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Samba: símbolo da cultura nacional?

 

Samba: symbol of national culture?

 

Yanne Angelim Dias

Descrição: Ícone

Descrição gerada automaticamentehttps://orcid.org/0009-0000-8199-8826

Universidade Federal de Sergipe (UFS), Departamento de Serviço Social, Aracaju, SE, Brasil

e-mail: yanneufs@gmail.com

 

Maria Zelma de Araújo Madeira

Descrição: Ícone

Descrição gerada automaticamentehttps://orcid.org/0000-0003-2291-4455

Universidade Estadual do Ceará (UECE), Curso de Serviço Social, Fortaleza, CE, Brasil

e-mail: zelmadeira@yahoo.com.br

 

Resumo: Este artigo traz uma discussão sobre samba considerando suas principais acepções apresentadas na produção acadêmica recente. Realizou-se pesquisa bibliográfica com levantamento de produções na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) sobre o tema. A partir da pesquisa, reflete-se que o enunciado de samba como gênero musical símbolo da cultura nacional – e não como cultura afro-brasileira – colabora para o violento apagamento das referências da cultura africana reinventada no Brasil a partir da diáspora e é funcional ao mito da democracia racial no país. Destaca-se o samba como uma das principais expressões de inventividade e resistência negra de raiz africana no Brasil, cujas contribuições foram determinantes na conformação da sociedade brasileira em seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.

Palavras-chave: Samba. Raízes afro-brasileiras. Cultura Afro-brasileira.

 

Abstract: This article discusses samba and considers it’s denotations as presented in recent academic publications. Bibliographic research was conducted through a survey of the Digital Library of Theses and Dissertations (Biblioteca Digital de Teses e Dissertações, BDTD) on the subject. The research indicates that the statement that samba is a musical genre symbolic of national culture, and not of African-Brazilian culture, conspires with the violent erasure of references to an African culture that was reinvented in Brazil by the diaspora, and that it is functional to the myth of racial democracy in the country. Samba stands out as one of the main expressions of inventiveness and Black resistance of African roots in Brazil, whose contributions were decisive in the conformation of Brazilian society in its social, economic, political, and cultural aspects.

Keywords: Samba. African-Brazilian roots. African-Brazilian Culture.

 

INTRODUÇÃO

 

Neste artigo, tomamos o samba como tema central de nossa atenção. A chamada nacionalização do samba – para o qual, segundo Hermano Vianna (2002), em O mistério do samba, o cenário do Rio de Janeiro exerceu centralidade – o anuncia como símbolo da cultura nacional, música genuinamente brasileira. Com raízes afro-brasileiras, perseguido pela polícia no início do século XX como símbolo da vadiagem, o samba passou por transformações e, especialmente a partir do final dos anos 1930, no Rio de Janeiro, foi utilizado na construção da noção de nacionalidade exaltada na Era Vargas, destacando-se nesse processo o peso da urbanização, da inferência da industrialização capitalista na música popular e do desenvolvimento da radiodifusão no Brasil. Nessa direção, o samba se tornou amplamente divulgado como gênero musical que expressa a brasilidade, símbolo da cultura nacional.

Nessa perspectiva de sua acepção, é recorrente o samba ser destacado como um atrativo para fortalecer o turismo internacional, especialmente no período do carnaval, quando o Rio de Janeiro é destaque como cartão postal do Brasil. Reconhecido legalmente como patrimônio cultural nacional, a Lei 14.991 de 27 de setembro de 2024 (Brasil, 2024) reconhece os modos de produção dos instrumentos musicais de samba e as práticas a ele associadas como manifestações da cultura nacional, sendo eles: pandeiro, cuíca, surdo, tamborim, rebolo, frigideira, tam-tam, timba e repique de mão.

 

Porém, quando falamos em samba, a que estamos nos referindo? Música? Dança? Podemos tratá-lo no singular, tendo em vista suas várias expressões no país? Qual a relação do samba com o que se costuma chamar de cultura nacional brasileira? Podemos apreender o samba como um símbolo da cultura nacional? Ainda que não tenhamos aqui a pretensão de responder a essas questões de maneira finalística, elas se apresentam para nós como importantes inquietações que atravessam nossos estudos sobre o tema.

 

Segundo o Dicionário da História Social do Samba (2022), organizado por Nei Lopes e Luiz Antônio Simas, “[...] [n]o Brasil colonial e imperial, as várias danças de origem africana, nas quais a umbigada era a principal característica, foram referidas como ‘batuque’ ou ‘samba’, vocábulo de origem certamente banto-africana” (Lopes; Simas, 2022, p. 247).

