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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município
de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A
CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo
da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
Recebido em:
Aprovado em:
Disponibilizado em:
Palavras-chave:
Análise de viabilidade,
construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis,
civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram
que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo
da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas
no que tange ao acúmulo
de resíduos sólidos - provocando a degradação
do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou
avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA.
Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como
levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas.
O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com
a capacidade de 25 toneladas por hora
com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de
agregados reciclados. De certo,
para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado
o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL)
para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados
mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um
VPL de R$ 7.041.682,10 positivo,
TIR igual a 37,4949% e
o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca
a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate
the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were
carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the
information it was possible to estimate the daily generation of CCR
in the municipality around 200 tons.
The economic feasibility study
was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly,
in order to obtain
the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised
and from the net values ??calculated,
the Cash Flow of
the Recycling Plant was estimated nd
the investment analysis was calculated using the Net Present (
NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL)
for the 15-year time horizon.
The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the
feasibility of implementing the project of
waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é
altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os
critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e
Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010).
Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à
preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é
viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite
que o resíduo gerado possa ser inserido
no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente.
A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo
tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (
BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já
o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das
obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são:
perda por superprodução;
perda por manutenção de estoques;
perda durante o transporte;
perda pela fabricação de produtos defeituosos; e
perda no processamento.
Conforme Sobral (2012),
a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é
alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do
beneficiamento destes resíduos por
usinas de reciclagem. As
usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição,
que é responsável pelo cumprimento
das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do
tipo de usina a ser implantada será
definida de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo
a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados
diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação.
Os indicadores financeiros servem para indicar
a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014)
resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é
utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE =
Representa a entrada de caixa;
QUOTE =
Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015).
A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE =
Representa a entrada de caixa;
QUOTE =
Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para
a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar o investimento inicial, porém não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE =
Representa a entrada de caixa;
QUOTE =
Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008),
o Índice de Lucratividade Liquido - ILL -
é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido
e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-
se que o VPL
não pode ser negativo,
conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser
maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL =
Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar
uma análise de uma
viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da
situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização
e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz.
Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1
Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local.
Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2
Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3
Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para
avaliação do projeto:
Método Valor Presente Líquido: Através do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida:
Para a obtenção do ILL,
foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3
ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento
da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz,
a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos.
Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares
e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas
vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz
não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal.
Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2
Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA
foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex
responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz,
tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado
no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme
o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1
Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas
as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina,
conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1.
Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no
valor de R$ 800.000,00, sendo eles,
alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias.
Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal.
As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias
para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim
o local da instalação tem que
apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão.
As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente.
As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova
e da marca Caterpillar ano 2008.
Para área administrativa,
foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara,
roupas e coletes.
3.2.2
Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2.
Principais custos de operação mensal e anual
da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos
com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em
média de R$ 3.000,00
totalizando a partir do primeiro ano o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio
de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR
de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta).
Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3
Receita bruta anual
Segundo a
Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA,
a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia
de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando
um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE
Os preços de venda dos agregados naturais no município estão
chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio
do agregado natural em Imperatriz/MA
no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão
e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes
de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP.
Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média)
a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado.
O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos
período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para
retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante
o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-
R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento
da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%
TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10
VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga
em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim
sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR,
foram utilizados os valores do Fluxo de Caixa descontado (VPL),
o horizonte de tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta
proposta de implantação da usina de RCC , torna-
se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (fluxo de caixa), isso ocorre pois o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido,
foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL
deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34.
Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL
apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL
é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for o valor do ILL,
mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA,
foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos
de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.a
VPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais.
Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou
carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui
que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável
para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto
índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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SOARES, M. C; MALLMANN, L. RETZKE, D. Logística reversa aplicada à construção civil: análise dos processos de descarte em uma construtora no município de capão da canoa/rs. Seminário de Iniciação Científica-Inovação na aprendizagem. Universidade de Santa Cruz do Sul. 2017. ISSN
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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado
o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando
o Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação
do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil
é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse
ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305,
de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso
por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance
do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem
que o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos do
fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular
o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a
saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa
i =
Taxa de juros a ser utilizada para descontar
o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é
a taxa de desconto (i)
que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa
ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de
que o valor é calculado, exclusivamente, em função
dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a
saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa
i =
Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo
de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar
o investimento inicial, porém não considera
o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a
saídas de caixa;
i =
Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido e
o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-se que o VPL não pode ser negativo, conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise
do investimento inicial
Então, para estimar
o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como
Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se
o investimento inicial, as
entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método
Valor Presente Líquido: Através do
fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL
para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A
Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto
é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros.
A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno:
Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e
os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com
o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital:
Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim
para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados
no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril.
Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando a partir do primeiro ano
o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP.
Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual
e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou
os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante
o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIR
Taxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10
VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem
que o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos do
fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável.
Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do
Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de tempo, e
o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar
uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior
que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado
é maior que o PayBack simples (
fluxo de caixa), isso ocorre
pois o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para
o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento.
O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios
para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo
quanto maior for o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em
fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração de
todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo
uma TMA de 12% ao ano, calculou-
se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo
de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno
do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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de 2 de Agosto de 2010. Disponível em: < HYPERLINK "http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm" http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 30 Mar. 2017.
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Arquivo de entrada:
Manuscrito.doc (4334 termos)
Arquivo encontrado:
https://pt.wikipedia.org/wiki/Produto_interno_bruto (2591 termos)
Termos comuns: 39
Similaridade: 0,56%
O texto abaixo é o conteúdo do documento
"Manuscrito.doc".
Os termos em vermelho foram encontrados no documento
"https://pt.wikipedia.org/wiki/Produto_interno_bruto".
Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no
Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e
a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil
é um dos setores mais importantes
para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com
o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com
o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para
o desenvolvimento econômico e social, mas
por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil
no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão
ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para
o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo
de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado
ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função
dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar o investimento inicial, porém
não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL -
é uma medida relativa,
que mede a relação
entre o valor recebido e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-se que o VPL não pode ser negativo, conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar
a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para
a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se o investimento inicial, as
entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método Valor Presente Líquido: Através do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa
a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno:
Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores
dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital:
Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz,
tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando
a partir do primeiro ano o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP.
