Finados pandêmicos: da circunscrição de uma série histórica às alegorias cemiteriais
DOI:
https://doi.org/10.47456/kw6m5a65Resumen
O presente artigo analisa as transformações simbólicas e políticas associadas às celebrações do Dia de Finados durante os anos pandêmicos de 2020, 2021 e 2022, com base em uma etnografia cemiterial realizada no Cemitério da Consolação, em São Paulo. Por meio da observação participante, registros visuais e interações com visitantes, o estudo propõe uma reflexão sobre o luto coletivo e a disputa de sentidos em torno da morte no contexto da pandemia de COVID-19. Além de traçar uma série histórica com dados oficiais de mortalidade, o artigo visa explorar o papel dos monumentos, das oferendas e dos ritos fúnebres como expressão de memória social e enfrentamento simbólico da morte. As alegorias cemiteriais, tratadas como dispositivos visuais e afetivos, são analisadas à luz da antropologia da morte, da estética, da arte tumular e da política da memória. O texto conclui que, no Brasil, o luto coletivo foi atravessado por discursos negacionistas e práticas necropolíticas do Estado brasileiro durante o governo de Jair Messias Bolsonaro, sendo parcialmente reconstituído por ações simbólicas de resistência nos cemitérios e nas redes sociais.
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