CRÍTICA ÀS METODOLOGIAS ATIVAS NA FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL

Resumo

Este artigo tem por objetivo problematizar, em uma perspectiva crítica, a relação entre os fundamentos das metodologias ativas e a formação profissional em Serviço Social. Através dos dados do INEP/2016 e do Censo EaD Brasil/2016, indicamos o crescimento das Instituições de Ensino Superior (IES)  privadas no Brasil, apoiado no processo de mercadorização e transnacionalização da educação em tempos de crise do capital, neoliberalismo e contrarreforma do Estado, contribuindo para o aumento dos cursos e de matrículas em Serviço Social e para a entrada das metodologias ativas, com a finalidade de responder as demandas urgentes da racionalidade do mercado. Essa uniformização na nova forma de ensinar na formação profissional em Serviço Social propicia o imediatismo, o fortalecimento do pragmatismo profissional e provoca confusões teóricas sobre a relação entre teoria e prática, conforme observamos na análise de 05 Projetos Pedagógicos de Cursos (PPCs) de Serviço Social.

Biografia do Autor

Everton Melo da Silva, Universidade Federal de Alagoas

Assistente social. Doutorando em Serviço Social pela UFAL. Mestre em Serviço Social pela UFAL. Membro do Grupo de Estudos e Pesquisas Marxistas (GEPEM/UFS). Bolsista CAPES. "O presente trabalho foi realizado com apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior - Brasil (CAPES) - Código de Financiamento 001. Endereço: Av. Lourival Melo Mota, S/N, Tabuleiro do Martins, Maceió - AL, Cep: 57072-970. Telefone: 079-999478322. E-mail: evertonmsilva@outlook.com.br ORC ID: http://orcid.org/0000-0002-2221-0936

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Publicado
2019-12-19