Para o cálculo, foi estipulado
o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto
a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa. O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável.
Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-
se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado é
maior que o PayBack simples (fluxo de caixa), isso ocorre pois o valor presente
dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento.
O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL
é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for
o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração
de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários
como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
REFERÊNCIAS
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CBIC – Câmara Brasileira da Indústria da Construção. Banco de dados. Disponível em: < HYPERLINK "http://www.cbicdados.com.br/menu/estudos-especificos-da-construcao-civil/" http://www.cbicdados.com.br/menu/estudos-especificos-da-construcao-civil/>. Acesso em: 26 Jun. 2017.
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Arquivo de entrada:
Manuscrito.doc (4334 termos)
Arquivo encontrado:
https://hcinvestimentos.com/2017/01/17/valor-presente-liquido/ (1703 termos)
Termos comuns: 62
Similaridade: 1,03%
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"Manuscrito.doc".
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"https://hcinvestimentos.com/2017/01/17/valor-presente-liquido/".
Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O
estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado
o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando
o Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil
é um dos setores
mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012).
Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante
até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado
ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida de acordo com estudos
de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica
de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que
o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos do
fluxo de caixa para somá-los ao
investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1)
é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar
o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
A
Taxa Interna de Retorno (TIR) é
a taxa de desconto (i) que iguala
o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos
fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar
o investimento inicial, porém não considera
o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido
e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-se
que o VPL não pode ser negativo, conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para
que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se
a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise
do investimento inicial
Então, para estimar
o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como
Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-
se o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método
Valor Presente Líquido: Através do
fluxo de caixa foi-se possível
calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente.
A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros.
A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos
fluxos de caixa no período considerado juntamente com
o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se
o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo
de Retorno de Capital: Para
o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise
de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente
o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram
o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando a partir do primeiro ano
o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado
de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com
o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual,
que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual
e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou
os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices
de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%
TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10
VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que
o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos do
fluxo de caixa para somá-los ao
investimento inicial de cada alternativa.
O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do
Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de
tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior
que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (
fluxo de caixa), isso ocorre pois
o valor presente dos
fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento.
O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios
para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo
quanto maior for o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em
fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração
de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda
a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma
TMA de 12% ao ano, calculou-
se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno
do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários
como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The
results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar o investimento inicial, porém não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-se que o VPL não pode ser negativo, conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método Valor Presente Líquido: Através do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando a partir do primeiro ano o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa. O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (fluxo de caixa), isso ocorre pois o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian
Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate
the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly,
in order to obtain the annual gross revenue,
the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using
the Net Present (NPV),
Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show
that there is economic and financial feasibility in
the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years
as well as the ILL in 5.34.
Therefore, it is unequivocally demonstrated
the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar o investimento inicial, porém não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-se que o VPL não pode ser negativo, conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método Valor Presente Líquido: Através do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando a partir do primeiro ano o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa. O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (fluxo de caixa), isso ocorre pois o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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SOARES, M. C; MALLMANN, L. RETZKE, D. Logística reversa aplicada à construção civil: análise dos processos de descarte em uma construtora no município de capão da canoa/rs. Seminário de Iniciação Científica-Inovação na aprendizagem. Universidade de Santa Cruz do Sul. 2017. ISSN
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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Aprovado em:
Disponibilizado em:
Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
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a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O
estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado o
fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-
se a análise de investimento utilizando
o Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos.
Os resultados alcançados mostram que há
viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as
a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV),
Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor
da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira
da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a
indústria da construção civil é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor
da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a
Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas
por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos
da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos
da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos
da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos
da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto,
na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se
da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada
no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a
indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo
grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação
por meio de sobras de materiais ou danificado
ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa
na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos
da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos
da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014).
A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida
de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica
de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos
custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem
a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como
à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento,
como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou
financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que
o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos
do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a
saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o
fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR)
é a taxa de desconto (i) que iguala
o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos
fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a
saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa
o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar
o investimento inicial, porém
não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado
de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a
saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL -
é uma medida relativa, que mede a relação
entre o valor recebido e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-
se que o VPL não pode ser negativo, conclui-
se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos
da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos
da construção civil; Identificar quantitativamente
a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho
da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com
o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores
de engenharia econômica, como
Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-
se o investimento inicial, as
entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método
Valor Presente Líquido: Através
do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA
é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros.
A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos
fluxos de caixa no período considerado juntamente com
o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar
o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas
da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade.
De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos
da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado
com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município.
Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com
o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores
das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo
do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos
da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos,
de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando a partir do primeiro ano o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta).
Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35%
em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto
a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou
os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para
retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC
durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%
TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10
VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que
o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos
do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores
do Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar
uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior
que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia,
percebe-se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (
fluxo de caixa), isso ocorre pois
o valor presente dos
fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para
o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL
é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for
o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão,
o critério de rentabilidade foi baseado
em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração
de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio
dos indicadores financeiros, portanto, tem-se
de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido
retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
REFERÊNCIAS
ABREU FILHO, Jose Carlos Franco de. Finanças Corporativas. 10ª edição ver. –
Rio de Janeiro: Editora FGV,2008.
ABRECON - Associação Brasileira de Reciclagem de Resíduos
Da Construção Civil e Demolição. (s.d.). ABRECON. Disponível em:< http://www.abrecon.com.br>. Acesso em 10 Jan. 2017.
BRASIL, Lei Nº 12.305. Política Nacional de Resíduos Sólidos, de 2 de Agosto de 2010. Disponível em: < HYPERLINK "http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm" http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2010/lei/l12305.htm>. Acesso em: 30 Mar. 2017.
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da construção civil. Diário Oficial da União, Brasília/DF, 17 jul. de 2002. Disponível em:< http://www.mma.gov.br/port/conama/legiabre.cfm?codlegi=307>. Acesso em: 03 Abr. 2017.
