Neoconservadorismo e saúde mental: a expansão das comunidades terapêuticas
Resumo
O artigo analisa o neoconservadorismo no Brasil e seus impactos sobre a política de saúde mental. O argumento central é que a expansão das Comunidades Terapêuticas (CTs), financiadas pelo fundo público, constitui expressão paradigmática das privatizações não clássicas no campo da saúde mental: ao transferir a gestão do cuidado a entidades privadas — predominantemente religiosas — o Estado se exime de responsabilidades, substitui o paradigma da redução de danos pela lógica da abstinência e reinstala práticas de confinamento e tutela moral que a Reforma Psiquiátrica havia combatido. Com base nos dados do IPEA (2017) e no relatório do Conecta sobre financiamento público das CTs (2017-2020), demonstra-se que esse processo expressa a racionalidade neoliberal de mercantilização dos serviços sociais, o moralismo religioso e a gestão punitiva da pobreza que caracteriza o projeto neofascista em curso no Brasil.
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