Uma pragmática da violência linguístico-discursiva
quando o dizer pode ferir?
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v20i44.52469Palavras-chave:
Violência linguístico-discursiva, Epistemicídio, Pragmática, Historicidade condensada, Atos de fala violentosResumo
A realidade indígena no Brasil expõe violências que atingem modos de existência, restringem relações territoriais e promovem apagamentos, dificultando o reconhecimento desses povos como sujeitos. Nesse contexto, atos de fala operam como mecanismos de expropriação, marginalizando populações e enquadrando suas vidas como indignas de luto (Butler, 2021a), por atuarem socialmente (Austin, 1990). Este estudo analisa o caso da Tekoa Ka’aguy Ovy Porã (Aldeia Mata Verde Bonita), localizada em Maricá-RJ. O corpus reúne comentários publicados em resposta a uma postagem da página Lei Seca Maricá (LSM), no Facebook. Objetiva-se identificar atos de fala que performatizam discursos de ódio e violência linguístico-discursiva, examinando seus valores ilocucionários e efeitos sociais sobre os sujeitos indígenas. A pesquisa adota abordagem qualitativo-interpretativista e procedimentos netnográficos. Os resultados indicam que esses atos atualizam ideais colonizatórios através da historicidade condensada (Butler, 2021b), fixando identidades por concepções estigmatizantes (Goffman, 2019). Reinstauram formas ritualizadas do dizer que produzem efeitos perlocucionários de deslegitimação e exclusão, constituindo enquadramentos que favorecem a expropriação dos povos indígenas da localidade e reiteram relações desiguais de poder que atravessam o reconhecimento de sua existência e de seus direitos territoriais.
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