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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context,
this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible
to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly,
in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years
as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação por meio de sobras de materiais ou danificado ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014). A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar o investimento inicial, porém não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008), o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-se que o VPL não pode ser negativo, conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método Valor Presente Líquido: Através do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano, no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade. De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos, de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando a partir do primeiro ano o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC. Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre a receita líquida e os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIRTaxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa. O Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (fluxo de caixa), isso ocorre pois o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR); O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município
de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
Copyright © 2018, Nome do Autor Completo et al. Este é um artigo open access distribuído sob a Creative Commons Attribution License, que permite uso irrestrito, distribuição e reprodução, sempre quando providenciado a devida citação do original. Os autores declaram que o mesmo não infringe qualquer direito autoral ou outro direito de propriedade de terceiros.
*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação
do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar
a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município
em torno de 200 toneladas.
O estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina
com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados
os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado
o fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se
a análise de investimento utilizando o Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para
o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há
viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca a viabilidade
da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (
NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is
economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma, o desenvolvimento
e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014)
nos últimos 10 anos o segmento passou por
um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida
como uma das mais importantes atividades para o
desenvolvimento econômico e social, mas
por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional
do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério
do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação
do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse
ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil é uma das atividades que mais contribui para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais - devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação
por meio de sobras de materiais ou danificado
ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto
que o processo reverso
por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014).
A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida
de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica
de um projeto na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance
do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação
e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à
implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem
a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar
a viabilidade econômica de investimento em um
horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento,
como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010) afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla da situação econômica ou financeira do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem
que o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos
do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular
o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa
i =
Taxa de juros a ser utilizada para descontar
o fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala
o valor presente das entradas líquidas de caixa ao
valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato
de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos fluxos
de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral
a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa
i =
Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o tempo
de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar
o investimento inicial, porém não considera
o custo de capital investido.
O PayBack é calculado
de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i =
Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo
do fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008),
o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido
e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-
se que o VPL não pode ser negativo, conclui-
se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1
para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL =
Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido,
o presente trabalho irá realizar uma análise de uma
viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se
a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs de um local específico para a sua disposição. Os locais utilizados
ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar
o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com
o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos
os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos
custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para
analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como
Valor Presente Líquido (VPL), Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e
Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se
o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para
avaliação do projeto:
Método
Valor Presente Líquido: Através
do fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano,
no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente.
A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é
de 12% ao ano. A TMA
é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com
o investimento inicial. Assim
a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para
a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3
ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade.
De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim, a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2
Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado com base na alimentação de
entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra,
meio ambiente e saneamento do presente no município.
Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como, o espaço físico, a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério
do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com
o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária
do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de
R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2
Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução
do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para
o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil
de médio porte estimou-se os seguintes custos,
de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando
a partir do primeiro ano
o custo de mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal
de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC.
Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA
no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que
é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo da
receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre
a receita líquida e
os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram
os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC
durante o período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-
R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIR
Taxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10
VPLValor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem
que o Valor Presente Líquido é o método que calcula
o valor presente dos termos
do fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
O Valor Presente Líquido,
no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados
os valores do Fluxo de Caixa descontado (VPL),
o horizonte de tempo,
e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor
para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar
uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem
maior que a Taxa Mínima de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-
se que o PB descontado
é maior que o PayBack simples (
fluxo de caixa), isso ocorre pois
o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para
o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34.
Segundo os critérios para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for
o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração
de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a
sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se
de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA
de 12% ao ano, calculou-se o
VPL, TIR, PB e o IL, prontamente, a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois a entrada de dinheiro excederá a saída de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo
de 12% ao ano (TIR);
O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais. Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui
que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para
o horizonte de planejamento de 15 anos com rápido retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto
índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
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SOARES, M. C; MALLMANN, L. RETZKE, D. Logística reversa aplicada à construção civil: análise dos processos de descarte em uma construtora no município de capão da canoa/rs. Seminário de Iniciação Científica-Inovação na aprendizagem. Universidade de Santa Cruz do Sul. 2017. ISSN
Arquivo de entrada:
Manuscrito.doc (4334 termos)
Arquivo encontrado:
https://pt.slideshare.net/geovanesilva/plano-de-negcio-cafeteria (10670 termos)
Termos comuns: 93
Similaridade: 0,62%
O texto abaixo é o conteúdo do documento
"Manuscrito.doc".
Os termos em vermelho foram encontrados no documento
"https://pt.slideshare.net/geovanesilva/plano-de-negcio-cafeteria".
Análise de viabilidade da implantação de uma usina de reciclagem de resíduos de construção civil (RCC) em um município de médio porte
FEASIBILITY ANALYSIS OF THE IMPLANTATION OF A CIVIL CONSTRUCTION WASTE RECYCLING PLANT IN A MEDIUM SIZE
Autor11; Autor22; Autor33
1 2 3Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade
Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus. revistabjpe@gmail.com
ARTIGO INFO.
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Disponibilizado em:
Palavras-chave:
Análise de viabilidade, construção civil, resíduos Keywords:
Feasibility analysis, civil construction, waste
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*Autor Correspondente: Revista BJPE,
Departamento de Engenharias e Tecnologia do Centro Universitário Norte do Espírito Santo da Universidade Federal do Espírito Santo, Rodovia BR 101 Norte, Km. 60, Bairro Litorâneo, CEP 29932-540, São Mateus, Espírito Santo, Brasil.
