O que os mortos-vivos nos ensinam? Reflexões sobre a morte a partir do cinema de horror de George Romero
DOI:
https://doi.org/10.47456/cadecs.v12i1.47396Resumo
Resumo: O artigo tem como objetivo analisar o que os mortos-vivos podem ensinar, utilizando essa figura como um exemplo entre as diversas manifestações monstruosas presentes no universo do horror. Para isso, o texto se debruça sobre o cinema de horror do diretor estadunidense George Andrew Romero, reconhecido por suas obras que reconfiguram a representação dos mortos-vivos. Compreende-se que essas figuras possuem um potencial significativo para revelar aspectos do contexto histórico e cultural em que surgem, abrangendo uma gama de temáticas emergentes e promovendo reflexões profundas sobre a morte e a finitude da existência humana. Para alcançar esse propósito, o estudo fundamenta-se nos Estudos Culturais e utiliza uma metodologia composta por etnografia de tela, aportes teóricos da análise cultural e uma metodologia visual crítica. Essa abordagem permite uma compreensão mais rica e contextualizada tanto da figura do morto-vivo quanto do cinema de horror como um todo. Assim, considera-se que essas representações não apenas ajudam a compreender contextos histórico-culturais, mas também abordam problemáticas que persistem ao longo do tempo, atravessando diversas culturas. A figura do morto-vivo é entendida não apenas como um símbolo da morte, mas também como um elemento que desestrutura as verdades e compreensões que normalmente se tem a respeito dela. Essa desorganização provoca uma crise nas percepções estabelecidas, gerando uma série de reações variadas e reflexões profundas sobre a condição humana.
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