Rosas são vermelhas, violetas são azuis
discursos de natureza e a ilusão do constativo em comentários do YouTube sobre Erika Hilton
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v20i44.52451Palavras-chave:
Discursos de Natureza, Gênero, Pragmática, Erika Hilton, PerformanceResumo
Neste trabalho, ilustro e analiso o que chamarei de discursos de natureza, um conjunto de enunciados que, performativamente, criam o efeito de somente descreverem uma realidade universal, intrínseca e exterior à linguagem. Tal conceito está ancorado na noção de discurso de Foucault (2008) e será aqui relacionado à noção de enunciados constativo/performativos, elaborada por Austin (1990) no início de sua investigação filosófica sobre os atos de fala (e posteriormente abandonada). As análises focam em como 11 comentários do YouTube em um vídeo sobre a parlamentar Erika Hilton constroem seus efeitos de verdade, advogando em prol de uma a verdade universal sobre as coisas do mundo ao tecerem comentários transfóbicos que invalidam a identidade de gênero da deputada. O estudo reforça o argumento de que todo enunciado é, de fato, performativo, e de que compreender que a linguagem é performance é condição primordial para uma produção de conhecimento comprometida de forma política e ética com aquilo que produz, bem como para uma Linguística Aplicada que leve a Pragmática a sério.
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