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Trajetórias na História da Saúde
Vol. 54 No. 1 (2025)Fomos convidados pelo Editor da Dimensões – Revista de História da Ufes, professor Doutor Pedro Ernesto Fagundes para organizarmos o Dossiê da revista referente ao primeiro semestre de 2025. A Dimensões é um veículo de divulgação científica de periodicidade semestral voltado para a publicação de
artigos inéditos e resenhas de autoria de mestres, doutorandos e doutores. Os artigos são agrupados em dossiês ou temas livres. A revista se encontra classificada como A2 no Qualis de periódicos elaborado pela Capes (2017-2020).
Ao recebermos o convite, de pronto pensamos na temática Trajetórias na História da Saúde, campo em que desenvolvemos nossas pesquisas ao longo de nossas carreiras acadêmicas. Uma outra justificativa para tal escolha é que após um longo período em que receberam pouca importância na historiografia, os estudos biográficos e de trajetórias de indivíduos retornaram à agenda dos historiadores, em fins da segunda metade do século XX, com a crise do paradigma estruturalista. Observadas como uma série de posições adotadas por um indivíduo ao longo do seu percurso de vida, as trajetórias figuram como lócus privilegiado para entender os processos de tomada de decisão dos sujeitos, em uma constante tensão com o universo cultural, social e político em que viveram.
Entre os muitos campos do conhecimento histórico que podem se beneficiar dos estudos de trajetórias está a História da Saúde. A ênfase nas dimensões culturais, sociais e profissionais de personagens que atuaram para aliviar os males causados pelas doenças, que implementaram projetos de erradicação de enfermidades, que se dedicaram às profissões sanitárias ou ligadas à cura, pode apresentar aspectos não observados em pesquisas anteriormente publicadas e/ou consagradas pela historiografia. Atento a essa dimensão fértil da análise histórica, o dossiê “Trajetórias na História da Saúde” reúne reflexões sobre homens e mulheres praticantes das artes de curar, da medicina alopática ou homeopática, enfermeiras,
nutricionistas, farmacêuticos, cientistas, sanitaristas, entre tantas outras possibilidades de profissões que se articulam à saúde. Da mesma forma, os artigos podem dialogar com perspectivas como os estudos de gênero, mundos do trabalho, estudos raciais, estudos sobre os sertões, religiosidades afro-brasileiras e catolicismo popular, e demais marcadores sociais que constituíram as identidades dessas personagens. -
Migração, (I)mobilidade, Transnacionalismo: A Virada Digital
Vol. 54 No. 2 (2025)Coordenadores:
Maria Cristina Dadalto – Universidade Federal do Espírito Santo (UFES)
Adélia Verônica Silva – Universidade de Lisboa/Instituto de Geografia e Território
Propõe um debate sobre as migrações nacionais e internacionais, a mobilidade e-ou a imobilidade humana em contextos multissituados e atravessados pelos transnacionalismos mediados pelas plataformas digitais diversas, como WhatsApp, Telegram, Tik Tok, Instagram, Facebook, Linkedin, X, dentre outros, nestes tempos de extremos políticos e climáticos. O aprofundamento da pressão neoliberal associado a políticas segregacionistas impostas por governos de extrema direita associado as possibilidades de mobilização, interações e trocas de informação que as plataformas digitais oferecem fazem emergir novas formas de resistência e a discussão de novas metodologias de pesquisa e perspectivas teóricas a partir do Sul Global. Neste sentido, esta proposta de DOSSIÊ estabelece como espaço de debate inter e multidisciplinar de questões que envolvam as dimensões históricas, sociais, culturais, simbólicas, geográficas, psíquicas, políticas, jurídicas etc.
