A construção comparativo-proporcional na perspectiva da Linguística Funcional Centrada no Uso
DOI:
https://doi.org/10.47456/rctl.v20i45.52680Palavras-chave:
Construção comparativo-proporcional, Linguística Funcional Centrada no Uso, Microconstrução, ProporcionalidadeResumo
Este artigo tem como objetivo descrever e analisar a construção comparativo-proporcional do português contemporâneo à luz dos pressupostos teórico-metodológicos da Linguística Funcional Centrada no Uso (LFCU). Fundamentado na abordagem construcional da gramática, nos moldes de Goldberg (1995, 2006), Croft (2001) e Traugott e Trousdale (2013), o estudo focaliza especificamente as microconstruções comparativo-proporcionais instanciadas por conectores correlatos, como quanto mais...mais, quanto mais...menos, quanto menos...mais e variações. A pesquisa baseia-se em dados provenientes de corpora da modalidade escrita do português contemporâneo, constituídos por textos do Nexo Jornal, da Folha de S. Paulo e da Gama Revista. A partir de uma abordagem quali-quantitativa, defende-se que a construção comparativo-proporcional constitui um subesquema construcional produtivo, organizado por relações escalares de implicação semântico-pragmática. A análise evidencia que tais microconstruções apresentam forte tendência à iconicidade, sobretudo no que se refere à ordenação lógica entre causa e efeito, além de exibirem diferentes graus de produtividade e flexibilidade formal, podendo instanciar tanto estruturas oracionais quanto não oracionais. Os resultados também demonstram que a construção comparativo-proporcional ultrapassa a descrição tradicional das chamadas “orações subordinadas adverbiais proporcionais”, configurando-se como uma rede de padrões convencionalizados vinculados à expressão de relações escalares.
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