Das amas de leite às “Ismálias” destituídas do poder familiar:análise interseccional
DOI:
https://doi.org/10.47456/argumentum.v18.2026.50590Palavras-chave:
Destituição do Poder Familiar, Racismo EstruturalResumo
Trata-se do resultado de um estudo qualitativo que teve como objetivo analisar o perfil das mulheres que perderam o poder familiar em uma comarca de um município de grande porte da região Norte do Paraná. A pesquisa articulou revisão bibliográfica e pesquisa documental a partir da análise de sete processos judiciais acompanhados pelo Serviço Social da Vara da Infância e Juventude no período de agosto de 2023 a agosto de 2024. A análise evidenciou a convergência entre raça/cor, classe social, gênero e uso abusivo de substâncias psicoativas no perfil das mulheres destituídas. A destituição do poder familiar incide de forma seletiva sobre mulheres negras e pobres, revelando a atuação de um Estado penal, inscrito no neoliberalismo punitivo, ancorado no racismo estrutural e no patriarcado, ao deslocar a ausência de políticas públicas de cuidado para a responsabilização moral das mulheres.
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