O DEBATE AMBIENTAL SOBRE METROPOLIZAÇÃO DIFUSA: OS LIMITES DA ABORDAGEM (ECOS)SISTÊMICA E A IMPORTÂNCIA DA TEORIA DE PRODUÇÃO DO ESPAÇO

  • Bruno Avellar Alves de Lima PROCAM-IEE-USP

Resumo

A metropolização difusa pode ser reconhecida como processo que se generaliza contemporaneamente. No contexto do pensamento ambiental, múltiplas críticas têm sido erigidas à referida lógica, tendo as metrópoles difusas sido eleitas como “insustentáveis”. A abordagem geralmente adotada tem sido aquela proveniente da teoria sistêmica, apropriando-se de princípios da ecologia para explicar a problemática metropolitana. Tal abordagem, contudo, tende a naturalizar o espaço urbano. Buscamos no texto construir uma crítica a abordagem (ecos)sistêmica no tratamento da problemática socioecológica que envolve a metropolização difusa, apontando para a relevância da teoria de produção do espaço na compreensão desta questão. O campo interdisciplinar da ecologia política urbana coloca-se privilegiado para o debate.

Referências

ALBERTI, Marina; MARZLUFF, John M. Ecological resilience in urban ecosystems: linking urban patterns to human and ecological functions. Urban Ecosystems, v. 7, n. 3, p. 241-265, 2004.

ÁLVAREZ, Cristian Julián Díaz. Metabolismo urbano: herramienta para la sustentabilidad de las ciudades. Interdisciplina, vol. 2, núm. 2, p. 51-70. 2014.

ANGELINI, Ronaldo. Ecossistemas e modelagem ecológica. Perspectivas da Limnologia no Brasil, v. 1, p. 1-19, 1999.

BERTALANFFY, Ludwig Von. The History and Status of General Systems Theory. The Academy of Management Journal, Vol. 15, No. 4, General Systems Theory, 407-426. Dec, 1972.

BRENNER, Neil. Tesis sobre la urbanización planetaria. Nueva sociedad, n. 243, p. 38-66, 2013.

CARLOS, Ana Fani Alessandri. A condição espacial. Editora Contexto, 2011.

GONÇALVES, Carlos Walter Porto. Os (des)caminhos do meio ambiente. Editora contexto, 15 ed. 2 reimpressão. Editora Contexto, São Paulo, 2016.

LEFEBVRE, Henri. A reprodução das relações sociais de produção. Publicações Escorpião. Cadernos O homem e a Sociedade. 1973.

LEFEBVRE, Henri. A revolução urbana. Ed. UFMG, Belo Horizonte, 2008a.

LEFEBVRE, Henri. Espaço e política (tradução de Margarida Maria de Andrade e Sérgio Martins). UFMG, 2008b.

LEFEBVRE, Henri. O Direito a Cidade. 5ª Edição. Editora Centauro. São Paulo, 2010.

LENCIONI, Sandra. Urbanização difusa e a constituição de megarregiões: o caso de São Paulo-Rio de Janeiro. E-metropolis, ano 6, p. 6-15, 2015.

MARTINEZ-ALIER, Juan. O ecologismo dos pobres. Conflitos ambientais e linguagens de valoração. Editora Contexto. São Paulo, 2014.

MARX, Karl. O Capital: Crítica da economia política – Livro 1. Boitempo editorial. São Paulo, 2017.

MORIN, Edgar; O Método I: A Natureza da Natureza. 2 ed. Publicações Europa-América. Lisboa, 1977.

ODUM, Eugene P. Fundamentos de Ecologia. 4 ed. Fundação Calouste Gulbenkian, São Paulo, 2013.

REES, William E. Ecological footprints and appropriated carrying capacity: what urban economics leaves out. Environment and urbanization, v. 4, n. 2, p. 121-130, 1992.

REES, William; WACKERNAGEL, Mathis. Urban ecological footprints: why cities cannot be sustainable—and why they are a key to sustainability. Environmental impact assessment review, v. 16, n. 4-6, p. 223-248, 1996.

ROGERS, Richard E. GUMUCHDJIAM. Philip. Cidades para um pequeno planeta. Richard Rogers, Phillip Gumuchdjian; [introdução by Sir Crispin Tickell]. [Barcelona] Gustavo Gil, 2001.

SCHEIDEL, Arnim; TEMPER, Leah; DEMARIA, Federico, MARTINEZ-ALIER, Joan. Ecological distribution conflicts as forces for sustainability: an overview and conceptual framework. Sustainability Science. 13:585–598. p.585-598. 2017.

SWYNGEDOUW, Erik. A cidade como um híbrido: natureza, sociedade e “urbanização-ciborgue”. In ACSELRAD, Henri (org). A duração das cidades: sustentabilidade e risco nas políticas urbanas. 2ed. pp.99-120. Ed. Lamparina, 2009.

SWYNGEDOUW, Erik; HEYNEN, Nikolas C. Urban political ecology, justice and the politics of scale. Antipode, v. 35, n. 5, p. 898-918, 2003.

SWYNGEDOUW, Erik; KAIKA, Maria. The environment of the city... or the urbanization of nature. In BRIDGE, Gary; WATSON, Sphie (orgs.). A Companion to the City, p. 567-580, Blackwell Publishing, 2000.

VARGAS, Nilton. Racionalidade e Não-Racionalização: O Caso da Construção Habitacional. In FLEURY, Afonso C. C. e VARGAS, Nilton (orgs.). Organização do Trabalho. Uma abordagem interdisciplinar. Sete estudos sobre a realidade brasileira. São Paulo, Atlas, 1983.

VIRGÍLIO, José Eduardo; FERREIRA, Leila da Costa. O conceito de ecossistema, a ideia de equilíbrio e o movimento ambientalista. Caderno eletrônico de Ciências Sociais, v. 1, n. 1, p. 1-17. Vitória, 2013.

WOLMAN, Abel. The metabolism of cities. Scientific American, v. 213, n. 3, p. 178-193, 1965.

Publicado
2019-12-06
Seção
GT-9: A produção do urbano: abordagens e métodos de análise