Fronteiras e pertenças: representações sociais e dinâmicas identitárias do tráfico de drogas na revista Veja (1968-2010)

  • Flaviane da Costa Oliveira Universidade Federal de Minas Gerais
  • Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento Universidade Federal de Minas Gerais
  • Thayna Larissa Aguilar dos Santos Universidade Federal de Minas Gerais
  • Janaína Campos de Freitas Universidade Federal de Minas Gerais

Resumo

RESUMO: Este trabalho buscou compreender o processo de construção de representações sociais do tráfico de drogas ao longo da história recente do país, acessando dinâmicas identitárias envolvidas. Nosso interesse recai sobre as produções da mídia de massa e seus impactos nas relações sociais e desigualdades tão marcantes em nossa sociedade. Este estudo documental reuniu matérias da revista Veja, do período entre 1968 e 2010, relativas ao tema tráfico de drogas. O corpus foi submetido à análise lexical desenvolvida com o auxílio do software ALCESTE. O procedimento de Classificação Hierárquica Descente apresentou sete classes, organizadas em dois grandes grupos, indicando uma dinâmica intergrupal, que sinaliza discursos de um endogrupo e de um exogrupo. Tanto no cenário internacional como no nacional, a necessidade de proteção da identidade social levou à construção de representações sociais do tráfico de drogas como algo que pertence ao estrangeiro ou ao grupo de fora. Assim, as periferias do globo ou das grandes cidades passam a ser vistas como reservatório do risco das drogas, o que se expressa de forma emblemática nas favelas e prisões. A maior parte das matérias se organiza em torno de argumentos técnico-científicos, que embasam estereótipos e preconceitos. A mídia apresenta-se, portanto, como importante instrumento da disseminação de uma versão dos fatos sociais, contribuindo para a construção do conjunto de significados atribuídos ao fenômeno, materializando personagens marginalizados e sem controle que assolam o imaginário social.

Palavras-chave: representações sociais; identidade social; revista Veja; tráfico de drogas; ALCESTE.

ABSTRACT: This study investigated the process of construction of social representations of drug trafficking along the country's recent history, accessing identity dynamics involved. Our interest is with the mass media productions and its impact on social relations and inequalities as striking in our society. This documental study has gathered materials from magazine Veja, in a period between 1968 and 2010, relating to the drug trafficking issue. The corpus was submitted to a lexical analysis developed with the support of the software ALCESTE. The descendent hierarchical classification procedure presented seven classes, organized in two groups, indicating an intergroup dynamics, that points out the discourses of an ingroup and an outgroup. Considering both national and international scenarios, the need for social identity protection led to the fabrication of drug trafficking social representations as something that belongs to the foreigner or to the outer group. Thus, the peripheries of the globe or the big cities, come to be seen as a risk to be a reservoir of drugs, which is expressed in symbolic form in the slums and prisons. Most of the material is organized around technical and scientific arguments that support stereotypes and prejudices. The media presents itself, therefore, as important means of disseminating a version of social factors contributing to the construction of the set of meanings attributed to the phenomenon, materializing marginalized characters and uncontrolled plaguing the social imaginary.

Keywords: social representations; social identity; Veja magazine; drug trafficking; ALCESTE.

 

Biografia do Autor

Flaviane da Costa Oliveira, Universidade Federal de Minas Gerais
Graduada em Psicologia pelo Centro Universitário Newton Paiva (2009). Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Minas Gerais (2013), área de concentração Psicologia Social, Bolsista CAPES.
Ingrid Faria Gianordoli-Nascimento, Universidade Federal de Minas Gerais
Doutora em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal do Espírito Santo. Coordenadora do Programa de Pós-Graduação em Psicologia da Universidade Federal de Minas Gerais e docente do Departamento de Psicologia da mesma universidade. Coordenadora do Núcleo de Pesquisa “Memórias, Representações e Práticas Sociais”.
Thayna Larissa Aguilar dos Santos, Universidade Federal de Minas Gerais
Graduanda no curso de Psicologia da UFMG. Bolsista de iniciação científica da Fundação de Amparo à Pesquisa de Minas Gerais (FAPEMIG)
Janaína Campos de Freitas, Universidade Federal de Minas Gerais
Mestranda em Psicologia pelo Programa de Pós-Graduação em Psicologia da UFMG
Publicado
2015-12-14
Seção
Estudo Empírico