 

Alguns estudos sobre samba têm se preocupado com sua historiografia, debatendo sobre suas origens e transformações, dentre outros aspectos. Autores como Roberto Moura (2004), Nei Lopes (2005), Marcos Napolitano e Maria Clara Wasserman (2000), Ana Maria Rodrigues (1984) e Muniz Sodré (1998) problematizam as origens do samba. Estudos de Muniz Sodré (1998) consideram o samba muito mais que um gênero musical, explicitando que seus aspectos musicais estabelecem relações indissociáveis com religiosidade e dança, características de suas raízes africanas fundamentais. O acesso a esses e outros estudos nos remete ao samba como expressão de complexas relações que conformam a formação social brasileira, atravessada, entre outras determinações essenciais, por referências da Cultura Africana recriada no Brasil pela população negra a partir da diáspora e por seus descendentes, na qual o samba encontra sua nascente.

 

Neste artigo, abordamos o samba, expressão cultural afro-brasileira, considerando suas principais acepções apresentadas na produção acadêmica recente. Tomar o samba como objeto de estudos, apresentar uma sistematização do tratamento a ele conferido nas produções teóricas recentes, trata-se, principalmente, de uma forma de dar visibilidade a uma das principais expressões de inventividade e resistência negra de raiz africana no Brasil, cujas contribuições foram determinantes na conformação da sociedade brasileira em seus aspectos sociais, econômicos, políticos e culturais.

 

Tal como destacou Lélia Gonzalez, a “[...] cultura brasileira é uma cultura negra por excelência, até o português que falamos aqui é diferente do português de Portugal. Nosso português […] é ‘pretuguês[1]’” (Gonzalez, 2020, p. 269). Aqui a referida intelectual destaca a importante atuação da mulher negra, “[...] a chamada mãe preta [...]” (Gonzalez, 2020, p. 269), na conformação da cultura brasileira em suas bases, uma vez que, ao amamentar crianças brancas e falar “[...] pretugês , [...] é ela que vai passar pro brasileiro, de um modo geral, esse tipo de pronúncia, um modo de ser, de sentir e de pensar” (Gonzalez, 2020, p. 269).

Nesse sentido, o samba se apresenta como uma mediação relevante para se refletir sobre a realidade social brasileira e suas contradições, apresentando-se como um tema relevante de estudo também para o Serviço Social, nossa área de conhecimento e atuação profissional central. Ainda que a produção sobre samba no Serviço Social pareça quantitativamente restrita, temos identificado mais recentemente alguns trabalhos que envolvem o tema, entre artigos (tais como os escritos por Aretha Pestana, 2013; César Maranhão, 2014; Graziela Scheffer, 2016), trabalhos de conclusão de curso (a exemplo daqueles de autoria de Andressa de Moraes, 2022; e Nery Moraes, 2023) e livros tais como aqueles organizados por Marcelo Braz (2013) e Marcelo Braz e Luiz Leitão (2022).

 

Em O samba entre a “questão social” e a questão cultural no Brasil, Marcelo Braz (2013) chama atenção para a apreensão do samba como uma forma de criação artística, “[...] uma modalidade de práxis pela qual os homens buscam modificar as relações sociais que se dão entre si próprios, objetivando-se em produtos específicos, característicos da atividade artístico-cultural” (Braz, 2013, p. 77). E, enquanto “[...] práxis artístico-cultural é também expressão de uma ‘questão cultural’ inserida no âmbito das relações sociais que conformam a formação social brasileira” (Braz, 2013, p. 77). O autor destaca que o samba é produto da formação social brasileira, num período histórico determinado e vinculado a estratos de classe específicos e, assim, pondera que ele “[...] exprime uma síntese dialética [...]” (Braz, 2013, p. 78) entre “questão social” e a questão cultural no Brasil, as quais “[...] mantêm relação de complementaridade e de determinação recíproca” (Braz, 2013, p. 78).

 

Assinalamos nessa relação dialética também a questão racial que entendemos ser fundamental para apreender quaisquer aspectos constitutivos da dinâmica da realidade brasileira e o que nela se produziu e se produz historicamente, a exemplo do samba. Destaca-se que o Brasil foi um dos últimos países a abolir a escravidão e, “[...] dentro da nova institucionalidade com o pós-abolição, o jeito de tratar os ex-escravizados se reconfigura estruturalmente sob forma de racismo” (Madeira, 2022, p. 79). Cabe ressaltar que a abolição no Brasil não se concluiu, isto é,

 

[...] não provocou mudanças profundas na estrutura fundiária, não alterando a lei de propriedade: ao contrário, impediu avanços institucionais que deixaram lacunas até o tempo presente na vida econômica, social, política e cultural responsáveis pelas persistentes hierarquias raciais naturalizadas e desigualdades engendradas pelo racismo estrutural e institucional que impede ascensão e mobilidade dos grupos étnicos minorizados (Madeira, 2022, p. 79).

 

Nessa dinâmica da sociedade brasileira marcada pelo racismo que a estrutura, as mulheres negras são aquelas que mais sofrem o peso da discriminação, da opressão e da exploração, das violências, expressando uma relação indissociável entre racismo e patriarcado (Barroso, 2018). Nas palavras de Abdias Nascimento (2016):

 

O Brasil herdou de Portugal a estrutura patriarcal de família e o preço dessa herança foi pago pela mulher negra, não só durante a escravidão. Ainda nos dias de hoje, a mulher negra, por causa da sua condição de pobreza, ausência de status social, e total desamparo, continua a vítima fácil, vulnerável a qualquer agressão sexual do branco (Nascimento, 2016, p. 54).

