Usos modalizadores de [de fato] e [na verdade] no século XXI
uma análise comparativa baseada no uso
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v20i45.52612Palabras clave:
Adverbiais modalizadores, De fato, Na verdade, Constatação, RetificaçãoResumen
Este estudo analisa comparativamente as construções adverbiais de fato e na verdade no português contemporâneo, com foco nas inferências discursivo-pragmáticas de seus usos como modalizadores epistêmicos que configuram subtipos de função. Adotamos os pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU), segundo a qual a língua se organiza em rede cuja arquitetura é sensível às intenções comunicativas, ao contexto interacional e a processos cognitivos gerais, como analogia, categorização e chunking. Coletamos 200 ocorrências de na verdade e 200 de de fato na aba “News on the Web”, do Corpus do Português, e as analisamos quanto às relações discursivo-pragmáticas que estabelecem entre informações no discurso. Os resultados indicam que cada construção apresenta um valor básico que se expande metaforicamente em subtipos distribuídos ao longo de um continuum que vai do polo mais objetivo ao mais subjetivo. Observamos que na verdade atua prototipicamente na retificação e atualização do discurso, revelando maior grau de subjetividade, e apresenta 10 subtipos, dos quais 4 foram descritos neste artigo. Já de fato tende a objetivar um ponto de vista previamente subjetivo, funcionando sobretudo como marcador de constatação, com maior grau de objetividade, e apresenta 4 subtipos. Assim, contribuímos para a compreensão das subespecializações de sentido desses modalizadores e das suas interações na rede linguística.
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