RESUMO
O setor da construção tem uma participação significativa no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro. Contudo, é preciso considerar as consequências negativas no que tange ao acúmulo de resíduos sólidos - provocando a degradação do meio ambiente. Diante deste contexto, esta pesquisa objetivou avaliar a viabilidade econômica da implantação de uma Usina de Reciclagem de Resíduo de Construção Civil no município de Imperatriz-MA. Foram realizadas pesquisas para diagnosticar
a forma de gerenciamento dos RCC pelo poder público da cidade. Deste modo, como levantamento das informações foi possível estimar a geração diária de RCC no município em torno de 200 toneladas. O
estudo de viabilidade econômica foi realizado para uma usina
com a capacidade de 25 toneladas por hora com a produção de 8 horas, totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. De certo, para a obtenção da receita bruta anual foram levantados os custos de implantação do projeto e de operação e a partir dos valores líquidos calculados, foi estimado o
fluxo de caixa da Usina de Reciclagem e calculou-se a análise de investimento utilizando o
Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR) Payback (PB) e
o Índice de Lucratividade Liquida (ILL) para o horizonte de tempo de 15 anos. Os resultados alcançados mostram que há
viabilidade econômico-financeira na implantação da usina, com um VPL de R$ 7.041.682,10 positivo, TIR igual a 37,4949% e o PB se concretizando em 1,4 anos bem como o ILL em 5,34. Portanto, fica demonstrada de forma inequívoca
a viabilidade da implantação do projeto de Usina de reciclagem de resíduos no município de Imperatriz-MA.
ABSTRACT
The construction sector has a significant share in the Brazilian Gross Domestic Product (GDP). However, the negative consequences regarding the accumulation of solid waste - causing environmental degradation - must be considered. Given this context, this research aimed to evaluate the economic viability of the implementation of a Construction Waste Recycling Plant in the municipality of Imperatriz-MA. Surveys were carried out to diagnose the way the CCR was managed by the city government. Thus, as a survey of the information it was possible to estimate the daily generation of CCR in the municipality around 200 tons. The economic feasibility study was carried out for a plant with a capacity of 25 tons per hour with 8 hours production, totaling 200 tons of recycled aggregates. Certainly, in order to obtain the annual gross revenue, the project implementation and operating costs were raised and from the net values ??calculated, the Cash Flow of the Recycling Plant was estimated nd the investment analysis was calculated using the Net Present (NPV), Internal Rate of Return (IRR) Payback (PB) and the Net Profitability Index (ILL) for the 15-year time horizon. The results show that there is economic and financial feasibility in the implementation of the plant, with a positive NPV of R $ 7,041,682.10, IRR equal to 37.4949% and the BP achieved in 1.4 years as well as the ILL in 5.34. Therefore, it is unequivocally demonstrated the feasibility of implementing the project of waste recycling plant in the municipality of Imperatriz-MA.
SHAPE \* MERGEFORMAT
Introdução
Em um cenário onde a economia é altamente competitiva e globalizada, tem se observado um aumento populacional e a expansão das cidades refletindo no desenvolvimento do setor da construção civil. Neste contexto, a Câmara
Brasileira da Indústria da Construção Civil – CBIC (2015), realça que a indústria da construção civil
é um dos setores mais importantes para a economia do Brasil. Dessa forma,
o desenvolvimento e a capacidade de produção do país estão relacionados diretamente com o crescimento do setor da construção civil, segundo Sistema Firjan (2014) nos últimos 10 anos o segmento passou por um período de expansão no Brasil, com o crescimento do Produto Interno Bruto – PIB do setor ultrapassando o do país.
Hoje, a Indústria da Construção Civil é reconhecida como uma das mais importantes atividades
para o desenvolvimento econômico e social, mas por outro lado, comporta-se ainda como grande geradora de impactos ambientais (SANTOS et al., 2012). Neste sentido, o Conselho Nacional do Meio Ambiente – CONAMA criou a Resolução n°307, publicada em 2002, que estabelece as diretrizes, os critérios e procedimentos para a gestão dos resíduos da construção civil no Brasil. O CONAMA, do Ministério do Meio Ambiente, é o órgão que regulamenta toda a gestão de resíduos no Brasil em parcerias com órgãos estaduais e municipais.
O CONAMA 307/2002 também estipula que os municípios, para que ocorra a gestão de resíduos da construção civil, elaborem o Programa Municipal de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil (RCC) e Projetos de Gerenciamento de Resíduos da Construção Civil. A legislação em vigor determina a responsabilidade do gerador pelo gerenciamento desses resíduos. Ao poder público municipal, cabe disciplinar a gestão dos RCC através de instrumentos específicos, tanto para os pequenos quanto para os grandes geradores (BRASIL, 2010). Portanto, na construção civil a logística reversa vem atender
a necessidade do equilíbrio da eficiência operacional e à preservação do meio ambiente.
Em 2010 foi sancionada no Brasil a Lei no 12.305, regulamentada pelo decreto 7.404/10, que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos – PNRS, a qual estabelece normas para a gestão de resíduos sólidos, incluindo as disposições gerais, instrumentos e formas de implantação da logística reversa nas empresas (BRASIL, 2010). Sobre esse ponto de vista, no Brasil a logística reversa é considerada o eixo central da PNRS, Guarnieri (2011) realça que a principal finalidade é viabilizar a coleta e a devolução dos resíduos aos seus geradores, para que sejam reaproveitados em novos produtos - deste modo, se permite que o resíduo gerado possa ser inserido no ciclo produtivo.
O impacto ambiental pode ser definido como sendo qualquer alteração no meio ambiente ou em qualquer dos componentes, causadas por uma atividade ou ação, normalmente produzida pelo homem (SOBRAL, 2012). Essas alterações podem apresentar diferentes aspectos, positivas ou negativas, grandes ou pequenas. E tratando-se da indústria da construção civil, a mesma contribui para uma parcela elevada no processo de agressão ao meio ambiente. A Lei nº 12.305, de 2 de agosto de 2010, que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), em seu art. 30, XVI, define resíduos sólidos como todo material, substância, objeto ou bem descartado resultante de atividades humanas em sociedade (FILHO et al., 2016). Desta forma, o produto produzindo tem um vínculo com o fabricante até o final da cadeia produtiva, com tudo, todos os integrantes da cadeia deste produto tem uma parcela de participação para a destinação final. (BRASILEIRO E MATOS, 2015),
Soares, Mallman e Retzke (2017) destacam que a indústria da construção civil
é uma das atividades que mais contribui
para o desenvolvimento econômico do país, contudo, é também considerada uma das principais fontes geradora de danos ambientais -
devido ao seu alto consumo de recursos naturais e pelo grande volume de resíduos sólidos produzidos e descartados no meio ambiente de maneira imprópria. Já o RCC na fase de construção é gerado numa edificação
por meio de sobras de materiais ou danificado ao longo do processo produtivo e essas perdas podem ocorrer em diferentes fases das obras. Cabral e Moreira (2011) ressaltam que
as principais causas dessas perdas são: perda por superprodução; perda por manutenção de estoques; perda durante o transporte; perda pela fabricação de produtos defeituosos; e perda no processamento.
