Evidências de culpabilização no discurso de vítimas
a compreensão dos espaços mentais por meio da argumentatividade implícita
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v20i45.52437Palavras-chave:
Culpabilização, Vítimas, Espaços Mentais, Argumentatividade ImplícitaResumo
Este artigo investiga as evidências de culpabilização no discurso de vítimas, mobilizando a Teoria dos Espaços Mentais, proposta por Fauconnier (1994), como viés teórico-metodológico, articulando-a à noção de argumentatividade implícita. A Teoria dos Espaços Mentais permite mapear como espaços base e espaços evocados se conectam e influenciam a produção de sentido. Metodologicamente, a análise avalia indicadores linguísticos e semânticos que evidenciam orientações atribuídas à vítima, negociações de agência e estratégias narrativas que podem funcionar como evidências de culpabilização. O artigo analisa como a ativação de espaços mentais e a organização linguística no discurso de vítimas de violência contribuem para a construção de sentidos avaliativos, evidenciando processos de argumentatividade implícita que favorecem interpretações de culpabilização da vítima. O corpus é constituído por excertos discursivos extraídos de material (online) de acesso público, que reúne relatos de mulheres vítimas de violência. Os resultados indicam que os espaços mentais ativados e as escolhas linguísticas das vítimas evidenciam dinâmicas discursivo-cognitivas que organizam a construção de cenários interpretativos de violência. Nesses cenários, a vítima é frequentemente configurada como agente avaliável, uma vez que os mapeamentos entre espaços mentais reordenam papéis de agência e responsabilidade, permitindo que ações, reações e estados emocionais sejam interpretados como fatores explicativos da violência.
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