Um estudo sobre o pensamento social de jovens universitários acerca da justiça e das cotas raciais

  • Thamiris Marques Universidade do Estado do Rio de Janeiro
  • Bruna Kappel Almeida dos Santos

Resumo

DOI: 10.12957/psi.saber.soc.2015.17559

RESUMO: Este artigo visa estudar os conceitos de justiça e de cotas raciais de jovens favoráveis, desfavoráveis e neutros em relação às cotas raciais. Para entender a produção de saber referente à frequente rejeição a essa temática recorreu-se ao aporte teórico das Representações sociais. Para tanto, foram entrevistados de forma semiestruturada 14 estudantes divididos em três posicionamentos frente às cotas raciais: favoráveis, desfavoráveis e neutros. A amostra foi composta por estudantes da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Universidade Federal de Uberlândia (UFU) e Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Os dados foram analisados com uma análise de conteúdo segundo Bardin (2000). A análise das 14 entrevistas obteve um total de 144 unidades de registro contabilizadas e inseridas em 55 unidades de significação que, por sua vez, foram incluídos em 21 categorias. Os resultados demonstram que os participantes de todos os posicionamentos tiveram dificuldade de definir o conceito de justiça. Além disso, ligada à noção de justiça, surge a questão da igualdade, mas focalizada sob aspectos muito distintos para os sujeitos, pois enquanto os favoráveis defendem as cotas enquanto uma medida de promoção da igualdade, os desfavoráveis a criticam por acreditar que estas ferem a mesma. Os sujeitos desfavoráveis, apesar de rejeitarem as cotas para negros, demonstram aceitação das cotas sociais, e os resultados referentes aos participantes neutros demonstram um grau de polifasia cognitiva, uma vez que levantam respostas distintas e contrárias umas às outras típicas, mais precisamente apresentam argumentos dos dois posicionamentos polarizados referentes às cotas.

Palavras-chaves: cotas para negros; justiça; representações sociais.

ABSTRACT: This article aims to study the concepts of justice and racial quotas favorable, unfavorable and neutral young people in relation to racial quotas. To understand the production of knowledge regarding the frequent rejection of this theme, we used the theoretical framework of social representations. Therefore, the interview was made in a semi-structured form with 14 students divided into three positions about racial quotas: favorable, unfavorable or neutral. The sample consisted of students from Rio de Janeiro State University (UERJ), Federal University of Uberlandia (UFU) and Federal University Rural Rio de Janeiro (UFRRJ). Data was analyzed with a content analysis according to Bardin (2000). The analysis of the 14 interviews obtained a total of 144 registration units counted and placed in 55 subjects who, in turn, were included in 21-target subjects. The results showed that participants in all positions found it difficult to define the concept of justice. In addition, linked to the notion of justice, the question arises of equality, but focused on very different aspects of the subject, while the favorable advocate quotas as a way of promoting equality, the unfavorable ones criticize it because they believe that these hurt the same. Some of the people who were against the quotas for black people accept the shares of social dimensions, and the results regarding the neutral participants showed a degree of cognitive polyphasia, since they have raised distinct and opposit typical responses. More precisely, the typical responses embrace arguments from both of the polarized positions relating to quotas.

Keywords: quotas for blacks; justice; social representations.

Publicado
2015-07-20
Seção
Estudo Empírico