Da mina de Socavão à mina a céu aberto: os novos pactos no caso do centro de mineração de Hualgayoc, Cajamarca, Peru

Autores

  • Adriana Paola Paredes Penafiel Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

DOI:

https://doi.org/10.24305/cadecs.v5i1.2017.17774

Resumo

Este trabalho trata das dinâmicas da mineração a céu aberto e seus efeitos da região andina de Cajamarca, ao norte do Peru. Por meio de pesquisa de abordagem etnográfica, realizada entre 2013 e 2014, analisa-se como o desenho de uma mina a céu aberto na cidade de Hualgayoc influencia as pessoas que inicialmente desenhavam na terra, os velhos mineradores de socavão. O objetivo deste artigo é estudar como a mina moderna hierarquiza, classifica e burocratiza as relações com as pessoas do lugar. No entanto, esta impessoalidade por parte da mina não é aceita pela população local que procura estabelecer acordos, principalmente com o Gerente de Relações Comunitárias. Os sucessos dos pactos tem um efeito destruidor para os marginalizados desse processo que são os que sofrem o desemprego, os preços altos, a contaminação e falta de agua. A reflexão sobre esta forma de fazer pactos remete aos estudos da Antropologia sobre mineração e desenvolvimento.

Downloads

Não há dados estatísticos.

Biografia do Autor

Adriana Paola Paredes Penafiel, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Doutora em Desenvolvimento Rural pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS)

Referências

BLASER, M. 2013. Ontological conflicts and the stories of peoples in spite of Europe. Current Anthropology, Chicago, v. 54, n. 5, pp. 547-568, outubro.
CAVALCANTI-SCHIEL, R. 2014. Para além das terras altas e baixas: modelos e tipologías na etnología sul-americana. Revista de Antropologia, São Paulo, v.57, n.2, pp. 251-290.
ESCOBAR, A. 2002. Globalización, desarrollo y modernidad. In: ESCOBAR, A. et al. Planeación, participación y desarrollo. Medellín: Corporación Región, pp. 9-32.
FERGUSON, J. 1999. Expectations of modernity: myths and meanings of urban life on the Zambian Copperbelt. Berkeley: University of California Press.
FERGUSON, J. 1994. The anti-politics machine: development and bureaucratic power in Lesotho. Minneapolis/London: University of Minnesota Press.
GOLDFIELS LA CIMA. 2016. Reporte Integrado 2016. Lima: Goldfields - La Cima.
GOLDFIELDS LA CIMA. 2014. Responsabilidad social 2013. Lima: Goldfields – La Cima.
GOLDFIELS LA CIMA ampliará operaciones en Cerro Corona. 2014. Gestión, Lima, 9 out. 2014. Disponível em: <http://gestion.pe/impresa/gold-fields-cima-ampliara-operaciones-cerro-corona-2110679>. Acesso em: 26 jun. 2015.
GUERRERO DE LUNA, R.; TORRES LÓPEZ, F. 2012. Más de 1200 pasivos ambientales en Hualgayoc esperan ser remediados. El Comercio, Lima, 9 jan. 2012. Disponível em: <http://elcomercio.pe/peru/1358583/noticia-mas-200-pasivos-ambientales-hualgayoc-esperan-remediados_1. Acesso em: 26 jun. 2013>.
KIRSCH, S. 2014. Mining Capitalism: the relationship between corporations and their critics. Oakland: University of California Press. KIRSCH, S. 2001. Property Effects. Social networks and compensation claims in Melanesia. Social Anthropology, Cambridge, v. 9, n. 2, pp. 147-163, junho.
KNIGHT PIESOLD CONSULTORES. 2005. Sociedad Minera La Cima S.A.: Estudio de impacto ambiental. Proyecto Corona. Resumen Ejecutivo. Lima: Knight Piesold.
LI, F. 2015. Unearthing conflict: corporate mining, activism, and expertise in Peru. Durham: Duke University Press.
LI, F. 2009. Documenting accountability: environmental impact assessment in a Peruvian mining project. Political and Legal Anthropology, [S.l], v. 32, n. 2, pp. 218-236.
O'PHELAN GODOY, S. 1991. Vivir y Morir en el mineral de Hualgayoc a fines de la colonia. Durham: Duke University.
RADOMSKY, G. 2011. Desenvolvimento, pós-estruturalismo e pós-desenvolvimento: a crítica da modernidade e a emergência de "modernidades" alternativas. Revista Brasileira de Ciências Sociais, São Paulo, v. 26, n. 75, pp. 149-162.
RANCIÈRE, J. 1996. O desentendimento: política e filosofia. São Paulo: Editora 34.
SALAZAR-SOLER, C. 2006. Supay Muqui, dios del socavón. Vida y mentalidades mineras. Lima: Congreso de la República.
SALAZAR-SOLER, C. 1997. La divinidad de las tinieblas. Bulletin de L´isntitute français déstudes andines, Arequipa, v.26, n.3, pp. 421-455.
TAUSSIG. M. 2010. O diabo e o fetichismo da mercadoria na América do Sul. São Paulo: Unesp.

Downloads

Publicado

26-12-2017