Agenciamentos coletivos e bioconstrução: práticas artesanais de habitar no Antropoceno
DOI:
https://doi.org/10.47456/qygjh377Resumo
Desde os anos 1980, movimentos de comunidade e solidariedade, chamados de micropolíticas de resistência por Félix Guattari, têm impulsionado novos agenciamentos coletivos que se afastam dos paradigmas capitalistas. Agenciamento coletivo é um conceito operador que designa processos de criação de novos sentidos e subjetividades, emergentes das relações, encontros e práticas entre indivíduos, coletivos e territórios. No contexto do Antropoceno, marcado por crises ecológicas e sociais, os agenciamentos coletivos adquiriram relevância ao promover mudanças nas esferas cotidianas, relacionais e de interação com o ambiente. Este estudo busca analisar a dinâmica de formação e manutenção desses agenciamentos, enfatizando a diversidade de significados atribuídos à bioconstrução. Para isso, utilizamos entrevistas, diários de campo e análise documental do livro produzido pelo projeto Habitat que apresenta dez casas bioconstruídas situadas em Maquiné/RS. Compreendemos a bioconstrução como uma prática artesanal que integra conhecimentos vernaculares e científicos contemporâneos para a criação de ambientes sustentáveis e resilientes, a partir de composições singulares que misturam uma gama de materiais e estéticas, variando conforme os recursos locais.
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