Conforme Sobral (2012), a logística reversa na construção civil possibilita que as obras causem menos impacto ambiental, visto que o processo reverso por meio da reciclagem é alternativa pra amenizar
a quantidade de resíduos descartados nos aterros, através do beneficiamento destes resíduos por usinas de reciclagem. As usina de reciclagem de resíduos da construção civil são normatizada pela ABNT – Associação Brasileira de normas técnicas, juntamente com a ABRECON - Associação Brasileira para a Reciclagem de Resíduos da Construção Civil e Demolição, que é responsável pelo cumprimento das normas técnicas. As usinas se caracterizam em móvel, semi-movel e fixa (SILVA, 2014).
A escolha do tipo de usina a ser implantada será definida
de acordo com estudos de viabilidade econômica (SOBRAL, 2012).
A análise econômica de um projeto
na área de engenharia passa necessariamente pela identificação dos custos e benefícios, definindo a vida útil e o alcance do projeto. O alcance corresponde ao período de utilização de toda a estrutura física, considerando a vida útil
dos equipamentos e das instalações físicas (GOMES, 2005). Os custos envolvidos nos projetos de engenharia podem ser classificados em duas categorias distintas: custos de investimento e implantação e custos de operacionalização.
Estes custos iniciais estão relacionados com os gastos necessários à implantação do projeto, compreendendo, entre outras despesas, a aquisição
dos equipamentos e da própria área física para instalação, além de despesas adicionais (SOBRAL, 2012). Os custos iniciais podem ser classificados em custos diretos e custos indiretos. Os custos diretos para Cruz (2012) são aquele que são mensurados diretamente no bem ou serviço produzido sem
a necessidade de rateio. Já Martins (2010) enfatiza que os custos indiretos correspondem ao custo histórico dos insumos utilizados na produção, devem ser apropriados aos produtos seguindo critério de rateio mais adequado à situação. Os indicadores financeiros servem para indicar a viabilidade econômica de investimento em um horizonte de tempo. Silva (2014) resume os indicadores financeiros como à análise das demonstrações contábeis que permitem avaliar
a capacidade da situação financeira e o potencial do empreendimento, como forma de analisar o desempenho financeiro. Matarazzo (2010)
afirma que a característica fundamental dos índices é fornecer uma visão ampla
da situação econômica ou financeira
do empreendimento.
O Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o
Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do
fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa.
A equação (1) é utilizada para calcular o VPL é a seguinte, adaptado de Gitman (2010)
QUOTE (1)
Sendo que:
QUOTE = Representa
a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa
i = Taxa de juros a ser utilizada para descontar o
fluxo de caixa; TMA
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
A Taxa Interna de Retorno (TIR) é a taxa de desconto (i) que iguala o valor presente das entradas líquidas de caixa ao valor presente dos desembolsos relativos ao investimento. A denominação de taxa interna é oriunda do fato de que o valor é calculado, exclusivamente, em função dos fluxos de caixa do projeto e independe dos juros de mercado (ABENSUR, 2015). A expressão geral a TIR é apresentada a seguir, adaptado de Gitman (2010), na equação 2.
QUOTE (2)
Sendo que:
QUOTE = Representa
a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
n= quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
O Payback (PB) significa o
tempo de retorno do capital, logo quanto mais o valor se aproximar de 0 melhor será o valor obtido para a recuperação total do valor investido inicialmente. Marshall Junior et al. (2014) cita que o Payback indica o tempo que é preciso para recuperar
o investimento inicial, porém não considera o custo de capital investido.
O PayBack é calculado
de acordo com a equação 3, adaptado de Gitman (2010).
QUOTE (3)
Sendo que:
PB= Payback
QUOTE = Representa
a entrada de caixa;
QUOTE = Representa a saídas de caixa;
i = Taxa de juros
t = Quantidade total de períodos na linha de tempo do
fluxo de caixa.
Segundo Abreu Filho, (2008),
o Índice de Lucratividade Liquido - ILL - é uma medida relativa, que mede a relação entre o valor recebido e o custo do investimento. ILL é medida relativa de benefício/custo. Pela definição de índice de rentabilidade, e sabendo-
se que o VPL não pode ser negativo,
conclui-se que o índice de rentabilidade terá sempre de ser maior ou igual a 1 para que o VPL não seja negativo.
Deve-se ter em mente que o ILL é um critério que mede o retorno relativo, e não o absoluto.
Sendo que:
ILL = Índice de Lucratividade Liquido;
VPL= Valor Presente liquido
Io= Investimento Inicial
Neste sentido, o presente trabalho irá
realizar uma análise de uma viabilidade econômica de implantação de uma usina de reciclagem dos Resíduos da Construção Civil no Município de Imperatriz MA. O trabalho irá apresentar um panorama da situação do Município quanto ao gerenciamento dos resíduos da construção civil; Identificar quantitativamente a geração de resíduos de construção civil no Município analisado; Demostrar
a importância da reutilização e da reciclagem de resíduos gerados.
2 METODOLOGIA
Para a análise econômica do projeto, é necessário
o conhecimento do volume estimado da geração do município, para posteriormente verificar-se
a viabilidade de implantação e o dimensionamento dos recursos a serem investido na aquisição da Usina de Reciclagem de Entulho da construção civil. O contato com os representantes da secretária proporcionou o aprofundamento da real situação
da cidade de Imperatriz. Umas das informações obtidas que em relação a todos os resíduos urbanos coletados, o município nunca dispôs
de um local específico
para a sua disposição. Os locais utilizados ao longo dos anos são denominados como “Lixões Itinerantes”.
