Itinerário do corpo morto e terceirização dos cuidados: a morte como negócio

Death as a Business

Autores

  • Karla de Souza Magalhães UFRJ
  • Rachel Aisengart UFRJ

DOI:

https://doi.org/10.47456/cadecs.v12i1.47378

Resumo

Este artigo aborda os cuidados com os corpos mortos, com base na delegação social da responsabilidade, da família e comunidade, para serviços terceirizados. As transformações sociais ocorridas ao longo do século XX acarretaram um cres- cimento do mercado funerário no contexto brasileiro, sobretudo a partir dos anos 1980. A pesquisa na qual se baseia este artigo tem como objetivo acompanhar o itinerário do corpo morto, para mostrar como são efetuados os cuidados, por intermédio de ser- viços terceirizados, presentes desde a constatação do óbito, sua notificação, até o destino final, quando os corpos são sepulta- dos ou cremados. O artigo conta com uma contextualização dos estudos sobre o tema e com a apresentação de dados de uma pesquisa etnográfica, empreendida em um cemitério localizado no município de Nova Friburgo – região serrana do estado do Rio de Janeiro. O estudo revelou a existência de um processo de mercantilização da morte, associado à produção de bens de consumo, com o propósito de dissociação entre os fenômenos morte e sofrimento.

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Biografia do Autor

Karla de Souza Magalhães, UFRJ

Psicóloga, Mestre em Saúde Pública pela Escola Nacional de Saúde Pública Sérgio Arouca – ENSP/Fiocruz. Doutoranda em Saúde Coletiva pelo Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro – IESC/UFRJ

Rachel Aisengart, UFRJ

Médica, Doutora em Saúde Coletiva pelo Instituto de Medicina Social da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (IMS/UERJ), Professora Associada do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (IESC/UFRJ)

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Publicado

21-01-2025