A auto-segregação espacializada: o surgimento de grandes condomínios fechados em Vila Velha - ES

  • Lorenzo Gonçalves Valfré Universidade Federal do Rio de Janeiro
  • Gabriela Leal Rios Universidade Federal do Espírito Santo

Resumo

Considerando a produção do ambiente construído como resultado da dialética entre sua dimensão física e as relações que nele se estabelecem, este artigo aborda o surgimento dos grandes condomínios fechados e horizontalizados residenciais, enquadrados no que Caldeira (1996) considera como enclave fortificado, bem como suas características, na cidade de Vila Velha, Espírito Santo, a partir do entendimento de que estes se estabelecem espacialmente não de maneira aleatória, mas sim partindo de uma ideia de segregação. A criação destes enclaves surge como resposta à questão de ordem social que tangencia a produção capitalista do espaço urbano moderno, que se modifica em decorrência das aparentes necessidades das classes que o constroem.

Biografia do Autor

Lorenzo Gonçalves Valfré, Universidade Federal do Rio de Janeiro
Graduado em Aquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Espírito Santo (2018) e mestrando do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano e Regional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IPPUR/UFRJ)
Gabriela Leal Rios, Universidade Federal do Espírito Santo
Graduanda em Geografia pela Universidade Federal do Espírito Santo.

Referências

ABE, André Tomoyuki. Grande Vitória, ES: crescimento e metropolização. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo). Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 1999.

CALDEIRA, Teresa. Enclaves Fortificados: a nova segregação urbana. Novos Estudos CEBRAP, São Paulo, n. 47, 1997, p. 155-176

CALDEIRA, Teresa. Cidade entre muros: crime, segregação e cidadania em São Paulo. São Paulo: Editora 34/EDUSP, 2002.

CAMPOS JÚNIOR, Carlos Teixeira de; GONÇALVES, Thalismar Matias. Produção do espaço urbano da Serra – Espírito Santo: estratégias recentes da construção imobiliária. Mercator, Fortaleza, v. 8, n. 17, 2009, p. 69-78.

CHAUÍ, Marilene de Souza. O que é ideologia. São Paulo: Brasiliense, 2001.

CHOAY, François. O Urbanismo. São Paulo: Perspectiva, 2000.

CORREA, F. B. A busca por segurança: imaginário do medo e geografia urbana. Revista Contemporânea, Rio de Janeiro, ed. 14, v. 8, n. 1, 2010, p. 88-105.

ESCOBAR, Arturo. Planning. In: SACHS, Wolfgang (org.) The Development Dictionary: a guide to knowledge as power. Londres & Nova York: Zed Books, 1992, p. 145-160.

HARVEY, David. A produção capitalista do espaço. São Paulo: Annablume, 2016.

HARVEY, David. 17 contradições e o fim do capitalismo. São Paulo: Boitempo, 2016.

LAMAS, José Garcia. Morfologia Urbana e Desenho da Cidade. Lisboa: Fundação CalousteGulbenkian, 2000.

SAQUET, M. A.; SILVA, S. S., Milton Santos: concepções da geografia, espaço e território. Revista Geo UERJ, Rio de Janeiro, v.2, n.18, 2008, p. 24-42

SANTOS, Milton. Por uma Geografia Nova. São Paulo: Hucitec, Edusp, 1978.

SANTOS, Milton. A Natureza do Espaço: técnica e tempo, razão e emoção. São Paulo: EDUSP, 1996.

Publicado
2019-12-06
Seção
GT-7: Produção do espaço urbano numa perspectiva crítica