Revisitando Duhem: quasares, cosmologia e a relação tripartite entre teorias e experimentos
DOI :
https://doi.org/10.47456/Cad.Astro.v7n1.49709Mots-clés :
Duhem, cosmologia, quasares, teoriasRésumé
O presente ensaio destaca a figura do grande físico e filósofo da ciência Pierre Duhem, cujas contribuições anteciparam em mais de 50 anos alguns elementos das epistemologias de Popper, Kuhn e Lakatos. Duhem defendeu que o progresso na ciência não é adequadamente descrito como um simples confronto entre teoria e experimentos, mas em uma relação tripartite envolvendo a comparação entre teorias distintas e experimentos, atuando majoritariamente como instância de comparação e de escolha. Para ilustrar as teses de Duhem trazemos o exemplo das primeiras detecções de quasares e como essas detecções contribuíram decisivamente no, até então acalorado, debate cosmológico entre a teoria do Big Bang e a teoria do Estado Estacionário. A dinâmica por trás da variação na quantidade de quasares pelo Universo ao longo do tempo nos revelou que o mesmo é um sistema físico em constante mutação, característica dentre as mais belas previstas pela teoria do Big Bang e sem explicação no interior do modelo do estado Estacionário.
Références
[1] J. R. N. Chiappin e C. Leister, Duhem como precursor de Popper, Kuhn e Lakatos sobre a metodologia da escolha racional de teorias: da dualidade à trialidade metodológica, Veritas: Revista de Filosofia da PUCRS 60(2), 45 (2015).
[2] K. Popper, Textos Escolhidos. (Contraponto, 2010).
[3] T. S. Kuhn, O Caminho desde a Estrutura (Editora da UNESP, 2006).
[4] I. Lakatos e A. Musgrave, A crítica e o desenvolvimento do conhecimento, Cultrix: EDUSP (1979).
[5] P. Duhem, Les Théories de la Chaleur-II. Les créateurs de la Thermodynamique, Revue des Deux Mondes 380–415 (1895).
[6] D. Rodrigues, Uma reconstrução racional da cosmologia científica, Dissertação de Mestrado, Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas – Universidade de São Paulo (2023).
[7] J. M. Merleau-Ponty e B. Morando, The Rebirth of Cosmology (Editora Knopf, 1976).
[8] A. Koyré, As etapas da cosmologia científica (Estudos de história do pensamento científico, 1991).
[9] H. Kragh, Cosmology and Controversy: The Historical Development of Two Theories of the Universe (Princeton: Princeton University Press, 1996).
[10] A. K. T. Assis e M. C. D. Neves, History of the 2.7 K Temperature Prior to Penzias and Wilson, Apeiron 2(3) (1995). Disponível em https: //cosmology.info/apeiron/pdf/v02no3/v02n3ass.pdf, acesso em mar. 2026.
[11] S. Brush, How Cosmology Became a Science, Scientific American. 267(2), 62 (1992).
[12] P. Duhem, A teoria física: seu objeto e sua estrutura (EdUERJ, 2014).
[13] C. G. Hempel, Philosophy of natural science (Englewood Cliffs: Prentice-Hall, 1966).
[14] T. S. Kuhn, A estrutura das revoluções científicas (Editora Perspectiva, 1997).
[15] J. Rodrigues, Danilo e Chiappin, As Origens Da Cosmologia Científica: Uma Reconstrução Racional Lakatosiana, Revista Brasileira de História da Ciência 17(1) (2024).
[16] B. W. Carroll e D. A. Ostlie, An Introduction to Modern Astrophysics (Cambridge University Press, Cambridge, 2017), 2 ed.
[17] H. Arp, O universo vermelho (Editora Perspectiva, 2001).
[18] V. Slipher, Nebulae, NASA Astrophysics Data System (1917). Disponível em https://www.roe.ac.uk/~jap/slipher/slipher_1917.pdf, acesso em mar. 2026.
[19] E. Hubble e M. L. Humason, The Velocity-Distance Relation among Extra-Galactic Nebulae, Astrophysical Journal (1931).
[20] M. Ryle, The spatial distribution of radio stars, International Astronomical Union 221–244 (1955).
[21] H. Bondi e T. Gold, The steady-state theory of the expanding universe, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 108(3), 252 (1948).
[22] W. Baade e R. Minkowski, Identification of the Radio Sources in Cassiopeia, Cygnus A, and Puppis A., Classics in Radio Astronomy 251–272 (1954).
[23] M. Ryle e R. W. C. Clark, An examination of the steady-state model in the light of some recent observations of radio sources, Monthly Notices of the Royal Astronomical Society 122(3), 335 (1961).
[24] K. Kellermann, The Discovery of Quasars and Its Aftermath, Journal of Astronomical History and Heritage 17(3), 267 (2014). ArXiv:1304.3627.
[25] E. Friaça, A.; Dal Pino, L. Sodré Jr. e V. Jatenco-Pereira, Astronomia: uma visão geral do universo. (EDUSP, 2000).
[26] D. Sciama e M. Rees, Cosmological Significance of the Relation between Red-shift and Flux Density for Quasars, Nature (1966).
[27] R. Teixeira, Missão Espacial Gaia, Cadernos de Astronomia 3(2), 101 (2022).
Téléchargements
Publiée
Numéro
Rubrique
Licence
Merci de créditer les auteurs lors de toute citation : Danilo Rodrigues, Jose Raymundo Novaes Chiappin, Ramachrisna Teixeira, Jojomar Lucena da Silva (2026)

Ce travail est disponible sous la licence Creative Commons Attribution 4.0 International .