Figura 1. Fluxograma da metodologia utilizada na pesquisa.
Fonte: OS AUTORES, 2019.
2.1 Análise do investimento inicial
Então, para estimar o custo de implantação, foram levantadas as despesas relacionadas diretamente com
o processo de instalação da usina, estes custos estão relacionados às obras civis: guarita, escritórios, administração, área para triagem, transbordo, refeitório e banheiros que foram orçados em uma construtora local. Também estão incluso todos os equipamentos necessários para a instalação de uma planta fixa que foram orçados em duas empresas revendedoras situadas em Florianópolis e São Paulo. Os orçamentos foram realizados por meio do site disponível das empresas.
2.2 Custo operacional
Os custos operacionais estão relacionados com as despesas de operação da usina de reciclagem. Foram englobados nos custo de operação: energia elétrica, telefone, combustível, funcionários, equipamento de proteção individual, ferramentas, contabilidade e marketing. A determinação dos valores foi próxima da realidade considerando os itens mais significativos
das despesas fixas e variáveis.
2.3 Análise econômica
Para
analisar a viabilidade econômica da Usina de Reciclagem de RCC utilizou-se dos indicadores de engenharia econômica, como
Valor Presente Líquido (VPL),
Taxa Interna de Retorno (TIR), Payback e Índice de Lucratividade (IL). Para apurar tais índices, determinou-se
o investimento inicial, as entradas e saídas de caixa para posteriormente diagnosticar
a viabilidade da proposta de instalação da usina. Indicadores utilizados para avaliação do projeto:
Método
Valor Presente Líquido: Através do
fluxo de caixa foi-se possível calcular o VPL para cada ano,
no período de 15 anos, através do uso da Equação 1, definida anteriormente. A Taxa Mínima de Atratividade utilizada no projeto é de 12% ao ano. A TMA é a taxa a partir da qual o investidor considera ideal para obter ganhos financeiros. A taxa de 12% foi adotada por estar próxima da taxa básica da economia brasileira SELIC de 12,25% para o ano 2017;
Taxa Interna de Retorno: Para o cálculo da TIR foi utilizado a Equação 2 e os valores dos fluxos de caixa no período considerado juntamente com
o investimento inicial. Assim a TIR foi comparada com a TMA de 12% que analisou-se o retorno mínimo esperado no empreendimento;
Tempo de Retorno de Capital: Para o cálculo do Payback foi utilizado a Equação 3, anteriormente exemplificada, permitindo, dessa forma encontrar o prazo de recuperação do investimento;
Índice de Lucratividade Liquida: Para a obtenção do ILL, foi calculado conforme a Equação 4, deste modo, o indicador apresentou em forma percentual a eficiência operacional do empreendimento.
3 ESTUDO DE CASO
3.1 Levantamento da gestão dos RCC em Imperatriz/MA
De acordo com os órgãos responsáveis do município de Imperatriz, a cidade não possui um destino correto aos resíduos gerados pelas práticas da construção civil, trazendo assim transtornos ambientais, sociais e econômicos. Atualmente, no que tange a gestão dos RCC no município ocorre da seguinte maneira: pequenos geradores de RCC costumam acondicionar estes materiais em frente de suas residências no chão; médios geradores em algumas vezes também optam em deixar na frente do local da obra sem nenhuma restrição ou às vezes solicitam caçambas particulares e; grandes geradores descartam seus resíduos em terrenos que são utilizados pela prefeitura.
A limpeza é realizada pelo departamento de limpeza pública, da Secretária Municipal de Obras, com a frequência apenas de duas vez por mês nos bairros que são regularizados no município. Assim sendo, a disposição final dos RCC ocorre de maneira irregular, tanto pelo poder público como pela sociedade.
De acordo com a prefeitura de Imperatriz não existem usinas de triagem, reutilização e reciclagem dos resíduos da construção civil de responsabilidade do setor público no município, porém existe no município uma cooperativa de reciclagem de papel, papelão garrafa pets, vidro e alumínio, que foi implantada pela atual gestão municipal. Então, com as dificuldades apresentada pelo município, tais como, disposição irregular de RCC em área dispersa, inexistência de área de transbordo para grandes geradores, falta de iniciativas de educação ambiental que orientem as formas adequadas de deposição de RCC. Sendo assim,
a proposta da implantação da usina de RCC no município apresentaria uma alternativa de reutilização dos resíduos, amenizando assim a sua geração.
3.2 Análise de viabilidade econômica da usina de reciclagem de RCC
A proposta de uma usina de reciclagem de RCC para a cidade de Imperatriz-MA foi estimado
com base na alimentação de entrevistas com os responsáveis e ex responsáveis das secretárias de obra, meio ambiente e saneamento do presente no município. Os dados obtidos para o devido equacionamento foram adquiridos junto a prefeitura municipal de Imperatriz, tais como,
o espaço físico,
a quantidade de resíduos urbanos gerados e aproximadamente o valor dos resíduos sólidos de construção civil. Portanto, as médias percentuais adotadas nesse estudo para estimar os volumes de RCC Classe A que serão convertidos em produtos, agregados reciclados, sendo assim
para a conversão do volume levantado no município de toneladas em metros cúbicos, considerou-se conforme o Ministério do Meio Ambiente a massa específica de 1,2 t/ QUOTE
3.2.1 Custo de investimento
No investimento inicial foram consideradas todas as despesas relacionadas diretamente com
o processo de instalação da usina, conforme a Tabela 1.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 1. Investimento Inicial para a implantação da usina de reciclagem de resíduos de construção civil
INVESTIMENTOEquipamentosR$ 800.000,00Obras CivisR$ 380.000,00Licença AmbientalR$ 3.500,00Ferramentas ManuaisR$ 2.000,00Pá CarregadeiraR$ 120.000,00InformáticaR$ 4.000,00MobiliárioR$ 5.000,00EPIsR$ 2.000,00TOTALR$ 1.316.500,00Fonte: OS AUTORES, 2019.
