Gênero e produção: por uma história econômica sensível às desigualdades estruturais
DOI:
https://doi.org/10.47456/20253622Palavras-chave:
História Econômica; Gênero; Trabalho; Economia Feminista; Reprodução SocialResumo
Este artigo propõe refletir sobre a inserção dos estudos de gênero no campo da História Econômica como uma inflexão epistemológica e não apenas como ampliação temática. Argumenta-se que a historiografia econômica tradicional negligenciou as relações de gênero nos sistemas produtivos e distributivos, reforçando uma suposta neutralidade analítica. A proposta articula a crítica feminista à economia política com a renovação historiográfica dos Annales, especialmente em relação à longa duração e às estruturas sociais. Autoras como Joan Scott, Silvia Federici e Maria Mies são mobilizadas para evidenciar como as hierarquias de gênero, classe e raça estruturam as dinâmicas econômicas. Com base em exemplos da história do trabalho feminino no Brasil, da economia escravista e das economias domésticas contemporâneas, o artigo defende a ampliação do conceito de “produção econômica” para incluir o trabalho reprodutivo, os cuidados e a informalidade. Busca-se, assim, renovar criticamente a História Econômica e dialogar com debates sobre justiça e reconhecimento.
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