 

As bases dessa formação social – colonial-escravista-racista-patriarcal-sexista (Clóvis Moura, 1984; 1988; Beatriz Nascimento, 2006a; 2006b; 2006c; Abdias Nascimento, 2016; Lélia Gonzalez, 2020) – foram centrais no processo de estruturação da sociedade de classes e na formação da classe trabalhadora no Brasil, forjando contornos particulares ao desenvolvimento do capitalismo brasileiro dependente (Marini, 2011). Racismo e patriarcado, estruturantes da formação social brasileira, funcionais ao capitalismo dependente (Mauriel, 2023), seguem atualizando suas expressões, recriando-se e operando implicações diretas na dinâmica contemporânea da luta de classes no país.

 

Ao explicitar aspectos estruturais dessa sociedade, o samba possibilita relevante debate sobre as questões social, racial e cultural no Brasil, expressa-se, portanto, como muito mais que um gênero musical ou dança. Mas até que ponto a acepção do samba como uma mediação tão relevante para se refletir sobre a sociedade brasileira a partir de seus aspectos estruturais tem comparecido nas produções acadêmicas? Como o samba é assinalado nessas produções?

 

No intuito de conhecer as principais acepções sobre samba que comparecem nas produções teóricas recentes, realizamos uma pesquisa bibliográfica com levantamento das produções científicas (teses e dissertações) disponíveis na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações sobre o tema, publicadas no período entre os anos de 2002 e 2022. Vale informar que tal levantamento bibliográfico, de que resulta a elaboração do presente texto, integrou uma pesquisa de objetivo mais amplo sobre a participação das mulheres no samba, realizada durante estágio pós-doutoral realizado de 2023 a 2024, na Universidade Estadual do Ceará (UECE), junto ao Mestrado em Serviço Social, Trabalho e Questão Social (MASS) e ao Laboratório de Estudos e Pesquisas em Afro brasilidade, Gênero e Família (NUAFRO)/UECE.

 

Neste artigo, portanto, apresentamos parte dos resultados da referida pesquisa, especificamente aqueles sobre as abordagens conferidas ao samba presentes nas produções acadêmicas pesquisadas. Inicialmente apresentamos aqui uma caracterização geral dessas produções tomadas como amostra de pesquisa e, em seguida, com base nos resultados obtidos com a pesquisa bibliográfica, destacamos o samba como relevante expressão da cultura afro-brasileira e problematizamos o recorrente enunciado que o apresenta como gênero musical símbolo da cultura nacional.

 

ASPECTOS METODOLÓGICOS E CARACTERIZAÇÃO DAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS PESQUISADAS

 

Ao compartilharmos aqui parte de resultados que integram uma pesquisa mais ampla sobre a participação das mulheres no samba, entendemos ser importante destacar, ainda que brevemente, aspectos metodológicos que possibilitaram alcançar tais resultados, bem como, uma caracterização das produções científicas pesquisadas.

 

Do ponto de vista metodológico, para a realização da pesquisa bibliográfica, partimos do levantamento bibliográfico das produções científicas disponíveis na plataforma digital intitulada Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), publicadas no período entre os anos de 2002 e 2022, sobre o tema mulheres no samba, considerando descritores, bem como, critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, considerando os objetivos propostos.

 

A partir dos descritores previamente selecionados – samba; mulheres; mulheres no samba; samba raiz; samba de roda; samba de coco; sambadeiras; roda de samba – identificamos 43 trabalhos acadêmicos. A amostra da pesquisa foi composta por trabalhos selecionados a partir de critérios de inclusão e exclusão previamente definidos, no intuito de responder aos objetivos propostos. Consideramos critérios de inclusão: Teses e Dissertações publicadas entre os anos de 2012 a 2022; Teses e Dissertações que tenham como centralidade de discussão a participação de mulheres no samba no Brasil e/ou no Nordeste brasileiro. Foram tomados como critérios de exclusão: Teses e Dissertações que não estejam dentro do lapso temporal de publicação delimitado; Teses e Dissertações que não contemplem diretamente a temática da participação de mulheres no samba no Brasil e/ou no Nordeste brasileiro.