Nos custos com a implantação, os equipamentos para a planta fixa da usina foram orçados no valor de R$ 800.000,00, sendo eles, alimentadores, britadores, máquina de impactos, peneiras, lavadores e transportadores de carreias. Outros utensílios não foram levantados os preços, tais como, caminhão e caçamba de entulho, pois já possui como patrimônio da prefeitura municipal. As obras civis, R$ 380.000,00 serão necessárias para estruturar
o espaço físico pertencente à prefeitura municipal, assim o local da instalação tem que apresentar: guarita para segurança, entrada e saída de caminhões caçambas, recepção, escritório, local de armazenagem, triagem, pós-triagem, beneficiamento de materiais, local dos materiais reciclados, banheiros e refeitório.
O licenciamento ambiental foi considerado um valor de R$ 3.500,00, conforme os valores das taxas de Licença Prévia, Licença de Instalação e Licença de Operação ano base 2018 da Secretária do Meio Ambiente e Sustentabilidade do Governo do Estado do Maranhão. As ferramentas manuais e a pá carregadeira tiveram o valor de R$ 2.000,00 e R$ 120.000,00, respectivamente. As ferramentas estão listadas em: martelos, catraca, adaptador, alicate, bico, chaves, carrinho de mão e soquetes. A pá carregadeira seminova e da marca Caterpillar ano 2008. Para área administrativa, foram levantados os preços de dois computadores e uma impressora, com um total de R$ 4.000,00. Já a mobília R$ 5.000,00 de mesas, cadeiras, sofá, e arquivos. E os EPIs R$ 2.000,00 que se estende a capacetes, bota, luva, protetor de ouvido, óculos, mascara, roupas e coletes.
3.2.2 Custo de operação
Os custos de operação englobam os custos necessários à execução do processo produtivo, ou seja, está relacionado com a planta fabril. Para o projeto da usina de reciclagem de resíduos sólidos da construção civil de médio porte estimou-se os seguintes custos,
de acordo com a Tabela 2.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 2. Principais custos de operação mensal e anual da usina de reciclagem de resíduos de construção civil.
CUSTO DE OPERAÇÃOMENSAL (R$)ANUAL (R$)Funcionários36.000,00432.000,00Manutenção3.291,2539.495,00Energia Elétrica8.412,80100.953,60Despesas Administrativas5.000,0060.000,00TOTAL52.704,05632.448,60Fonte: OS AUTORES, 2019.
O custo de operação é composto pelos gastos com insumos, tais
como, quadro de pessoal, manutenção dos equipamentos, energia e despesas administrativa. Para
a proposta da usina serão necessários 12 funcionários que os salários variam em média de R$ 3.000,00 totalizando
a partir do primeiro ano o custo de
mão de obra de R$ 432.000,00
As despesas com a manutenção e desgaste com os equipamentos, foi adotado uma taxa anual de 3% do valor de investimento inicial (MAQBRIT). O gasto com a energia elétrica anual R$ 100.953,60 foi realizada por meio das especificações técnicas dos fabricantes, onde os equipamentos apresentam o consumo médio de 50 kWh sendo adotado um custo conforme as tarifas das Centrais Elétricas do Maranhão – CEMAR de R$ 0,956/kWh (Valor referente a média entre horário ponta, horário intermediário e horário fora ponta). Estima-se que a usina funcionará 8 horas/dia, com 22 dias/mês. E
as despesas administrativas referem-se aos gastos com contabilidade, material para escritório, limpeza, internet, telefone e sistema de vigilância totalizando um valor anual de R$ 60.000,00.
3.2.3 Receita bruta anual
Segundo a Secretária Municipal
de Meio Ambiente de Imperatriz/MA, a cidade produz diariamente cerca de 200 tonelada/dia de RCC.
Para o empreendimento estimou-se uma capacidade de reciclar 25 tonelada/hora, sendo possível gerar em turno de 8 horas diárias totalizando 200 toneladas de agregados reciclados. Considerando um total de 264 dias úteis anuais trabalhados, encontra-se uma produção para o primeiro ano de 52.800,00 QUOTE Os preços de venda dos agregados naturais no município estão chegando à média de R$ 51,57 conforme a Tabela 3.
Tabela SEQ Tabela \* ARABIC 3. Preço médio do agregado natural em Imperatriz/MA no ano de 2018.
PRODUTO NATURALR$ QUOTE Areia Fina 65,00Areia Média55,00Areia Grossa53,00Brita n.155,00Brita n.245,00Brita n.3 45,00Rachão 43,00MÉDIAR$ 51,57 Fonte: OS AUTORES, 2019.
Os itens reciclados são: areia, pedrisco, britas I e II, rachão e bica corrida com e sem agregados de cerâmica. "São itens provenientes de resíduos de base cimentícia e há intenção de utilizar produtos como gesso", diz Marco Aurélio Vituzzo, coordenador da unidade da CompraCon-SP. Para o cálculo, foi estipulado o valor da venda unitária do agregado reciclado de R$ 33,52 (35% em média) a menos do preço do agregado natural. Com o valor
de venda do agregado reciclado da usina, tornou-se possível, assim determinar a receita bruta anual, que é o resultado do produto do volume de agregado produzido anualmente pelo valor unitário do agregado reciclado. O cálculo
da receita líquida anual foi realizado retirando-se a os valores da receita bruta anual
e o valor correspondente aos custos de operação com o acréscimo do índice de crescimento anual de 1,50%. Portanto a diferença entre
a receita líquida e os custos de operação gerou os fluxos de caixa nos
período de 15 anos. A tabela 4 e 5 mostram os valores de VPL e PBD em 15 anos.
Tabela 4. Demonstrativo de receitas brutas e líquidas
para retorno do investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC durante o
período de 15 anos.