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Estados Novos em perspectiva global: autoritarismos, fascismos e circulações intelectuais
Vol. 56 No. 1 (2027)Poucos fenômenos históricos do século XX geraram uma historiografia simultaneamente tão extensa e tão fragmentada em tradições nacionais quanto os regimes que se autodenominaram "Estado Novo" em Portugal (1933–1974) e no Brasil (1937–1945). Embora essas experiências compartilhassem a designação, uma matriz corporativa e um horizonte antiliberal, a investigação histórica continua, em larga medida, a analisá-las em circuitos nacionais relativamente autônomos. Em contrapartida, sobretudo desde a década de 1990, consolidou-se uma historiografia comparada e transnacional dos fascismos e dos autoritarismos, que tem procurado compreender os regimes do entreguerras em perspectiva internacional, valorizando as circulações de ideias, de atores e de modelos políticos. É precisamente nesse espaço de diálogo entre a densidade das historiografias nacionais e os debates internacionais sobre fascismo, autoritarismo e corporativismo que este dossiê pretende intervir, propondo uma reflexão sobre os Estados Novos em perspectiva global.
A oportunidade deste dossiê é reforçada, ainda, por uma dupla efeméride que atravessa o calendário dos dois países. Em Portugal, completaram-se, em maio de 2026, cem anos do golpe militar de 28 de maio de 1926, que pôs fim à Primeira República e abriu caminho à Ditadura Militar e, posteriormente, ao Estado Novo, institucionalizado pela Constituição de 1933. No Brasil, aproximam-se os noventa anos da instauração do Estado Novo varguista, decretado em novembro de 1937 por um golpe que suspendeu a Constituição de 1934 e inaugurou um regime que perduraria até 1945. Essa quase coincidência de marcos constitui um ponto de partida simbólico para revisitar duas experiências que, apesar de emergirem de conjunturas distintas e de terem conhecido durações e desfechos diversos, continuam a interpelar, um século depois, o modo como as sociedades portuguesa e brasileira pensam sua própria relação com o autoritarismo, a memória e os limites da democracia.
O dossiê acolhe tanto artigos centrados exclusivamente no Estado Novo português ou no Estado Novo brasileiro quanto contribuições que os articulem explicitamente, entendendo que a justaposição cuidadosa de estudos de caso singulares, quando iluminados por um horizonte compartilhado de questões, pode, por si só, gerar efeitos comparativos e dialógicos. Pretende-se, assim, fomentar uma agenda de investigação que coloque em diálogo estudos nacionais com abordagens comparadas e transnacionais, privilegiando análises sobre as circulações de pessoas, ideias, publicações e modelos institucionais entre Portugal, Brasil e outros espaços da Europa, da América Latina e do mundo atlântico. Ao mesmo tempo, o dossiê pretende acolher a controvérsia historiográfica como parte constitutiva da investigação, e não como um obstáculo a ser superado. Da mesma forma, são bem-vindas contribuições que discutam aspectos conceituais relativos à caracterização e à interpretação dos Estados Novos, assim como ensaios dedicados à historiografia e à história da historiografia desses temas.
Eixos temáticos sugeridos
- Fascismo genérico, autoritarismo e tipologias comparadas dos regimes do entreguerras;
- História transnacional, história conectada e circulação de modelos políticos;
- Integralismo, salazarismo e outras direitas radicais ibero-americanas;
- Política e Estado: constituição, centralização do poder e aparelho repressivo;
- Intervencionismo estatal, corporativismo e políticas de desenvolvimento;
- Propaganda, doutrinação e construção da identidade nacional;
- Redes intelectuais e circulações transatlânticas entre Brasil, Portugal e Europa;
- Colonialismo, império e circulação de saberes;
- Imprensa, cultura visual e produção cultural;
- Gênero, masculinidades, família e políticas sociais;
- Infância, juventude e disciplinarização;
- Historiografia, memória e usos políticos do passado autoritário;
- Legados do autoritarismo do século XX e extremas direitas contemporâneas;
- Review Essays.
Normas de submissão
Os artigos devem seguir as diretrizes para autores da revista Dimensões – Revista de História da UFES (https://periodicos.ufes.br/dimensoes/en/about/submissions), sendo submetidos através do portal eletrônico da revista.
PRAZO PARA ENVIO DE SUBMISSÃO: 15 de janeiro de 2027.
Organizadores:
Joana Brites — Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra e CEIS20;
Leandro Pereira Gonçalves — Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Juiz de Fora;
Odilon Caldeira Neto — Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal de Juiz de Fora.