 

No intuito de refinar a seleção dos trabalhos acadêmicos com base nesses critérios, também realizamos leitura dos documentos considerando título, sumário, resumo, introdução e considerações finais, o que nos levou a selecionar 10 produções (2 teses e 8 dissertações), nas quais buscamos identificar sob que acepções abordam o samba, o que suscitou as reflexões compartilhadas no presente artigo. Tais trabalhos estão vinculados a diversas áreas de conhecimento, tal como podemos verificar a seguir:

 

Produções científicas presentes na Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) – Brasil – 2012-2022 – selecionadas para análise

TESES

Título

Autor (a)

IES/UF

Ano

Área

Aprendendo a ler com minhas camaradas: seres, cenas, cenários e difusão do samba de roda através das sambadeiras do Recôncavo baiano

Queiroz, Clécia Maria Aquino de

UFBA/BA

2019

 

Educação/ Difusão do Conhecimento

Agora é samba! Saberes afro-passistagógicos de mulheres gaúchas

Pires, Karen Tolentino de

UFSM/RS

2022

 

Educação/

Educação e Artes

DISSERTAÇÕES

Título

Autor (a)

IES

Ano

Área/Programa

Vai dar samba: o discurso amoroso do samba e a posição- sujeito mulher

Alves, Tássia Gimenes

UFF/RJ

2014

Filosofia e Ciências Humanas/História Cultural

A filha da Dona Lecy: estudo da trajetória de Leci Brandão

Sousa, Fernanda Kalianny Martins

USP/SP

2016

Antropologia Social/Antropologia

Trânsitos Musicais e Comunicação Popular: Experiências de protagonismo de Mulheres Negras em Cachoeira, BA.

Gomes, Francimária Ribeiro

UFBA/BA

2017

Filosofia e Ciências Humanas/Estudos Interdisciplinares sobre Mulheres, Gênero e Feminismo

“Samba de coco de Arcoverde – mudança na regulação de espaço de homens e mulheres ou de estrutura simbólica?”

Jales, Danielly Amorim de Queiroz

UFPE/PE

2018

 

Filosofia e Ciências Humanas/ Antropologia

Samba de Pareia pelos saberes do corpo que samba

Silva, Jonathan Rodrigues

UFS/SE

2019

 

Culturas Populares

“Sempre fui obediente, mas não pude resistir”: narrativas de mulheres musicistas em rodas de samba do Rio de Janeiro

Mostaro, Milene Gomes Ferreira

FGV/RJ

2021

Ciências Sociais/

Pós-Graduação em História, Política e Bens Culturais

Elas compõem, elas cantam: uma pesquisa sobre a autoria feminina de samba

Pacheco, Ana Laura Furtado

UFJF/MG

2021

Letras – Estudos Literários/Teorias da Literatura e Representações Culturais

A cor e o corpo: uma história feminista do samba e do carnaval no Rio de Janeiro

Cavalcanti, Maria Clara Martins

 

Unicamp/

SP

2021

Filosofia e Ciências Humanas/História – História Cultural

     

Fonte: Elaboração própria, 2024.

 

Conforme exposto, da amostra considerada, destacam-se duas teses concentradas na área de Educação, uma relacionada mais diretamente à Difusão do Conhecimento e a outra a Educação e Artes. Essa foi a segunda área de maior concentração dos trabalhos pesquisados, ficando atrás da área de Filosofia e Ciências Humanas que concentrou quatro das oito dissertações selecionadas. Os demais trabalhos (quatro dissertações) se vinculam às áreas de Antropologia, Culturas Populares, Ciências Sociais e Letras, respectivamente. Entre as produções publicadas no período considerado na pesquisa, verificamos ausência de trabalhos vinculados à área de Serviço Social, razão pela qual não há produções dessa área na composição da amostra de pesquisa.

 

Ademais, identificamos que os trabalhos pesquisados apresentam publicação no período entre 2014 e 2022, com maior concentração em 2021 (três trabalhos) e 2019 (dois trabalhos). A região Nordeste concentra o maior número de produções pesquisadas, com total de quatro trabalhos, dos quais dois foram publicados na Bahia, um em Pernambuco e um em Sergipe. A região Sudeste aparece logo em seguida, Rio de Janeiro e São Paulo – cada um com dois trabalhos – e Minas Gerais com um trabalho publicado. Na região Sul identificamos a publicação de um trabalho compondo a amostra de pesquisa.

 

Verificamos que em termos de aspectos metodológicos e de método dos estudos que subsidiaram as produções científicas selecionadas, a pesquisa de campo com realização de entrevistas comparece em sete produções e cinco delas referem uso de observação e pesquisa documental. Em três trabalhos também verificamos a realização de pesquisa documental, totalizando assim sua utilização em oito das 10 produções selecionadas. A pesquisa bibliográfica, subsídio de todos os trabalhos, apenas em dois deles é citada diretamente como parte da metodologia utilizada.

 

Os trabalhos pesquisados em sua maioria não apresentam uma sistematização detalhada sobre os aspectos metodológicos adotados, o que nos exigiu especial atenção ao longo da leitura dos estudos na sua totalidade para ser possível caracterizar, ainda que minimamente, os tipos de pesquisa adotados. O mesmo afirmamos em relação a identificação de métodos e abordagens de pesquisa. A esse respeito foi possível identificar: menção de abordagem qualitativa e princípios da Etnocenologia e Multirreferencialidade (um trabalho); Etnomusicologia (um trabalho); Análise do Discurso (um trabalho); abordagem concentrada na experiência e Etnopesquisa (um trabalho); Etnografia (um trabalho); História Oral (um trabalho) e um trabalho informa no resumo que para o estudo foi criado um método de pesquisa voltado para Mulheres Negras, o qual é embasado por quatro etapas: conhecer, ouvir, ver e aprender, o que nos remeteu à noção de “escrevivência” (apresentada por Conceição Evaristo), ainda que não assinalado. Os três demais trabalhos não mencionam diretamente sobre a abordagem metodológica utilizada.

