Desaparecimento de pessoas ontem, hoje e amanhã: das margens da violência em Bacurau à guerra dos lugares em Pixote
DOI:
https://doi.org/10.47456/4m3wdp88Resumo
Este artigo discute como as construções sociais de espaço e lugar atuam nos processos de violência e marginalização que propiciam o desaparecimento forçado de jovens negros no Brasil, entendido como forma de juvenicídio. Adota-se uma abordagem qualitativa de inspiração geertziana, compreendendo as obras cinematográficas como “coisas construídas” (fictiones) capazes de oferecer interpretações de segunda e terceira mão sobre fenômenos socioculturais. A escolha dos filmes Pixote – A lei do mais fraco (1981) e Bacurau (2019) justifica-se por três eixos: tematização da violência contra populações marginalizadas; distância temporal, permitindo analisar continuidades e descontinuidades; e potencial heurístico para "pensar o Brasil". A análise não é cinematográfica, mas sim uma reflexão antropológica que articula os conceitos de “guerra dos lugares” (Arantes, 2007) e “letalidade branca” (Cruz, 2021). Como principais resultados, argumenta-se que as duas obras demonstram a permanência de uma estrutura de letalidade branca que opera por meio da territorialização da exclusão, em que, a diferença temporal entre os filmes não indica progresso, mas sim a adaptação do genocídio negro a novas tecnologias de controle e invisibilização social.
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