O assistente social enquanto intelectual orgânico nas organizações dos trabalhadores
Abstract
De acordo com a teoria de Gramsci, sobre a questão dos intelectuais orgânicos, todas as classes sociais nascem sobre o terreno de uma função essencial no mundo da produção, pois criam e recriam organicamente uma camada de intelectuais que lhe dão homogeneidade e consciência de sua própria função, não apenas no campo da produção material, mas, sobretudo,no campo social e político. (GRAMSCI, 1971)
Portanto, a teoria gramsciana afirma que cada classe social produz intelectuais organicamente para projetar sua hegemonia, sendo assim, estes se tornam importantes figuras nos processos de luta sociais e de classe, posto que, sua influência organizativa tem um grande potencial sobre as massas. (CARNOY, 1988)
O Serviço Social, enquanto especialização do trabalho coletivo, se insere na divisão social e técnica do trabalho na reprodução das relações sociais. Nesse sentido, Iamamoto (1995) afirma que “[...] a reprodução social é a reprodução da totalidade do processo social, que envolve o cotidiano de vida em sociedade” (IMAMOTO, 1995, p. 72).
Desse modo, o assistente social historicamente se coloca no bojo das contradições de classe, sobretudo, no que diz respeito às desigualdades engrenadas sobre a lógica da exploração da força de trabalho de uma classe (burguesa) sobre a outra (trabalhadora). Cabe ressaltar, que a partir da década de 1980, sob a influência da teoria social crítica marxiana e gramsciana a categoria profissional se coloca ao lado das lutas sociais das classessubalternas, sobretudo, porquê pós o movimento de reconceituação o conjunto da categoria assume um novo status de maturação teórico-metodológica.
Assim, acredita-se que o trabalhado desenvolvido pelo conjunto da categoria de assistentes sociais, embasado em sólidos referenciais teórico-críticos, munidos de uma direção social comprometida com a projeção de outra lógica societária, que não seja a capitalista, poderá potencializar mudanças favoráveis em direção ao projeto profissional hoje assumido pelas entidades representativas do Serviço Social.
Sobretudo, posto que, a atuação do assistente social ocupa um lugar estratégico na divisão social do trabalho, tento em vista que estes atuam em espaços sócio-ocupacionais como os sindicatos, associações profissionais, movimentos sociais, coordenadoria de recursos humanos em contato direto com os trabalhadores, programas e projetos comunitários, conselhos de bairros e dentre outros.
Portanto, a intervenção profissional dos assistentes sociais deve assumir um caráter emancipatório para os sujeitos demandantes de sua intervenção, entretanto, sabe-se que para esta feita os assistentes sociais devem aliar esforços com “[...] movimentos de outras categorias profissionais que partilhem dos princípios de seu Código de Ética e com a luta geral dos trabalhadores” (CFESS, 1993).
Desse modo, diante do atual estágio do capitalismo e das estratégias efetivadas pela classe burguesa para a manutenção de seu status quo, acredita-se que o potencial circunscrito na intervenção direta nas entidades de base dos trabalhadores poderá efetivar ganhos significativos no que tange a efetivação dos direitos sociais para uma nova sociabilidade. Assim, nas palavras de Leon Trotsky “Expor aos oprimidos a verdade sobre a situação é abrir-lhes o caminho da revolução”.
Referências
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