 

A seguir apresentaremos as abordagens em relação ao samba verificadas nos referidos trabalhos pesquisados.

 

O SAMBA NAS PRODUÇÕES CIENTÍFICAS RECENTES E A NECESSÁRIA VISIBILIDADE DE SUAS RAÍZES AFRO-BRASILEIRAS

 

Verificamos que há diversas caracterizações do samba manifestadas nas produções acadêmicas pesquisadas, quais sejam: gênero ou estilo musical, discurso musical e artístico, manifestação ou expressão cultural, patrimônio cultural, dança e expressão de resistência negra.

 

Dos três trabalhos que se referem ao samba como gênero ou estilo musical, destaca-se a dissertação de Ana Pacheco (2021) que, ao caracterizá-lo como gênero musical brasileiro por excelência, recupera aspectos históricos do seu nascimento na área rural do país e sua relação com o candomblé, suas práticas nos quintais das casas durante as celebrações religiosas. Ao tratar de tais aspectos históricos, a autora se refere às raízes do samba como “[...] intercontinentais [...]” (Pacheco, 2021, p. 13) – africana e europeia. Também destaca as transformações pelas quais o samba passou ao longo do século XX com o processo de urbanização e chamada era da indústria cultural, tornando-se o gênero musical brasileiro por excelência. A dissertação de Tassia Alves (2014) também chama atenção para a origem popular e africana do samba, bem como, da relação com referências europeia e brasileira:

 

O samba se constitui como um gênero musical de expressão no território brasileiro, especialmente no eixo Rio de Janeiro-São Paulo. Tem origem popular, uma vez que fora herança dos escravos trazidos para o Brasil, sendo assim, uma mistura de estilos musicais africanos, europeus e brasileiros, que começa a tomar força na sociedade por volta dos anos 1920 (Alves, 2014, p. 16).

 

É importante assinalar aqui que essa “[...] mistura de estilos musicais [...]” (Alves, 2014, p. 16) foi resultante do processo violento de colonização europeia que marca a formação social brasileira. Um processo de expropriação indissociável de mecanismos de opressão e exploração que caracterizam a sociedade brasileira como patriarcal-racista-capitalista (Barroso, 2018; Cisne; Santos, 2018).

 

A noção de miscigenação (entre indígenas, negros e brancos) como característica da população brasileira, comumente propalada como indicação de uma suposta harmonia e homogeneização das relações sociais no Brasil, essencialmente expressa o “[...] crime de violação e de subjugação sexual cometido contra a mulher negra pelo homem branco [...]” (Nascimento, 2016, p. 61) e que perdurou “[...] como prática normal ao longo das gerações” (Nascimento, 2016, p. 61).

 

 

A afirmação da miscigenação é recorrentemente utilizada para sustentar a ideia de uma suposta democracia racial no Brasil. Tal como alerta Abdias Nascimento (2016):

 

[…] à base de especulações intelectuais, frequentemente com o apoio das chamadas ciências históricas, erigiu-se no Brasil o conceito da democracia racial; segundo esta, tal expressão supostamente refletiria determinada relação concreta na dinâmica da sociedade brasileira: que pretos e brancos convivem harmoniosamente, desfrutando iguais oportunidades de existência, sem nenhuma interferência, nesse jogo de paridade social, das respectivas origens raciais ou étnicas (Nascimento, 2016, p. 35).

 

O referido autor explicita que a chamada democracia racial é uma metáfora que expressa o “[...] racismo estilo brasileiro [...]” (Nascimento, 2016, p. 82) que não se manifesta de modo óbvio como ocorre nos Estados Unidos e nem de maneira legalizada tal como o apartheid da África do Sul, contudo, institucionalizou-se “[...] de forma eficaz nos níveis oficiais de governo, assim como difuso e profundamente penetrante no tecido social, psicológico, econômico, político e cultural da sociedade do país” (Nascimento, 2016, p. 82).

 

Os estudos de Abdias Nascimento evidenciam o racismo na realidade brasileira, destacando o que analisa como genocídio do negro no Brasil sob diversas estratégias:

 

Da classificação grosseira dos negros como selvagens e inferiores, ao enaltecimento das virtudes da mistura de sangue como tentativa de erradicação da ‘mancha negra’; da operatividade do ‘sincretismo’ religioso à abolição legal da questão negra através da Lei de Segurança Nacional e da omissão censitária – manipulando todos esses métodos e recursos – a história não oficial do Brasil registra o longo e antigo genocídio que se vem perpetrando contra o afro-brasileiro. Monstruosa máquina ironicamente designada ‘democracia racial’ que só concede aos negros um único ‘privilégio’: aquele de se tornarem brancos, por dentro e por fora. A palavra-senha desse imperialismo da brancura, e do capitalismo que lhe é inerente, responde a apelidos bastardos como assimilação, aculturação, miscigenação; mas sabemos que embaixo da superfície teórica permanece intocada a crença na inferioridade do africano e seus descendentes (Nascimento, 2016, p. 82).

