O INTELECTUAL ORGÂNICO E AS CLASSES SUBALTERNAS: A ELABORAÇÃO DA NOVA CULTURA PARA O NOVO BLOCO HISTÓRICO

Resumo

O presente artigo objetiva indicar caminhos para a investigação da categoria “intelectual orgânico” a partir da elaboração gramsciana.  Consideramos que esta categoria é fundamental porque exerce a função de direção consciente capaz de reproduzir ou de transformar a elaboração da cultura dominante e da subjetividade presente. Os intelectuais orgânicos são responsáveis pela produção do consenso, condição necessária para a manutenção do bloco histórico que se pretende fazer dominante. Por esse motivo é que a possibilidade da transição rumo ao ordenamento socialista só se torna possível na medida em que a classe operária e seus aliados se dedicam a construção de um novo bloco histórico mediado pelo processo de elaboração de uma nova cultura: neste interim, o Estado em seu sentido integral, a produção do imaginário coletivo popular pelos intelectuais orgânicos e a unificação das classes subalternas se revelam como expressão de uma elaboração teórico-prática carcerária que, imbuída de um salto qualitativo pelo processo de maturação política, se instaura como um fundamento teórico-metodológico marxista em que Gramsci é, notadamente, refundador comunista.

Biografia do Autor

Mirele Hashimoto Siqueira, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE)
Docente do curso de graduação em Serviço Social e do Programa de Pós Graduação stricto sensu, nível de Mestrado, em Serviço Social (PPGSS) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Toledo.
Alfredo Aparecido Batista, Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Toledo.

Docente do curso de graduação em Serviço Social e do Programa de Pós Graduação stricto sensu, nível de Mestrado, em Serviço Social (PPGSS) da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE), campus de Toledo.

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Publicado
2019-12-19