Entre a vida e a morte: a permanência das coisas como continuidade em contexto familiar
DOI:
https://doi.org/10.47456/cadecs.v12i1.47268Resumo
Este artigo, fruto de uma etnografia em contexto fami- liar, investiga a relação entre as pessoas e os objetos de entes queridos falecidos. A pesquisa se concentra em uma abordagem ecológica dessa relação, buscando compreender como as coisas se tornam parte tanto do mundo dos vivos, quanto do mundo dos mortos, assegurando-nos uma sensação de continuidade. Par- tindo de uma etnografia de dentro, escrutinando as relações co- tidianas das pessoas com suas coisas, é possível perceber que a conservação dessas é uma forma de negociar a ausência e manter a presença dos falecidos no cotidiano familiar. As coisas, dotadas de vida e participantes ativas de nossas constituições enquanto seres, tornam-se evidências de uma vida vivida e par- tilhada, permitindo que os vivos mantenham vínculo com os mor- tos. Por meio de um diálogo com a antropologia da morte, busca- mos contribuir para a compreensão da complexidade da relação que se passa entre os vivos e os mortos, destacando o papel fundamental das coisas nesse âmbito. A pesquisa revela a impor- tância de considerar as coisas em sua relação com a memória e os rituais cotidianos como elementos constitutivos da experiência humana diante da morte e da perda.
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