 

Beatriz Nascimento acentua: “[...] [a] cultura negra, que conseguiu se amalgamar com a cultura índia, é realmente a cultura brasileira, […] que ficou ao nível de uma subcultura […] porque uma outra cultura dominou ela nesse nível” (Nascimento, 2018, p. 125).

 

Essas análises certamente auxiliam a desvelar o intencional apagamento da relevante herança sociocultural negro-africana e de seus descendentes na construção da formação social brasileira em seus mais diferentes aspectos (sociais, econômicos, políticos, culturais). O que também se revela com relação às contribuições dos povos indígenas. Entendemos que a recorrente caracterização do samba como expressão da cultura nacional ou cultura brasileira participa das estratégias de genocídio da cultura negra no país.

 

Entre os trabalhos pesquisados que abordaram o samba no Nordeste brasileiro, constatamos confluência de análises ao caracterizá-lo como manifestação ou prática cultural e expressão de resistência negra. Em sua dissertação, Francimária Gomes (2017), além de considerar o samba como gênero musical ou música negra, ao assinalar que também se trata de uma manifestação cultural popular, chama atenção para sua caracterização enquanto expressão de resistência negra e destaca a importância do samba de roda – com suas características marcadas por traços da cultura da diáspora negra africana – na formação da identidade cultural do Recôncavo Baiano:

O processo de patrimonialização permitiu não apenas o reconhecimento do gênero enquanto elemento musical, também trouxe visibilidade para um saber popular ancestral. Permitiu o fortalecimento de grupos existentes e influenciou no surgimento de outros, marcando sua importância na formação da identidade cultural do Recôncavo Baiano, assim como ampliou as dinâmicas dos espaços musicais. Surgido dentro do contexto da colonização, expressão musical e estética marginalizada e, posteriormente, apropriada pela cultura mainstream (Hall, 2008; Sandroni, 2001), o samba de roda se torna representativo principalmente por manter em suas características traços da cultura da diáspora (Gomes, 2017, p. 19-20).

 

Em sua tese, Clécia Queiroz (2019), ao identificar o samba de roda como manifestação cultural, assinala o lugar relevante da dança e o denomina como coreo-litero-musical participativa, entendendo que “[...] sua matéria-prima é produzida pelo corpo e, uma vez transformada em música e poesia, se materializa outra vez nele através da dança, informada pela participação de todos os presentes” (Queiroz, 2019, p. 24). Ao caracterizar o samba de roda como dança e expressão cultural popular, destaca suas raízes predominantemente africanas:

 

Entre todas as traduções culturais realizadas no Recôncavo Baiano, o samba de roda talvez seja a maior delas e a que lhe dá unidade. Suas origens não são muito precisas, mas há relatos de viajantes e literatos da existência de formas culturais similares encontradas desde o século XVII, com a disposição espacial em círculo de coreografias, onde uma mulher vai ao centro de cada vez, requebrando os quadris de forma sensual, e dele se retira, convidando uma outra mulher para o centro da roda através de uma umbigada (SODRÉ, 1998). Contudo, as menções a um tipo de manifestação mais próximo do que se produz atualmente como samba de roda datam do século XIX. As estruturas do passado, tanto da dança como da música, características da cultura de povos do centro-oeste africano (banto), que foram transplantados para o Brasil em grande quantidade nos primeiros séculos da colônia, foram se moldando, ganhando novos contornos no encontro com as matrizes diversas presentes no país até chegar ao que se reconhece hoje como samba de roda. Chamo atenção, contudo, para a predominância da contribuição dos africanos para essa expressão cultural, que sempre foi praticada majoritariamente por negros (Queiroz, 2019, p. 36-37).

 

A dissertação de Jonathan Silva (2019), ao se referir ao Samba de Pareia da Mussuca, em Sergipe, além de caracterizá-lo como manifestação cultural, também salienta seu caráter de resistência negra e o reconhece como aquilombamento:

 

Afirmo que o samba pode, assim, ser visto como um aquilombamento, pois é assim em todos os formatos que o samba acontece. Desde a comemoração do nascimento da criança no povoado, até as apresentações fora do seu local de origem. É preciso estar todos juntos para a roda acontecer. De forma direta (Sambadeiras, tocadores e as puxadoras de rimas) ou indiretamente (corpos ouvintes/dançantes que ficam junto ao grupo, mais à margem da circunferência). É assim que se entende. Uma roda feita de partes. Isso me faz lembrar que quilombo também é uma forma do negro se re-entender sócio e culturalmente aqui no Brasil, muito próxima a uma forma de organização vinda de África (ORÍ, 1989) (Silva, 2019, p. 39).

