Autoetnografia, formação docente e ensino de leitura na transição entre ciclos do Ensino Fundamental
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v20i45.52552Palavras-chave:
Ensino de leitura, Formação docente, Autoetnografia, Transição escolarResumo
Este artigo teórico-metodológico examina o ensino de leitura na transição entre os anos iniciais e finais do Ensino Fundamental, problematizando as descontinuidades que atravessam esse momento da escolarização tanto no plano das práticas pedagógicas quanto no das relações formativas. Inscrito na Linguística Aplicada crítica, o estudo compreende essa transição como um espaço de tensões discursivas, curriculares e identitárias, especialmente no que concerne à articulação entre professores generalistas e especialistas. A partir de uma abordagem autoetnográfica, discutem-se as implicações epistemológicas e éticas da produção de conhecimento situada na formação continuada de professores, argumentando-se pelo reconhecimento da experiência do formador como categoria analítica legítima. O artigo articula revisão bibliográfica crítica a episódios autoetnográficos oriundos da prática formativa do autor, propondo a autoetnografia não apenas como procedimento investigativo, mas como posicionamento epistemológico que questiona modelos de pesquisa fundados na exterioridade do pesquisador. A contribuição central reside em demonstrar que as descontinuidades no ensino de leitura são produzidas também nos contextos de formação docente, atravessadas por regimes de saber distintos e por disputas em torno do próprio conceito de leitura. O artigo sustenta que a autoetnografia constitui via analítica rigorosa para compreender e intervir nessas dinâmicas formativas.
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