CONTRIBUIÇÕES PARA SE COMPREENDER A LINGUAGEM DAS PESSOAS COM TRANSTORNO DO ESPECTRO DO AUTISMO (TEA): UMA ANÁLISE DA AUTOBIOGRAFIA DE NICOLAS BRITO

  • Ana Flávia Teodoro de Mendonça Oliveira
  • Maria Lúcia Gurgel da Costa
  • Katleen Côrtes da Silva

Resumo

Este artigo deriva de pesquisa qualitativo-descritiva que analisou os aspectos da linguagem de uma pessoa com Transtorno do Espectro do Autismo (TEA), a partir da narrativa autobiográfica intitulada Tudo o que eu posso ser. A análise dos dados seguiu os pressupostos da técnica de análise de conteúdo, de Bardin. Foram estabelecidas as seguintes categorias de análise: a) atrasos na comunicação verbal; b) dificuldades em relação aos aspectos pragmáticos da linguagem; c) interpretação literal das palavras; d) uso da ecolalia imediata e tardia; e) neologismos. Concluiu-se que o TEA implica transtornos verbais e não verbais. Dentre os transtornos verbais, o domínio linguístico mais comprometido refere-se à pragmática. Em relação à compreensão, evidenciam-se obstáculos para percepção da intencionalidade do emissor quando existe o uso de atos de fala indiretos ou inferências na fala do outro. Portanto, ao lidar com alunos com TEA, é importante que o professor compreenda que a impossibilidade de se comunicar verbalmente ou ainda as especificidades da comunicação podem ser um fator que dificulta a aprendizagem. Para que a inclusão possa ser efetiva, faz-se mister que os professores conheçam as peculiaridades e singularidades que envolvem a linguagem de pessoas com TEA, bem como estratégias de facilitação dessa comunicação, como o uso de recursos de comunicação suplementar e/ou alternativa (CSA).

Palavras-chave: Educação especial. Transtorno do Espectro do Autismo. Linguagem. Autobiografia.

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Publicado
2019-07-04
Seção
Artigos - Fluxo Contínuo