 

Essa acepção de samba como aquilombamento nos remete a Beatriz Nascimento, quando afirma o que singulariza o quilombo: “[...] é que ele é um agrupamento de negros, que o negro empreende, que aceita o índio dentro dessa estrutura e que não foi aceito nunca dentro da sociedade brasileira, como ainda não é aceito até agora” (Nascimento, 2018, p. 126). Ainda segundo argumenta a autora, o colonialismo foi responsável pela desagregação do negro

 

[...] como homem, como cultura, como sociedade, no momento em que ele se aglutina ele sempre está repetindo […] a essência do que teria sido o quilombo, sabe? Porque os quilombos são vários, milhares no Brasil e em todas as partes do mundo, com características próprias. Então, a ordem oficial, a repressão, é que chamou isso de quilombo, que é um nome negro e que significa união. Então, no momento em que o negro se unifica, se agrega, ele está sempre formando um quilombo, está eternamente formando um quilombo, o nome em africano é união (Nascimento, 2018, p. 126).

 

Além das perspectivas citadas, Jonathan Silva (2019) observa o caráter também artístico do samba de pareia quando é apresentado em palco e assume a feição de espetáculo em eventos culturais que ocorrem fora da comunidade. A dimensão artística do samba foi assinalada também por Tássia Alves (2014) em sua dissertação quando, além de corroborar com as perspectivas de sua caracterização como gênero musical, manifestação ou expressão cultural, também o destaca como patrimônio cultural e discurso artístico, ao ressaltar “[...] que o samba, enquanto discurso artístico e patrimônio cultural, está inserido na sociedade historicamente” (Alves, 2014, p. 56), que as letras de sambas indicam sentidos e posições ideológicas construídos socialmente. Nessa direção, Alves (2014) se ampara em estudos de Magalhães (2011), quando reitera que “[...] a arte apresenta-se como a expressão mais elevada do pensamento humano, única capaz de refletir o seu tempo e antever, de forma artística, possibilidades futuras para a sociedade” (Magalhães, 2011, p. 11-12).

 

Danielly Jales (2018), ao acessar resultados de outros estudos a respeito do samba de coco de Arcoverde (PE), destaca em sua dissertação ter verificado “[...] que o coco tornou-se um indicador empírico importante para compreender os processos de afirmação de identidade; de construção do conceito de negritude; bem como de legitimação do patrimônio afro-brasileiro” (Jales, 2018, p. 15). Acrescenta que estudos que assumem outra perspectiva se referem ao “[...] samba de coco partindo de uma discussão focada nas suas origens e desdobramentos da existência cultural da manifestação e dos diferentes tipos de cocos encontrados no Nordeste” (Jales, 2018, p. 15). A autora assinala ainda matrizes indígenas associadas às formas de dançar o coco, quais sejam, “[...] basicamente a roda e a fileira parecendo ter sido influenciado diretamente pelo Toré e outras danças indígenas (Pereira, 2005; Machado, 2001)” (Jales, 2018, p. 16). Ainda de acordo com a referida pesquisadora, não há um consenso entre mestres de samba de coco em Arcoverde sobre sua origem. Alguns mestres que reconhecem a origem do coco na cultura africana, para outros há apenas relação e há aqueles que informam a existência do coco em Arcoverde em decorrência da migração de coquistas para aquela cidade (Jales, 2018).

 

Milene Mostaro (2021), em sua dissertação – um estudo de rodas de sambas de mulheres no Rio de Janeiro – e Karen Pires (2022) em sua tese – sobre pedagogias em dança de passistas no Rio Grande do Sul – corroboram com a caracterização do samba como expressão ou manifestação cultural de origem africana. A primeira chama atenção ainda para o samba como “[...] um fenômeno cultural tão marcante e associado a um elemento da cultura e identidade nacional” (Mostaro, 2021, p. 38). A última destaca que “[...] o samba é um espaço de identidade e resistência negra e que está inserido nas vidas de grande parte da população negra brasileira [...]” (Pires, 2022, p. 23), ressaltando, assim, a identidade negra.

 

A questão da associação da noção de identidade nacional ao samba cumpre funcionalidade econômica e política ao convertê-lo em mercadoria e utilizá-lo como símbolo de uma suposta coesão nacional. Tal processo não pode ser analisado sem considerar o apagamento de suas raízes africanas e afro-brasileiras, o genocídio do negro no Brasil, nos termos de Abdias Nascimento (2016), a ação dominadora por outra cultura que designou o lugar de subcultura, tal como alerta Beatriz Nascimento (2018), às elaborações sociais, políticas, econômicas e culturais da população negra e de povos indígenas no país.

