia pela UFRRJ
Luciene Alves Miguez Naiff, Professora adjunta III da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
Coordenadora do programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFRRJ, bolsista de produtividade 2 CNPq, Jovem Cientista do Nosso Estado
Publicado
2015-07-20
Seção
Estudo Empírico