A agência da natureza: sobre dilemas éticos de uma etnografia para além do convívio com os humanos no campo
DOI:
https://doi.org/10.47456/cadecs.v12i2.47425Resumo
Neste artigo apresento os primeiros registros etnográ- ficos - textuais e imagéticos - de minha pesquisa de tese. No pri- meiro contato com o trabalho de campo, o objetivo foi estudar famílias que saíram da cidade para viver em áreas consideradas rurais no sul do Brasil, a partir da família de duas mulheres, Iti e Carina, mulheres que haviam deslocado suas vidas da cidade de Porto Alegre, em agosto de 2020, poucos meses após o início da pandemia de Covid-19, para uma cidadezinha na serra, chamada Nova Petrópolis. O local fica em torno de 180 quilômetros da ca- pital gaúcha, entre Picada Café e Gramado. Essa primeira ida ao campo não só trouxe para a investigação uma proposta ativa de mudança na mediação e condução etnográfica, como abriu espa- ço para novas reflexões sobre a expansão da ética antropológica para além de interlocutores humanos. Nesse sentido, essa expe- riência identificou na prática a agência da natureza atravessada pelo apagamento do acervo e captura da produção em campo como resposta dessa não elaboração antecipada.
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