 

Pelo exposto, verificamos a diversidade na abordagem do samba nas produções acadêmicas pesquisadas que comparecem em oito das 10 produções que constituíram a amostra da pesquisa. Desses oito trabalhos, identificamos que sete apresentam confluência quando destacam diretamente sua relação com referências da Cultura Africana, suas raízes negras (raízes africana e afro-brasileira), não operando com seu reducionismo a um gênero musical. Contornos específicos nos chamaram a atenção quando verificamos, por exemplo, que duas produções se referem ao samba como manifestação cultural de origem africana e uma que o define como patrimônio cultural afro-brasileiro, além de outras duas produções com abordagem do samba sob a perspectiva de resistência negra e aquilombamento.

 

Ao partirmos do exposto, entendemos que o discurso recorrente de que o samba é símbolo da cultura nacional colabora para o violento apagamento das referências da cultura africana reinventada o Brasil a partir da diáspora. E, nesse sentido, as perspectivas apresentadas nas produções pesquisadas, em sua maioria, assumem uma direção que tende a contribuir para descortinar o véu da noção de símbolo de brasilidade atribuído ao samba, que eclipsa as profundas desigualdades sociais de sexo/gênero, étnico-raciais e de classe no Brasil. O samba, que também é produto das relações sociais, ao tempo que historicamente expressa tais desigualdades, apresenta-se como estratégia de enfrentamento a elas, quando reafirma a resistência negra (e sua raiz africana) no Brasil, ao explicitar a identidade, a inventividade e a cultura negra (Munanga, 2020; 2024) na sociedade brasileira, patriarcal e racializada.

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS

 

O caminho que nos trouxe até aqui favoreceu uma relevante aproximação ao conhecimento acadêmico que vem sendo produzido sobre o samba no país e às diferentes abordagens a seu respeito nas produções científicas recentes.

 

Essa aproximação nos leva a reafirmar a apreensão do samba como expressão cultural afro-brasileira e, nesse sentido, não pode ser reduzido à noção de gênero musical. Tal como nos lembra Muniz Sodré (1998), na cultura tradicional africana, há uma unidade na relação entre música, dança, lendas, mitos. Ao reconhecermos tais raízes do samba, portanto, é necessário apreendê-lo considerando a relação indissociável entre música, dança e religiosidade e, no Brasil, ao se desenvolver a partir da diáspora africana, denota afirmação da identidade e resistência negra no país.

 

Nessa direção analítica, tratar do samba no sentido teórico-conceitual nos sugere exigir o reconhecimento de suas dimensões que conformam unidade indissociável, sob pena de reduzi-lo apenas à sua dimensão musical, fragmentando-o ao sabor da lógica cartesiana. Tal redução também se mostra palatável ao propalado discurso romântico-panfletário da beleza do Brasil miscigenado, o que corrobora com o mito da democracia racial no país.

 

Nossa perspectiva de análise aqui, portanto, colide com o tratamento do samba como produto de uma suposta identidade nacional que eclipsa sua nascente africana e suas características fundamentais enquanto expressão cultural afro-brasileira e não apenas brasileira.

 

Com suas raízes africana e afro-brasileira, seu desenvolvimento histórico no Brasil, seus conteúdos e modos de realização, conforme apontamos, o samba expressa as relações sociais que conformam a realidade brasileira, complexa, marcada por profundas desigualdades de sexo/gênero e étnico-raciais e de classe. E, ao mesmo tempo, apresenta-se como estratégia de enfrentamento a elas, quando reafirma a resistência negra (e sua raiz africana) na sociedade brasileira patriarcal e racializada.

 

Reafirmamos nosso entendimento de que estudar e debater sobre samba se revela uma importante mediação para tratarmos de “questão social”, questão racial e questão cultural no Brasil e, nesses termos, um tema não apenas pertinente, mas necessário de ser tratado também no âmbito do Serviço Social, o que nos mobiliza a seguir com aprofundamento de nossos estudos a respeito dessa discussão.

 

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Yanne Angelim Dias Trabalhou na concepção, investigação, metodologia, administração do projeto e escrita do manuscrito original. 

Assistente social. Doutora em Serviço Social. Realizou Estágio Pós-doutoral na Universidade Estadual do Ceará (2023-2024), com estudos sobre mulheres no samba. Professora do Departamento de Serviço Social da Universidade Federal de Sergipe.

Maria Zelma de Araújo Madeira Trabalhou na administração do projeto e supervisão.

Assistente social. Doutora em Sociologia. Professora do Curso de Serviço Social e do Mestrado Acadêmico em Serviço Social, Trabalho e Questão Social da Universidade Estadual do Ceará (UECE). Fundadora e Coordenadora do NUAFRO/UECE. É Secretária Estadual de Igualdade Racial do Ceará.

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Editoras responsáveis

Silvia Neves Salazar – Editora-chefe

Maria Lúcia Teixeira Garcia – Editora

 

 

Submetido em: 15/3/2025. Revisado em: 13/6; 28/7/2025. Aceito em: 16/9/2025.

 

Este é um artigo publicado em acesso aberto (Open Access) sob a licença Creative Commons Attribution, que permite uso, distribuição e reprodução em qualquer meio, sem restrições desde que o trabalho original seja corretamente citado.

 



[1] Português com acento de línguas africanas – quimbundo, ambundo.