RECEITA BRUTACUSTO DERECEITA VPL ANOANUALOPERAÇÃOLIQUIDAACUMULADOPBD0-R$1.316.500,00 -R$1.316.500,00 R$1.316.500,001R$1.769.856,00R$632.448,60R$1.137.407,40R$1.015.542,32R$300.957,682R$1.796.403,80R$641.935,32R$1.154.468,50R$920.335,22R$619.377,543R$1.823.349,80R$651.564,34R$1.171.785,50R$834.053,77R$1.453.431,314R$1.850.700,00R$661.337,80R$1.189.365,20R$755.863,77R$2.209.294,405R$1.878.460,50R$671.257,86R$1.207.202,60R$684.999,18R$2.894.293,586R$1.906.637,40R$681.326,72R$1.225.310,60R$620.780,48R$3.515.074,067R$1.935.236,90R$691.546,62R$1.243.690,20R$562.582,29R$4.077.656,358R$1.964.265,40R$701.919,81R$1.262.345,50R$509.840,18R$4.587.496,539R$1.993.729,30R$712.448,60R$1.281.280,60R$462.043,63R$5.049.539,1610R$2.023.635,20R$723.135,32R$1.300.499,82R$418.726,14R$5.468.265,3011R$2.053.989,70R$733.982,34R$1.320.007,20R$379.470,53R$5.847.735,8312R$2.084.799,50R$744.992,07R$1.339.807,30R$343.895,16R$6.191.630,9913R$2.116.071,40R$756.166,95R$1.359.904,40R$311.654,99R$6.503.285,9814R$2.147.812,40R$767.509,45R$1.380.302,90R$282.437,32R$6.785.723,3015R$2.180.029,50R$779.022,09R$1.401.007,40R$255.958,81R$7.041.682,11
Fonte: OS AUTORES, 2019.
Tabela 5. Índices de viabilidade de investimento da implantação da usina de reciclagem de RCC ao final de 15 anos.
Análise37,4949%TIR
Taxa interna de retorno maior que K a 12%(retorno esperado)R$7.041.682,10VPL
Valor presente líquido maior que 05,34ILLPara cada real investido, ganha-se 5,34 reais1,4PBDInvestimento se paga
em 1 ano e 4 mesesFonte: OS AUTORES, 2019.
O
Valor Presente Líquido (VPL) indica em termos monetários o valor real gerado das receitas líquidas da empresa. Casarotto e Kopittke (2010) dizem que o
Valor Presente Líquido é o método que calcula o valor presente dos termos do
fluxo de caixa para somá-los ao investimento inicial de cada alternativa. O
Valor Presente Líquido, no período de 15 anos foi de R$7.041.682,10, sendo positivo o resultado encontrado, o projeto assim sendo é considerado um investimento economicamente viável. Para o cálculo da TIR, foram utilizados os valores do
Fluxo de Caixa descontado (VPL), o horizonte de
tempo, e o custo de implantação. Logo, encontrou-se um valor para a TIR igual a 37,4949%
Assim, pode-se afirmar que o projeto irá gerar uma taxa de retorno anual de 37,4949% e que o mesmo deve ser aceito, pois este retorno é bem maior que a Taxa Mínima
de Atratividade de 12% escolhida para esta proposta de implantação da usina de RCC , torna-se possível confirmar onde ocorreu à anulação das despesas inicias, passando para valores positivos. Todavia, percebe-
se que o PB descontado é maior que o PayBack simples (
fluxo de caixa), isso ocorre pois o valor presente dos fluxos de caixa gerados é sempre menor que seus valores absolutos.
Para o método do Índice de Lucratividade Liquido, foi feito uma comparação entre os valores presente dos fluxos futuros projetados com o capital inicial realizado, procurando assim evidenciar o resultado gerado no investimento. O cálculo do ILL deste projeto foi utilizado os valores presentes dos fluxos futuros do mesmo e a divisão pelo investimento realizado, encontrando um resultado de 5,34. Segundo os critérios
para a análise do indicativo, o ILL apresentou valores superiores que 1, então, o investimento da proposta da usina de RCC será rentável, pois o ILL é uma medida relativa em forma de índice, logo quanto maior for o valor do ILL, mais atrativo torna-se o projeto.
4 CONCLUSÕES
Para a proposta em questão, o critério de rentabilidade foi baseado em fluxos de caixa descontado, onde teve duas importantes características: Consideração
de todos os fluxos de caixa incluindo os valores positivos e negativos ao longo de toda a sua vida útil projetada e; o uso do princípio do desconto. Assim sendo, a análise da proposta da usina de RCC no município de Imperatriz/MA, foi examinada por meio dos indicadores financeiros, portanto, tem-se
de acordo com a Tabela 6 a seguir.
Tabela 6. Síntese dos indicativos de viabilidade da implantação da usina de reciclagem de RCC no município de Imperatriz-MA.
TMA12%TIR37,4949% a.aVPLR$ 7.041.682,10PB1,4 anosILL5,34Fonte: OS AUTORES, 2019.
Assumindo uma TMA de 12% ao ano, calculou-se o VPL, TIR, PB e o IL, prontamente,
a proposta da usina de RCC teve bons resultados na análise econômica: O investimento foi aprovado, pois
a entrada de dinheiro excederá a saída
de dinheiro em R$ 7.041.682,10 (VPL); O capital empregado será remunerado a 37,4949% ao ano, sendo o seu custo de 12% ao ano (TIR);
O capital investido inicialmente será recuperado com 1,4 anos (PB), prazo esse muito atrativo; O Investimento deverá ser aprovado, pois para cada real investido, ganha-se 5,43 reais.
Por esse motivo, a gestão dos RCC na cidade apresentou carências como disposição final dos resíduos em uma área não licenciada; despejos em terrenos baldios em vários pontos da área urbana do município; deficiência de áreas de transbordo para grandes geradores; inexistência de iniciativas públicas para implantação de usinas e reciclagem de RCC; falta de iniciativas de educação ambiental e; ausência de controle de transporte de resíduos. A análise econômica, realizada sob um único cenário, conclui que o projeto da usina de RCC no município de Imperatriz/MA é viável para o horizonte
de planejamento de 15 anos com rápido
retorno do investimento inicial (1,4 anos) e alto índice de lucratividade (5,43), sendo, portanto, altamente recomendável sua implantação. Trabalhos futuros podem outros cenários como, por exemplo, pessimista e otimista, que identifiquem as variações dos resultados alcançados.
REFERÊNCIAS
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Rio de Janeiro: Editora FGV,2008.
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